Nomenclatura científica

Afinal, pouco mudou

      «Aparentemente inofensiva, a espécie Achatina Fulica transporta ocasionalmente um parasita que causa meningite nos humanos» («Miami luta contra praga de caracóis africanos gigantes», C. R. F., Diário de Notícias, 20.09.2011, p. 26).
      Voltamos aos erros de sempre. E ainda eu escrevia no Assim Mesmo, em Março deste ano, que a «nomenclatura científica lá está a entrar na compreensão de todos, depois de tantas cincadas e tantas críticas». É Achatina fulica que se escreve, caro C. R. F. A razão, se quiser sabê-la, encontra-a naquele blogue ou noutro sítio.
[Texto 500]
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Erros

Nem vamos ver nem obrigado

      «O degelo e consequente perda da cobertura gelada da Groenlândia não são afinal tão drásticos como se pensava e, por isso, o mais recente Atlas do Mundo, publicado pela Times Book e considerado uma referência a nível mundial, dá uma visão incorrecta daquela região» («Erro no ‘Atlas do Mundo’ da Times Book», Diário de Notícias, 20.09.2011, p. 30).
      Isto é pasmoso: quanto mais tecnologia, mais erros. E o atlas só custa cerca de 200 euros. Julian Dowdeswell e um grupo de cientistas do Scott Polar Research Institute, da Grã-Bretanha, enviaram uma carta à editora em que afirmaram, pois é o que se pode ver em imagens de satélite recentes, que a diminuição da cobertura gelada não foi tão acentuada, mas a editora desculpou-se: os dados a que recorreu são os do National Snow and Ice Data Center (NSIDC) norte-americano.
      (É uma curiosidade que sinto há muito: será que quem opta por escrever Groenlândia também diz Groenlândia? Algo me diz que não.)

[Texto 499]
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Como se escreve nos jornais

Meteorologia popular e dicionário

      «O relâmpago, afinal, caiu duas vezes no mesmo sítio» («Pearl Jam e o ‘grunge’ em filme vinte anos depois», Rui Pedro Tendinha, Diário de Notícias, 20.09.2011, p. 47).
      Depois do relâmpago de Filomena Naves, o relâmpago de Rui Pedro Tendinha. Como é que se pode confundir raio com relâmpago? Este é apenas o clarão vivo e rápido que acompanha a descarga eléctrica — o raio propriamente dito. Difícil? A deturpação de Rui Pedro Tendinha alude à crendice popular de que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.
[Texto 498]
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Como se escreve nos jornais

Como um raio

      Foi descoberto um fóssil de um dinossauro trodonte terápode, o Talos sampsoni, nos Estados Unidos. «O líder da equipa de paleontólogos que o encontrou e estudou, Lindsay Zanno, da Universidade de Wisconsin-Parkside, não tem dúvidas de que esta descoberta “é como uma espécie de relâmpago, um acaso de proporções fantásticas”, como afirmou» («Primo mais novo do Velociraptor descoberto», Filomena Naves, Diário de Notícias, 20.09.2011, p. 30).
      Tudo muito bem (pese embora o «líder»), mas o «relâmpago» não me soa nem me ilumina. Parece que Lindsay Zanno (afinal uma bela líder) disse «is like a lighting strike». Ou terá sido «lightning strike»? As fontes divergem...

[Texto 497]
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«Cortar relações»

Se lessem mais — ou melhor...

      «O jornal Sunday Telegraph encontrou entretanto em Trípoli documentos mencionando duas visitas do antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair à Líbia, em Junho de 2008 e Abril de 2009, quando Trípoli ameaçava cortar as relações comerciais com o Reino Unido, se o bombista de Lockerbie, Abdelaset al-Megrahi, não fosse libertado de uma prisão escocesa onde cumpria pena pela morte de 270 pessoas» («Líbia falha governo para um país que tenta regressar à normalidade», Maria João Guimarães, Público, 19.09.2011, p. 14).
      Cá está o Sr. Gerúndio numa festa para a qual não foi convidado e — motivo deste post — Trípoli a cortar as relações como quem corta, a comparação é de Camilo, as unhas.

[Texto 496]
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«Apanhar/levar um bigode»

O diabo está nos pormenores

      «Mas todas as tapeçarias da série são um desafio à concentração do visitante do século XXI. O diabo está nos pormenores: cada tapeçaria [de Pastrana] é um amontoado de figuras humanas, lanças, armas, armaduras, embarcações, sem um centro aparente. Um bigode a quem pensa que vive numa era de excesso de informação» («O esplendor de Portugal para tempos de crise», Kathleen Gomes, «P2»/Público, 19.09.2011, p. 5).
      «O diabo está nos pormenores», admito, é um achado. Já quanto ao «bigode», muita coisa ficou no tinteiro: então não é apanhar ou levar um bigode, isto é, ficar derrotado, humilhado, que se diz?

