Opiniões
No início do blogue, afirmei que nunca iria ocupar-me de gralhas, o que mantenho. Com milhares de erros e questões linguísticas problemáticas, não me parece que tenha jamais de descer tanto. O intróito serve para prevenir que, embora alguém repute como gralha o que a seguir transcrevo, não o considero tal.
«Vera Jardim, um militante histórico e um dos melhores ministros da Justiça que o País esteve, passa por ter uma “provecta idade” e, por isso, fazer opções “estranhas”» («O velho e o novo PS», Eduardo Dâmaso, Correio da Manhã, 17.08.2010, p. 2). Reparem que é o editorial, assinado pelo director adjunto.
Já conhecíamos o verbo *tar da oralidade, mas num texto jornalístico não é menos que imperdoável. Os «meios aéreos» (que não defendi, e muito menos a estulta quantificação que lemos e ouvimos todos os dias), comparados com isto, não são nada que mereça perdermos a cabeça. Confundir teve (pretérito perfeito do indicativo do verbo ter) com esteve (pretérito perfeito do indicativo do verbo estar) é que me parece gravíssimo. E pergunto-me, naturalmente, se também neste jornal os revisores são prevenidos para não bulirem muito com os textos das chefias e colunistas. Nada de explícito, formal, apenas um aviso sussurrado por um colega mais velho — e sem espinha dorsal.
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