«Amor a...»

Sintaxe histórica

      «Ainda naquele dia [Urbano Tavares Rodrigues] falou também do amor por Ana Maria, a actual mulher. E de um ou outro amuo com Cunhal, da desilusão com o actual estado do país, do desprezo aos políticos, da noção de que esta esquerda pode pouco. Cruzou o presente com o passado» («O homem que via os deuses ao lado», Isabel Lucas, Público, 10.08.2013, p. 3).
      Bom e mau em duas curtíssimas frases, e tudo, estranhamente, sobre a mesma questão: regências, e a mesma regência, aliás, sobre disposições de ânimo. O § 206 (p. 158, ou 157 na 2.ª ed.) da Sintaxe Histórica Portuguesa, de Epifânio da Silva Dias, diz tudo.
[Texto 3165]

Regência nominal

Relações fortes     

      «Logo depois, a mulher do médico (Carla Chambel), provocadora, recria Ele e Ela de Madalena Iglésias, abrindo primeiras feridas numa noite que será cortada por um violento ataque inimigo, assassinatos acompanhados por obscuras frases tiradas da Bíblia (sem quaisquer relações aos “códigos” e “mistérios” que hoje inundam as livrarias, sublinhe-se), medos e outras revelações» («A morte saiu à rua», DN/6.ª, NG, 22.12.2006, p. 40).
      A regência nominal é a relação existente entre um nome e os termos regidos por esse nome. Neste campo, não há, propriamente, regras, mas sim usos consagrados. Quando pensamos no substantivo «relação», vêm-nos imediatamente à mente as preposições de (relação disto com aquilo) e entre (relação entre isto e aquilo). Logo, esperávamos ler algo como «sem quaisquer relações com os “códigos” e “mistérios” que hoje inundam as livrarias».

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