[Texto 495]
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«Iludir/eludir as responsabilidades»

Ilusões ou talvez não

      «Mas os organismos competentes também não podem iludir as suas responsabilidades» (do editorial da edição de ontem do Público, p. 30). Podemos iludir as responsabilidades como se ilude a polícia? Talvez se elidam, iludam, eludam, aludam e, no caso da Madeira, se faça trinta por uma linha e ninguém o impeça jamais. Iludir é também, em sentido figurado, recorrer a métodos habilidosos para não cumprir ou realizar qualquer coisa. Fugir a qualquer coisa — e diz-se correntemente fugir à responsabilidade. Eludir, por sua vez, verbo quase desconhecido dos falantes, é sinónimo de evitar com destreza.

[Texto 494]
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Acordo Ortográfico

Erro manifesto

      «Tudo à roda, como já perceberam, das temíveis contradições entre o que se diz e o que se escreve. Daí que os génios do AO tenham descoberto aquela que ficará como uma das afirmações mais idiotas deste jovem século: “Não se pronuncia, não se escreve.” É isso que dita, no AO, a morte das consoantes mudas. Mas serão assim tão mudas? Um exemplo curioso e brasileiro: no infinitivo impessoal dos verbos terminados em –er ou –ar, nunca o “r” é pronunciado. Comer, correr, bater, dever, diz-se naturalmente “comê”, “corrê”, “batê”, “devê”; tal como nadar, comprar, voar, andar, se diz “nadá”, “comprá”, “voá”, “andá”. Para lá da etimologia, não é difícil perceber que a vogal final é aberta por causa do “r” que fecha a palavra. Sem “r”, teríamos de ler “come”, “corre”, “bate”, “nada”, “compra”, “voa” e por aí fora. Por isso, a consoante aparentemente muda de tais palavras, afinal, “fala”. E acentua as vogais. Mas, como “não se pronuncia, não se escreve”, ainda um dia esse “r” final será abatido» («São mudam mas “falam”», Nuno Pacheco, Público, 19.09.2011, p. 3).
      «Nunca» é mentira ou exagero ou loucura. Por outro lado — no caso, o único lado que merece um minuto de reflexão —, não estamos a falar de registos do português padrão, logo, longe das cogitações dos «cientistas» que negociaram o acordo. Quando, em 1819, frei Francisco dos Prazeres (1790-1852) comentou o português falado por indivíduos rústicos do Maranhão, deu como exemplo precisamente, entre outros, a queda do r final (má, pescá, abraçá, feitô, amô). Erre final de qualquer vocábulo — não apenas de verbos e muito menos, valha-me Deus, do infinitivo impessoal. E o infinitivo pessoal fica de fora porquê?

[Texto 493]
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«Estar ao facto»

Outras digressões

      «I explained that I knew nothing about it», responde Copperfield ao Dr. Spenlow. Cabral do Nascimento traduziu: «Repliquei-lhe que não estava ao facto.»
      Estar ao facto ou pôr-se ao facto — outro galicismo. Nos últimos dias, é só galicismos. Em francês é que se diz être ao fait, se mettre ao fait. No caso, estar ciente, por exemplo, ou simplesmente estar a par seria mais adequado. Felizmente, este deixou poucos seguidores.
[Texto 492]
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«De resto»

De reliquo

      Agora já encontrei autores que afirmam que «de resto» é um galicismo fraseológico, que está em vez de «quanto ao mais». Mas Vittorio Bergo (Erros e Dúvidas de Linguagem. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1986, p. 121) escreve: «DE RESTO – Locução acoimada de galicismo mas defendida e abonada por bons autores, já que traduz o latim de reliquo. “De resto, tratavam-se com aparente cordialidade.” (AH, Lendas, II, 252).» Se Alexandre Herculano usou...
      Por acaso estou a ler uma tradução do francês, com o original à frente, e comprovei que as seis ocorrências de du reste que apresenta foram todas pobremente vertidas por «de resto». Ora, não se podia traduzir uma ou outra por «finalmente», «aliás», «além de que»?... Nem temos necessidade de lançar mão de formas mais coriáceas como «ademais» e mesmo «quanto ao mais».
[Texto 491]
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Sobre «dióspiro»

Já vem dos Gregos

      «Só os diospiros, este ano, cumpriram a ordem contemplada. Tão doce como maldita e mal amada. Espero a mesma ortodoxia por parte das romãs. Têm a virtude de ficarem bem em casa, sem perigo de serem comidas» («Dá Deus nozes», Miguel Esteves Cardoso, Público, 17.09.2011, p. 39).
      É assim que muita gente diz ­e escreve — mas mal, pois é vocábulo proparoxítono, embora na página 1264 o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa ache que é indiferente. E como a primeira forma que registada neste dicionário é «diospiro», estará por aí explicada a prevalência. Mais avisado andou o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras, que só regista a forma esdrúxula.
      («O Atlas Linguístico de Portugal deveria começar precisamente por estas investigações in loco, que têm a virtude de ser mais completas e até por vezes exaustivas» (Miscelânea de Língua e Literatura Portuguesa Medieval, Manuel Rodrigues Lapa. Coimbra: Universidade de Coimbra, 1982, p. 406)).

