Ainda ontem

Um erro valente

      «Agora, a mais de meio caminho, talvez seja a altura para falar das perplexidades que me trouxe o Euro 2012. Não que não tenha visto os jogos de Portugal com um relativo prazer e até com uma certa ansiedade; e não também que não se tenha já escrito centenas de páginas sobre o assunto» («Rir ou chorar?», Vasco Pulido Valente, Público, 23.06.2012, p. 56).
      É melhor chorar. Se até Vasco Pulido Valente já escreve assim, que nos resta nesta triste vida? Qual padre António Vieira... Pode ser o cunhado de Jorge de Sena a responder: «Com efeito, e em que pese a todas as Imitações de Cristo que se tenham escrito ou exemplarmente vivido, nem mesmo um crente católico pode considerar como sendo já definível um Modelo acabado (ou, em termos psicanalíticos, um Superego) daquela plenitude humana moral e estética acessível a qualquer pessoa, quando as próprias estruturas de relação social humana permanecem instáveis, sabe-se lá por quantos séculos ainda» (Entre Fialho e Nemésio, Óscar Lopes. Lisboa: INCM, 1987, p. 534).
[Texto 1724]
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