Léxico: «romanticista»

Duas seguidas

      Ontem, «tantrista»; hoje, «romanticista». Não está nos dicionários. É o relativo ou pertencente ao romantismo ou a pessoa adepta do romanticismo (que está nos dicionários).
      «Mas, admitido o seu propósito de esculpir, Eça insurgindo-se contra o romantismo, não tinha a menor autoridade, se não compreendia que a moralidade, só com a exibição de radiosas plásticas, nunca poderia vencer o veneno romanticista, que os realistas increpavam» (Eça de Queiroz, José Agostinho. Porto: Casa Editora de A. Figueirinhas, 1925, p. 148).
[Texto 3220]

«Fardo de lenha»?

É a segunda vez

      Aqui o autor fala de um «fardo de lenha». Já tinha lido, é verdade, mas, ao que julgo, apenas uma vez na vida. Molho de lenha, feixe de lenha, braçada, gavela, paveia...
      «Mas alguém com um fardo de lenha à cabeça a empurrou: — Ó tiazinha, isto são perigos de mais para a sua idade! Recolha-se à sua morada, que o povo desta cidade tem uma missão a cumprir e não pode encontrar estorvos à sua frente!» (Este Rei Que Eu Escolhi, Alice Vieira. Lisboa: Editorial Caminho, 13.ª ed., 2008, p. 21).
[Texto 3219]

«Alvéolo», «gavetão»...

São necrofóbicos

      A avó ficou «dans l’alvéole» n.º X no cemitério de ***. Alvéolo, pois claro. Nos dicionários, como o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, esta acepção não aparece. Há alvéolos dentários, há alvéolos pulmonares, mas os alvéolos dos cemitérios foram esquecidos. Como se esqueceram dos gavetões dos cemitérios. Mesmo o columbário é, para aquele dicionário, o «sepulcro subterrâneo, entre os Romanos». E entre os Portugueses? Creio — e não tenho à mão um coveiro que mo confirme — que aos alvéolos também se dá o nome de «nicho». De qualquer maneira, a acepção também não está dicionarizada. Têm muito por onde melhorar, os nossos dicionários.
[Texto 3218]

Tradução: «chinetoque»

Olha quem fala

      Povos racistas como os Franceses e os Portugueses (ah, nós não o somos? Pronto, fica assim) tinham de ter nas suas línguas termos para designar de forma ofensiva outros povos. Assim, o termo injurioso e racista francês para designar um chinês é chinetoque. Está no Larousse, caramba. E está registado no Dicionário Francês-Português da Porto Editora? Não está. Mas no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora encontramos «chinoca».
[Texto 3217]

Léxico: «suputação»

Quase só eles

      «Ignoramos — e não vale a pena tentar a suputação provável — o que seria uma civilização hispânica caldeada com a líbio-fenícia. Seria tão absurdo julgar que todas as coisas vêm por bem, como julgar que todas vêm por mal» (Os Avós dos Nossos Avós, Aquilino Ribeiro. Lisboa: Livraria Bertrand, 1942, p. 205).
       Tirando Heitor Pinto e Aquilino, quem é que usa os termos «suputação» e «suputar», quem? Só os vejo, em abundância, em traduções de obras francesas. Eles é que gostam muito. Suputar é avaliar por meio de cálculo, computar; suputação é o acto ou efeito de suputar; cálculo.
[Texto 3216]

Tradução: «baisable»

Novas e velhas

      Esta quarentona é baisable — «fodível», verte o tradutor. «Desejável; sexualmente muito atraente», regista o Dicionário Francês-Português da Porto Editora. Mas désirables são aquelas adolescentes — françaises, beurettes, asiatiques — que ali estão junto da máquina de distribuição de preservativos.

[Texto 3215]

Vulgarismos

Vulgar, mas desconhecido

      Não será porque gostem ou deixem de gostar, mas os Franceses também têm branlettes espagnoles. O tradutor verteu para «punhetas espanholas». Pode ser, mas, mais habitualmente, entre nós são conhecidas por espanholadas. Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, contudo, «espanholada» é o «dito, frase, música, etc., próprio de espanhóis; fanfarronada; hipérbole». Está mal, os vulgarismos (ah!) também têm de estar nos dicionários. E o Dicionário Francês-Português da Porto Editora, se regista branlette, quanto à espagnole, nada.
[Texto 3214]

Léxico: «tantrista»

Essa é a verdade

      Antes do almoço, a minha filha perguntou-me se quando for crescida pode ganhar a vida a fazer construções com peças de dominó, porque acha que as sabe fazer fantásticas. Porque não? Só esta tarde é que eu soube que também há tantristas (todos adolescentes em Maio de 68?). Por isso...
[Texto 3213]

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