[Texto 490]
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Acordo Ortográfico

Tu és Pedro, e sobre esta pedra

      Há minutos, Pedro Rolo Duarte, no programa Hotel Babilónia, da Antena 1, usou a palavra «estupefacção». E pronunciou — coisa que eu nunca tinha ouvido em dias da minha vida — sonoramente o primeiro c: estupefaCção. Estupefacto fiquei eu. Bem, sendo assim, não está capaz de aplicar as regras do Acordo Ortográfico. Agora leia-se esta afirmação do consultor D’Silvas Filho no Ciberdúvidas: «Os cientistas que estudaram o novo AO resolveram uniformizar foneticamente as sequências consonânticas. Assim, consegue-se mais facilmente saber se a consoante se escreve ou não: cai se for muda na pronúncia. Por exemplo, em Portugal, deve escrever-se estupefacto porque o c se pronuncia, mas estupefação porque nesta palavra já não se pronuncia o c.» (A primeira frase é um tudo-nada esotérica, acho eu, e não é tanto pelos «cientistas».)
[Texto 489]
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Prefixo «contra»

Está na hora

      «Alega José Rocha Quintal que “não seria de bom senso avançar para o julgamento sem esses elementos”. Mas há outras questões a ter em conta, até porque o advogado de defesa do jovem admite pedir “contra-perícias”. E se se esgotar o prazo de prisão preventiva? “Haverá essa possibilidade. O Luís teria de ser colocado em liberdade para enfrentar o julgamento”» («Atraso de exame pára julgamento», Paula Carmo, Diário de Notícias, 16.09.2011, p. 16).
      A lógica deve ser esta: como é demasiado simples, deixam isso para os leitores. Não me parece bem, pois eu paguei o jornal — façam favor de escrever bem. Nos compostos formados com o prefixo «contra», só se emprega o hífen quando o segundo elemento tem vida à parte e começa por vogal, h, r ou s.

[Texto 488]
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«Há séculos atrás»

Lamento

      «Por muito que se goste de chorar o passado ou preferir o presente, a História demonstra, em traços largos, que o futuro é sempre melhor para a maioria das pessoas. A sensação do dia-a-dia de estar tudo cada vez pior perde sempre quando é comparada com as condições há apenas um século atrás. Nem é preciso recuar no tempo — basta ver a facilidade com que se morre nos países muito mais pobres do que o nosso, que são muito mais do que metade dos que existem. Nos mais pobres, a expectativa média de vida é igual à nossa há dois séculos atrás» («A hora e o ano», Miguel Esteves Cardoso, Público, 16.09.2011, p. 41).
      Uma vez já seria grave — mas duas e logo no mesmo parágrafo? Pouca gente actualmente resiste ao modismo — e erro, pois que, ao empregar-se o verbo haver com expressões de tempo, não deverá incluir-se nunca o advérbio atrás.

[Texto 487]
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«Nom de voisinage»

Das Antilhas

      Ora aqui está algo curioso. Nas Antilhas (apenas?), os indivíduos têm um nom de voisinage, um nome dado pela comunidade mais próxima onde vivem, duplo essencial de todo o nome oficial. Numa tradução, porém, deveremos traduzir à letra — «nome de vizinhança» — ou procurar uma melhor correspondência? E alcunha, serviria?

[Texto 486]
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«Flamenco/flamengo»

Depende, não é?

      «A mestiçagem cultural pode ser criativa. Tomemos um exemplo que me apraz particularmente: o flamengo. Eis uma música que expressa a alma do povo cigano, uma música simbiótica, enriquecida pelas suas influências indiana, árabe, judia, celta... fundidas num som original.»
      O leitor Rui Almeida acabou de ler este excerto na página 17 da obra Como Viver em Tempo de Crise?, «um conjunto de dois textos», escreve-me, «um de Edgar Morin e outro de Patrick Viveret, traduzido por Carlos Correia Monteiro de Oliveira e editado pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda (Junho de 2011). A julgar por uma referência que encontrei online, o termo usado por Morin no original é “flamenco”. Consultados os dicionários cá de casa, não tenho dúvidas de que o tradutor confunde uma dança com uma língua (ou será com um queijo?...).»
      Creio já ter escrito sobre esta confusão. Mas será mesmo confusão? A julgar pela maioria dos dicionários, assim é. Consulto, porém, um dicionário publicado no Brasil — onde, como decerto saberão, se fala português —, o Dicionário de Termos e Expressões da Música, de Henrique Autran Dourado (São Paulo: Editora 34, 2008, 2.ª ed., p. 132), e vejo que o autor considera que a música e a dança da Andaluzia se chamam, indiferentemente, flamenco, flamengo ou flamingo.

