Léxico: «cereulide»

Recomecemos aqui


      «Nestlé est retombé dans des eaux très agitées depuis une semaine. A la suite d'une anomalie dans plus de dix de ses usines, notamment aux Pays-Bas et en Allemagne, liée à un problème de qualité sur un ingrédient d’un de ses fournisseurs, le géant suisse de l’agroalimentaire a procédé tout début janvier à un rappel volontaire de certains de ses laits pour nourrissons. La raison? La présence potentielle d’une substance d’origine bactérienne : la céréulide. Celle-ci est susceptible de provoquer chez les bébés des troubles digestifs, comme des diarrhées et vomissements» («Chez Nestlé, les rappels de laits infantiles virent au cauchemar», Olivia Détroyat, Le Figaro, 13.01.2026, p. 23).

      Apareceu, logo proponho  cereulide BIOQUÍMICA toxina peptídica termoestável produzida por certas estirpes da bactéria Bacillus cereus, responsável por intoxicações alimentares do tipo emético (com vómitos) associadas sobretudo ao consumo de arroz, massas ou leite contaminados; actua como ionóforo de potássio nas mitocôndrias, induzindo disfunções metabólicas e distúrbios gastrointestinais agudos, incluindo náuseas, vómitos e, em casos graves, danos hepáticos. 

      Quanto à etimologia, vem do latim científico [Bacillus] cereus, nome da bactéria em que a substância foi identificada, com o sufixo ‑ide usado para compostos químicos e bioquímicos.

[Texto 22 259]


Livro

      Já está disponível, desde ontem o meu livro, Em Português, Se Faz Favor.


«Litigação/litigância»

Quem diria

      É inacreditável: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista o vocábulo «litigância», que é sinónimo, e porventura mais usado, de «litigação». Rebelo Gonçalves, valha a verdade, também não o regista.
[Texto 2399]

«Zona do euro»

Já é tradição...

      Já muitas vezes tinha pensado que a expressão «Zona Euro» é pouco portuguesa. Hoje, voltei a pensar no assunto, agora a propósito da menos (ao que me parece) usada «área euro». Já aqui há matéria de reflexão: se a primeira é a maioria das vezes grafada com maiúsculas iniciais, a segunda é sempre grafada com minúsculas. Porquê a diferença de tratamento? O guia de estilo do Centro de Informação Europeia Jacques Delors recomenda que se use a expressão «área do euro» para designar o conjunto de países que têm a moeda única. O Código Interinstitucional, a propósito de «área do euro», nota: «De observar, porém, que a expressão mais comummente usada em Portugal é “zona euro” ou “zona do euro”.»

[Texto 2398]

Léxico: «escudete»

Malandrim setecentista

      O antiquário garantiu-me que a cómoda-toucador com tampo de rebater era seguramente do século XVIII e que a madeira era vinhático. «Já reparou nos belíssimos escudetos e nos puxadores de pau-santo?» Século XVIII... Malandrim. E também não se diz escudeto, mas escudete. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «peça exterior, de metal ou de madeira, que ornamenta a fechadura de um móvel; espelho».
[Texto 2397]

«Babygro», de novo

Na pronúncia, sim, /ˈbeɪbɪgrəʊ/

      «Cristina Lima e Filipa Pinto, ambas designers, deixaram os seus empregos para criar uma marca de roupa para bebés, onde há babygrows com padrão de pele de vaca e vestidos amarelo fluorescente [sic]» («Presentes únicos e baratos é o que todos querem», Maria João Caetano, Diário de Notícias, 3.12.2012, p. 46).
      Ora, já vimos aqui que os dicionários registam «babygro». A explicação para o erro pode estar na etimologia e na própria pronúncia do vocábulo.
[Texto 2396]

Como se escreve nos jornais

De alpercata

      «Os dedos de Guida Fonseca deslizam sobre o fio de alparca, os pés dançam levemente sobre os pedais. Uma pequena multidão junta-se em volta da roda de fiar. “Parece fácil, não é? Mas não é. Querem experimentar?” Ninguém se atreve» («Presentes únicos e baratos é o que todos querem», Maria João Caetano, Diário de Notícias, 3.12.2012, p. 46).
      A jornalista, porém, atreveu-se a escrever sem consultar um dicionário. Mesmo que possa jurar ter ouvido «alparca», tinha obrigação de confirmar. Alparca é o calçado que se prende ao pé com tiras de couro. Devia ter escrito alpaca: neste caso, seria a lã do animal ruminante da família dos Camelídeos, da América do Sul.
[Texto 2395]

Sobre «formato»

Quem sabe

      «Entre os formatos que deverão prosseguir e os novos conteúdos para a RTP2 a partir de janeiro, os vínculos ainda não terão sido celebrados» («Contratos parados à espera de modelo», Carla Bernardino, Diário de Notícias, 3.12.2012, p. 51).
      O verbete do vocábulo «formato» no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista cinco acepções, mas não esta, que vem, ora pois claro, do inglês: «general plan of organization, arrangement, or choice of material (as for a television show)» (in Merriam Webster). Deve ou não estar nos dicionários? No Houaiss está: «género, característica, organização (p. ex., para um programa de TV)».

[Texto 2394]

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