E não a nefanda

Está a entrar nos eixos

      «“Podemos, claramente, falar de uma negligência com graves consequências”, disse aos jornalistas Catalin Dancu, advogado de Radu Dogaru (o cabecilha do grupo), à saída do tribunal, sobre a sua argumentação no julgamento, com base num relatório da polícia holandesa. [...] Dogaru, Bitu e Darie declararam-se ontem culpados, admitindo o roubo e a tentativa de venda no mercado negro — quando foram detidos e deixaram as obras com a mãe do cabecilha» («Ladrões de Picasso e Monet admitem roubo mas acusam galeria de negligência», Cláudia Carvalho, Público, 23.10.2013, p. 34).
[Texto 3424]

«Doing what one is told»

Quão diferentes

      «However, there is still a strong tradition in England, particularly in the lower status occupations, of the key virtue being that of ‘doing what one is told’.» O que é pena é ser uma tradição apenas inglesa. Em troca do chá, bem nos podiam ter dado isto. E a propósito de inglês, acabei de ser convidado para a inauguração (isto tem um nome inglês), no Hotel Farol (Farol Hotel, leio no convite), em Cascais, da exposição do artista plástico João Feijó, intitulada, pois claro, «Color Field». Raquel Rocheta é a relações públicas. Depois conto.
[Texto 3423]

«Set up»

Entre França e Inglaterra

      «The X follows previous attempts by CEDEFOP (the European Centre for the Development of Vocational Training set up under the Council of Ministers)…» E na tradução: ah, tinha de se imiscuir outra língua que não apenas o português, mesmo filtrada por décadas: «O X segue as tentativas anteriores do CEDEFOP (Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional, criado ao abrigo do Conselho de Ministros)...»
[Texto 3422]

Léxico: «criossauna»

Uns inventores

      «A criossauna é uma das técnicas da crioterapia e a escolha de muitos futebolistas. “É uma câmara que usa o vapor do nitrogénio para o arrefecimento muito rápido do corpo e que ajuda na recuperação muscular. Pode ir a temperaturas de menos 196 graus, mas o ideal é que esteja entre os menos 140 e os menos 160 graus. O tratamento dura no máximo três minutos e é mais agradável do que tomar um banho de um minuto com a água a cinco graus”, diz ao DN Luís Cunha, especialista em recuperação de atletas» («Ronaldo faz recuperação com temperaturas de 160 graus negativos», Ana Maia, Diário de Notícias, 22.10.2013, p. 37).
      O Observatório de Neologismos ainda existe? E está a trabalhar? (É outra pergunta.) O mais provável é que os cortes o ceifassem. Assim, de repente, não sei se isso é assim tão mau.
[Texto 3421]

«Rendibilidade», vá lá

Nem todos se renderam

      Não tenho culpa que confundam «incredulidade» com «incredibilidade»... Ah, desculpem, já estamos no ar. «A rendibilidade das empresas não financeiras caiu para metade entre 2006 e 2012, apesar de ter recuperado ligeiramente no final do primeiro semestre deste ano» («Rendibilidade das empresas caiu para metade em seis anos», Diário de Notícias, 22.10.2013, p. 31).
[Texto 3420]

Léxico: «palangreiro»

E por isso

      «A Sociedade de Pesca do Arade deverá agilizar, nas próximas horas, a trasladação do corpo do pescador marroquino morto à facada por outro tripulante a bordo do palangreiro Príncipe das Marés, a 800 quilómetros da costa de Cabo Verde, crime que começará agora a ser investigado pelas autoridades daquele país africano» («Cabo Verde investiga morte em barco português», Paulo Julião, Diário de Notícias, 16.10.2013, p. 23).
      Vimo-lo no Assim Mesmo, há mais de dois anos. Continua ausente de quase todos os dicionários. Sem pena nossa. É, também já o sabemos, alienígena. Castelhano.
[Texto 3399]

«Apelar para»

Assim é

      «Apelei para tôdas as minhas fôrças e tirei, de longe, para mim só, a máscara que cobria o seu rosto fechado, para ver se conseguia fazê-la cair durante um segundo» (Amok (O Doido da Malásia), Stefan Zweig. Tradução de Alice Ogando. Porto: Livraria Civilização, s/d, 4.ª ed., p. 64).
[Texto 3398]

«Enfarte, enfarto, infarto»...

Ficamos doentes

      «Oscar Hijuelos, que morreu no último sábado ao sofrer um infarto enquanto jogava tênis em Manhattan, crava seu lugar na literatura como um autor que soube tratar temas difíceis com leveza» («Obra densa, mas divertida é o legado de Oscar Hijuelos», Thales de Menezes, Folha de S. Paulo, 15.10.2013, p. E4).
      Em Portugal, em relação a esta supina questão nunca nos atrapalhamos: é sempre «enfarte» que usamos. No Brasil, andam embrulhados com três variantes, enfarte, enfarto e infarto. Variantes é como quem diz: para alguns estudiosos brasileiros, só uma delas mata (não sei agora qual). Para outros, as formas «enfarte» e «enfarto» são populares, e «infarto» provavelmente adaptação do inglês infarct. Para outros ainda... Ah, chega.
[Texto 3397]

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