[Texto 485]
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«Eu saibo»

Porque eu saibo-te a pouco

      O empregado de uma empresa têxtil (hum...) errou: «A 1.ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo saber com o significado de ter o sabor ou gosto de é “sei”, ou “saibo”, ou não existe essa forma verbal?» «A resposta correcta é “eu saibo”. Ora, o verbo saber, como os nossos caríssimos ouvintes sabem, pode significar duas coisas. É um verbo que tem dois significados. Ou ter conhecimento ou ter sabor. É curioso que no paradigma de conjugação deste verbo, só nesta 1.ª pessoa do singular do presente do indicativo é que nós temos diferença nas formas. Se se trata de ter sabor, se se trata de ter conhecimento. Se for ter conhecimento, como nós sabemos, a forma que corresponde à 1.ª pessoa do singular do presente do indicativo é “eu sei”. Se for o saber de ter sabor, é efectivamente “eu saibo”. “Eu saibo” é a forma do presente do indicativo do verbo saber com o significado de ter sabor» (Sandra Duarte Tavares, Jogo da Língua. Antena 1, 16.09.2011).
      Perante a estranheza, a absoluta anomalia desta forma verbal, faltou dizer o principal: que se formou por analogia com caibo, do verbo «caber».

[Texto 484]
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Como se fala por aí

Sonhos inarticulados

      Catarina Furtado foi fazer uma reportagem à Ilha de Moçambique. Ouçam-na: «“Desta vez vamos para um sítio que eu sempre sonhei ir e tenho como imagem a grande reportagem que o meu pai fez para a RTP, há muitos anos, era eu uma miúda. Lembro-me de que me fascinou imenso. É daquelas curiosidades que ficam”, contou» («Em Nampula a cumprir um sonho de criança», A. F. S., Diário de Notícias, 16.09.2011, p. 51).
      Só não sabemos se Catarina Furtado se exprimiu assim ou se é tudo da lavra do jornalista. Claro que isso é o menos importante — por muito que alguns, habitualmente os visados ou anónimos sem procuração, pretendam ver o contrário —, pois não uso de argumentos ad hominem (nem ad feminam). Temos é de meter na cabeça que é errado e que fica mal na boca de uma comunicadora ou na pena de um jornalista.
[Texto 483]
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Como se escreve nos jornais

Uma tentativa

      «Alvejado em órgãos vitais, Hilário Soares acabaria por morrer no local. Depois de consumar o homicídio, Adelino Almeida regressou à sua vivenda. Terá esboçado o suicídio, mas entretanto chegaram os bombeiros» («Discussão de honra acaba com morte a tiro», Júlio Almeida, Diário de Notícias, 16.09.2011, p. 18).
      Um dos sentidos figurados de esboçar é iniciar uma acção ou gesto sem o completar, mas não deixa de ser estranho escrever «terá esboçado o suicídio».

[Texto 482]
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Léxico: «alíquota»

Só se explicarem

      «Os relatores consideram mesmo que não é possível “determinar se a causa das lesões dos ofendidos resultou da troca do fármacos [sic], se existiu troca e em que momento é que a mesma ocorreu”. O relator, o presidente do Conselho Jurisdicional Regional de Lisboa, Joaquim Marques, apoiado pela consultora jurídica Ana Varejão, detectou “fragilidades” naquele serviço hospitalar, como o facto de não existirem regras escritas para a utilização de sobras de medicamentos (tecnicamente designados de alíquotas)» («Ordem arquiva caso dos cegos de Santa Maria», Diário de Notícias, 16.09.2011, p. 14).
      O primeiro obstáculo para a compreensão é logo a falta de concordância — pois não é aos medicamentos, mas às sobras destes, que se dá a designação de alíquota. É acepção, da gíria médica, que os dicionários não registam. Alíquota — é a única acepção dicionarizada — é a parte que está contida num todo um número exacto de vezes. Não deveria figurar entre as falhas nas «Expressões médicas: falhas e acertos»?
      Mas, entretanto, registe-se. Alíquota: sobra de fármaco extraído da embalagem original.

[Texto 481]
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