Agulha é agulha

Qual vulgo

      «Segundo o jornal La Tribune, uma peça de metal dessoldada no aparelho de mudança de via (vulgo “agulha”) terá estado na origem do descarrilamento» («Falha numa agulha fez descarrilar comboio», Carlos Cipriano, Público, 14.07.2013, p. 29).
      Nada de «vulgo»: até nos glossários de termos ferroviários «agulha» é o termo que se usa. Naquele jornal francês, pode ler-se: «La SNCF, contactée par Le Parisien, évoque la piste d’un problème d’aiguillage.»
[Texto 3083]

Proficientíssimos tradutores

Muito me contam

      Nicolás Maduro, que acaba de assumir a presidência pro tempore (tomai lá latim) do Mercosul, recordou, vi no Bom Dia Portugal de hoje, que este caso (o de Snowden) de espionagem mundial «ha sacudido la conciencia pública de los EE.UU., del mundo entero y que plantea temas claves de la ética política del mundo que queremos construir». Na RTP, acharam que plantear se podia traduzir perfeitamente por «minar»: «e mina temas cruciais da ética política». Quem traduziu? Só pode ter sido um factótum, como esses seguranças que vemos nos serviços da Segurança Social, por exemplo.

[Texto 3082]

Nuremberga? Então Bamberga

Já agora, se não se importa

      «Na Francónia (região da Baviera de que fazem parte Nuremberga, Bayreuth e Bamberg) é normal encontrar pouca informação noutra língua que não seja o alemão» («Nuremberga, uma cidade a contas com o passado», Patrícia Carvalho, «Fugas»/Público, 13.07.2013, p. 7).
      Francónia Central (Mittelfranken, em alemão), melhor. E porque não escreveu a jornalista Bamberga, se escreveu Nuremberga? Não se percebe. Bamberga já no Vocabulário de Bluteau aparece registado.
      «Dessa mesma época ou nela principiadas, são, entre muitas outras, a catedral de Bamberga, que guarda uma estátua equestre de excelsa execução, embora influenciada pela escultura de Reims; a de Friburgo em Brisgóia, de frontaria copiosamente ornada com figuras de expressão germânica» (Obras de Ferreira de Castro, vol. 4. Porto: Lello & Irmão, 1979, p. 702).
[Texto 3081]

«Bebidas largas»?

Pôr: RIP

      «Como para a próxima terá de ficar também a experiência de colocar os pés na areia da praia artificial da cidade. Não tem espaço suficiente para se deitar ao sol, mas, durante oito semanas, pode sentar-se nos cadeirões e deixar que lhe sirvam bebidas largas. Procure-a junto ao rio» («Nuremberga, uma cidade a contas com o passado», Patrícia Carvalho, «Fugas»/Público, 13.07.2013, p. 5).
[Texto 3080]

Ortografia: «preto-e-branco»

E vê-se bem

      «Fotografias a preto e branco do tempo do centro histórico do pós-guerra mostram que da enorme estrutura [da Igreja de São Lourenço] apenas sobreviveu a fachada gótica com as suas duas torres» («Nuremberga, uma cidade a contas com o passado», Patrícia Carvalho, «Fugas»/Público, 13.07.2013, p. 5).
      No entanto, seja filme ou fotografia, a combinação do preto e do branco grafamo-la preto-e-branco.

[Texto 3079]


«Haveria de»

Mais avarias

      «No pós-guerra chegou a considerar-se a hipótese de não reconstruir a cidade, deixando-a como uma memória do horror da guerra. Nuremberga, contudo, haveria de ser reconstruída, embora se tenha optado por reabilitar apenas os edifícios mais emblemáticos» («Nuremberga, uma cidade a contas com o passado», Patrícia Carvalho, «Fugas»/Público, 13.07.2013, p. 5).
[Texto 3078]

O mundo da edição

Copiamos sempre o pior

      «Em Milão, 11 tradutores trabalharam sete dias por semana, até às oito da noite, num piso subterrâneo do edifício Mondadori, editora italiana. Todos os dias à entrada os tradutores entregavam os telemóveis e qualquer outro aparelho que lhes permitisse a comunicação com o exterior» («Tradutores de Inferno estiveram fechados para evitar fugas de informação», Catarina Moura, Público, 12.07.2013, p. 51).
      Já não chega a palavra dos tradutores, agora têm de ficar sequestrados. Mas cá já vão surgindo, aqui e ali, semelhantes comportamentos paranóicos, como, por exemplo, não facultarem a ninguém o PDF das obras com receio de pirataria. Puf...
[Texto 3077]

Exame de Português

As piores de sempre

      Mais de metade (38 785) dos alunos do 12.º ano (70 807) tiveram negativa no exame nacional de Português. Uma razia (sem metáfora). A média nacional foi de 8,9 valores, inferior à média do ano passado, que tinha sido a miséria de 9,5. A explicação (que também se transformará, a seu tempo, em desculpa) é que as perguntas de gramática deixaram de ser de escolha múltipla. A Latim também houve descida de nota. Dos pouco mais de cem alunos que fizeram a prova, 48 foram chumbados.
[Texto 3076]

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