«Magrizela/magricela»

Da magreira

      «– Onde pára esse vosso amigo magrizela?, – perguntou Reuben Hearne, dando um puxão ao cinto, ao mesmo tempo que fazia a pergunta com voz resmungona. – Não me serve de nada perder palavras com um par de miúdos...» (Acampamento no Bosque, David Severn. Tradução de José da Natividade Gaspar. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1949, p. 152).
      Hoje em dia, quase só ouço e leio «magricela». Terá contribuído para tal que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora de «magrizela» remeta para «magricela»? Castilho usou magriz (de onde provém «magrizela») e magrizel, mas isso já seria pedir demasiado aos dicionários.
[Texto 3203]

«Bordar considerações»

Bordar ou tecer

      «Bordou ainda outras considerações, a respeito da presença de espírito, as quais fizeram Diana corar novamente, mas, desta vez, por um motivo muito diverso» (Acampamento no Bosque, David Severn. Tradução de José da Natividade Gaspar. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1949, p. 187).

[Texto 3202]

Léxico: «romanichel»

Parecido, parecido

      «– Há cada vez menos, em cada geração. O que se encontram mais são raças misturadas... diddiekies, como nós lhes chamamos, e muitos funileiros que se fazem passar por ciganos, mesmo que não saibam uma só palavra da nossa língua romaniquel. Além disso, nos velhos tempos, não mais do que há cerca de cem anos, a nossa gente era muito rica. O meu bisavô tinha um carro, grande como uma casa, puxado por uma parelha de cavalos malhados» (Acampamento no Bosque, David Severn. Tradução de José da Natividade Gaspar. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1949, p. 262).
      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora ignora o termo. Mas, curiosamente, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da mesma editora, regista «romanichel», assim como o Dicionário Inglês-Português. A Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira também o regista, e aqui vejo uma «Resolução do Parlamento Europeu sobre a situação dos romanichéis na União Europeia». Ou seja, aqui José da Natividade Gaspar escorregou.
[Texto 3201]

Plural dos apelidos

Este não era ignorante

      São duas famílias inglesas de ciganos: Reuben Hearne e a mulher, Marcos Lovel e a mulher, além dos filhos. São os...? «Os Hearnes e os Lovels deixaram a fogueira e só a gorda mulher do chefe continuava, de um lado para o outro, tirando os pratos e as facas» (Acampamento no Bosque, David Severn. Tradução de José da Natividade Gaspar. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1949, p. 295).
[Texto 3200]

 

«Jaze»?

Aqui jaz

      «Daqueles prédios amontoados em baixo, subia um murmúrio de sons misturados: vozes humanas e de animais; a música afastada de um jaze; o ronco abafado dos realejos a tocarem no parque de diversões; os relinchos de inúmeros cavalos; o rodar de carros pelas ruas, tudo como para lhes recordar que já haviam chegado a Favercombe, que estavam no mês de Agosto e aquele dia era o segundo da feira maior e mais importante daquelas redondezas» (Acampamento no Bosque, David Severn. Tradução de José da Natividade Gaspar. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1949, p. 333).
      «Jaze»? Será o aportuguesamento de «jazz»? Não reeditou a Sextante, em 2010, a colectânea João na Terra do Jaze, de José Duarte?
[Texto 3199]

«Eh»

Ainda se sabia bradar e exclamar

      «– Eh, – bradou Brian, logo que o avistou, e acenando com a mão enquanto com a outra continuou atirando para o lume ramos partidos e galhos mais secos. – Conseguiste trazer tudo?» (Acampamento no Bosque, David Severn. Tradução de José da Natividade Gaspar. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1949, p. 120).
[Texto 3198]

«Havia um bom bocado»

O passado no passado

      «Já o crespúsculo começara, havia um bom bocado, quando Derek saiu com a bicicleta da estrada e meteu pela relva seca do monte» (Acampamento no Bosque, David Severn. Tradução de José da Natividade Gaspar. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1949, p. 85).
[Texto 3197]

«Porta-voz», uma acepção

Este desapareceu

      «Continuava a não haver sinais de Derek, embora Brian gritasse mais uma vez, empertigando-se na beira do monte, com as mãos a fazerem de porta-voz à roda da boca» (Acampamento no Bosque, David Severn. Tradução de José da Natividade Gaspar. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1949, p. 85).
      Porta-voz, neste caso, é o «aparelho destinado a amplificar e dirigir o som», e não a «pessoa que transmite as ideias, decisões ou opiniões de outrem, nomeadamente de uma entidade oficial ou particular», como se lê, por exemplo, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

[Texto 3196]

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