«Sofás creme»

Está nas gramáticas

      «O mobiliário que decorava o átrio era Luís XV, ou imitava bem, com sofás cremes e cadeiras forradas a couro branco» (O Codex 632, José Rodrigues dos Santos. Lisboa: Gradiva, 2005, p. 115).
      A maioria dos nomes das cores são, como se sabe, adjectivos, que, é óbvio, se flexionam normalmente e concordam com os nomes que qualificam. Alguns, porém, são substantivos, e nesse caso não se flexionam. Logo, sofás [de cor] creme.
[Texto 1995]

Ortografia: «pôntico»

Está nos dicionários

      «Duas hipóteses principais têm competido entre si para explicar a origem das línguas indo-europeias. Uma delas coloca esse início há 6000 anos, nas estepes ponticas, junto ao Mar Negro, onde a Europa, a Anatólia e o Cáucaso convergem. A outra prefere o coração da Anatólia e faz remontar esse princípio há mais de 8000 mil anos. Os resultados do estudo realizado pela equipa de Remco Bouckaert, que são publicados hoje na revista Science, apoiam esta segunda hipótese» («A origem da(s) língua(s)», Filomena Naves, Diário de Notícias, 24.08.2012, p. 27).
      É pôntico que se escreve, relativo ao Ponto Euxino, que é o nome antigo do mar Negro.

[Texto 1994]

«Paralelepípedos/calçada»

Da última vez

      «O caminho escolhido incluía a saída da Baixa, a passagem pela Sé, o Miradouro da Graça, a Feira da Ladra, o Panteão Nacional, a Casa dos Bicos e regresso à Baixa – parte do percurso azul. Todas estas ruas têm duas coisas em comum: uma grande inclinação e a calçada portuguesa. E é esta última que proporciona uma bela massagem durante todo o trajeto» («Conhecer a Cidade das Sete Colinas ao sabor da ‘massagem lisboeta’», Ana Bela Ferreira, Diário de Notícias, 20.08.2012, p. 47).
      Ai sim? A última vez que passei por aqueles lados as ruas estavam calcetadas com paralelepípedos. Ainda se fosse na oralidade, compreendia-se: «Paralelepípedo, palavra má de pronunciar, palavra enrodilhada, já o povo a ia desbotando em “paralelo”... Pois que deixassem o povo! As leis da linguagem, ao menos, era ele quem as sabia: deixassem-no legislar» (Uma Noite na Toca do Lobo, 2.ª edição. Lisboa: Editorial Verbo, 1964, p. 75).
[Texto 1993]

«Paroquiano/diocesano»

Mais modestamente

      «O bispo de Viseu alerta os paroquianos da diocese para a inauguração de dois crematórios na região e para as regras da Igreja sobre este costume funerário. Ilídio Leandro sossega os fiéis ao lembrar que a Igreja Católica não proíbe esta prática, mas lembra que coloca alguns impedimentos ao culto do morto após a cremação» («Bispo acalma fiéis quanto à cremação», Helder Robalo, Diário de Notícias, 20.08.2012, p. 16).
      «Paroquianos da diocese»... Mas não temos o termo «diocesano»? Mas ele há coisas estranhas. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora afirma que diocesano é o «súbdito de uma diocese». Súbdito... Já paroquiano é, mais modestamente, para o mesmo dicionário, «que ou aquele que é habitante de uma paróquia».
[Texto 1992]

O desgraçadíssimo verbo «haver»

Fala uma médica

      Fala Ana França, directora clínica do Hospital Garcia de Orta, em declarações datadas de Março deste ano relembradas no Telejornal na passada segunda-feira: «Lamento sobretudo que desta situação tenham havido tantas complicações que podem ser inerentes à própria doente, mas que teve um factor desencadeante que não era da doente.»
[Texto 1991]

Léxico: «triquíni»

Quem diria

      «Em pleno verão, a socialite mostra que tem a sensualidade à flor da pele. A namorada de Kanye West posou para a câmara num exuberante triquíni que realça o seu bronzeado» («Kim Kardashian sensual de triquíni dourado», Diário de Notícias, 23.08.2012, p. 53).
      Não é que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista o termo?! «Vestuário feminino usado na praia ou na piscina, composto por duas peças (sutiã e slip) que estão unidas entre si por uma parte do conjunto».
[Texto 1990]

«Tribunal da magistratura»?

Como é?...

      Ora vejam esta: «O assassino do ex-líder da extrema-direita branca Eugène Terre’Blanche foi ontem condenado a prisão perpétua no tribunal da magistratura de Ventersdorp, Noroeste da África do Sul. Chris Mahlangu, que em 2010 matou Terre’Blanche na sua residência, nos arredores de Ventersdorp, com uma barra de ferro, trabalhava na fazenda da vítima e confessou o crime, que justificou com a falta de pagamento de salários e agressões sexuais» («Perpétua por morte de Blanche», Diário de Notícias, 23.08.2012, p. 26).
      «Tribunal da magistratura»? Sim, o Diário de Notícias não é o único jornal a traduzir desta forma, porque é disso que se trata, a denominação de língua inglesa, que é Circuit Court of the North West.

[Texto 1989]

Infinitivo

Mas relendo...

      «Avô e neta, que morreram durante um passeio pelo areal da praia do Salgado, na Nazaré, chamavam-se Lara Lewis e Brian O’Dwyer, de 5 e 66 anos, respetivamente, segundo o jornal The Guardian. Na página da Internet do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, os turistas ingleses são avisados para terem cuidado nas praias portuguesas e obedecer aos avisos dos nadadores-salvadores» («Londres diz aos turistas para terem cuidado», Joana de Belém, Diário de Notícias, 23.08.2012, p. 19).
       «São avisados para terem cuidado nas praias portuguesas e obedecer aos avisos»...
[Texto 1988]

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