Lei Mosaica

Quem é judeu

      «A questão extravasa, na realidade, o âmbito científico, porque mexe com a própria identidade judaica. Acontece que, segundo a lei rabínica de Israel – ou Lei Mosaica –, é judeu (mesmo que pratique outra religião e mesmo que não o saiba) quem tem uma mãe judia» («Raízes maternas dos judeus da Europa Central são europeias, conclui estudo», Ana Gerschenfeld, Público, 14.10.2013, p. 27).
      Disso mesmo, numa nota marginal, lembrei ainda na passada semana um autor, que escrevia que certa personagem, cuja mãe era judia, era «meio judeu».
[Texto 3384]

«Retratos-robôs»

Não devia

      «A Scotland Yard tem dois retratos-robôs de um homem que considera prioritário identificar no âmbito da investigação ao desaparecimento de Madeleine McCann» («Polícia britânica com nova versão sobre o caso Maddie», Público, 14.10.2013, p. 7).
      É curioso — sem deixar de ser preocupante — ver que o Vocabulário Ortográfico Português não regista este plural, apenas «retratos-robô», na verdade mais usado.
[Texto 3383]

«Pé», unidade

Que nós não temos tempo

      «Tudo recolhido, é preciso encher um contentor com o material. Um contentor com 40 pés, que transporta 32 toneladas, custa cerca de 3000 euros para chegar à Guiné-Bissau» («Cartazes das autárquicas com bilhete para a Guiné em formato solidário», Sara Dias Oliveira, Público, 14.10.2013, p. 12).
      Para os agentes de navegação, é coisa de todos os dias, não para o leitor comum do Público. O é uma unidade de comprimento do sistema inglês e americano equivalente a 30,480 cm. É fazer contas, como dizia o outro.
[Texto 3382]

Tradução: «jumper suit»

Desaparecido

      «Dick trazia vestido um fato-macaco azul; as letras cosidas nas costas diziam BOB SAND» (A Sangue Frio, Truman Capote. Tradução de Maria Isabel Braga. Lisboa: Livros do Brasil, s/d (1978?), p. 33). E, no original, lê-se isto: «Dick was wearing a blue jumper suit; lettering stitched across the back of it advertised Bob Sands’ Body Shop.» Pelo menos no Dicionário Inglês-Português da Porto Editora, «jumper suit» não consta. Ah, sim o original diz mais do que a tradução...
[Texto 3381]

Os que nos precederam

Esses são os clássicos

      «Ambos acreditavam», lê-se numa magnífica biografia que está agora no prelo, «que a genialidade só pode ser alcançada através do estudo daqueles que os precederam.»
[Texto 3380]

Tradução: «Lord Chancellor»

Sendo assim

      Lord Chancellor: para o Dicionário Inglês-Português da Porto Editora, é «o mais alto cargo da magistratura judicial inglesa». O problema, já o tenho escrito em relação a outros verbetes deste dicionário, é que isto não é um equivalente. Devemos então traduzir por «presidente da Câmara dos Lordes», «Lorde Chanceler» ou, como já tenho lido, «ministro da Justiça»? Claro que, ao usarmos alguma das duas primeiras, o leitor não saberá que o titular deste cargo é simultaneamente a mais alta autoridade judiciária no Reino Unido. É não, era: houve em 2007 uma alteração legislativa.
[Texto 3379]

Ortografia: «haltere»

Assim pesam menos

      «Sentado, parecia um homem de estatura acima do normal, forte, dotado de uns ombros, de uns braços, de um tronco maciço e desenvolvido de campeão de pesos e alteres — este desporto era, na verdade, a sua paixão» (A Sangue Frio, Truman Capote. Tradução de Maria Isabel Braga. Lisboa: Livros do Brasil, s/d (1978?), p. 25).
      É muito raro ver a palavra bem escrita: ou lhe falta, como é o caso, o h, ou, sobretudo se está no singular, o e final. Como se pode falhar em coisas tão simples? Como, Maria Isabel Braga?

[Texto 3378]

«Voluptuário/sumptuário»

Vamos recorrer

      «As juízas do Tribunal da Relação que analisaram o caso invocam os elevados montantes despendidos em “gastos totalmente voluptuários e despropositados (perfumes, charutos, aluguer de Porches [sic], refeições e vinhos de preços escandalosos)” para concluírem que, mesmo que tivessem sido devidamente autorizadas, essas autorizações “ofenderiam os bons costumes enquanto valoração do social e moralmente aceitável, tendo em conta a gravidade dos factos”» («Gastos “voluptuários” do maestro Graça Moura não foram desculpados», Ana Henriques, Público, 11.10.2013, p. 6).
      Voluptuário é o relativo à voluptuosidade, ao prazer — mas há prazeres gratuitos. Em iguais circunstâncias, costuma falar-se em gastos sumptuários, isto é, em que há grande luxo.
[Texto 3377]

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