Ortografia: «periurbano»

Peri-, pref.

      O autor escreveu sempre, do princípio ao fim (mais de vinte vezes), «peri-urbano». Bastava ter consultado um dicionário: periurbano. Ou, pelo menos, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «relativo à zona vizinha de uma cidade; situado nessa zona». Rebelo Gonçalves, no seu Vocabulário da Língua Portuguesa, apenas regista, com o mesmo prefixo e o segundo elemento a começar pela vogal u, «periuterino».
[Texto 1979]

«Responsável de/por»

Decida o ouvido

      «Em estúdio estava o responsável máximo pelas cadeias», escreveu o autor. Já vimos, lembram-se bem, esta questão. Vendo bem, até me soa melhor «responsável máximo de».
      «Assim, Said Benselama, aliás Bencherif, ficou mesmo para a História e a Justiça como o responsável máximo da criminosa operação» (Jaime Bunda, Agente Secreto, Pepetela. Revisão de João Pedro George. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2006, 8.ª ed., p. 332).
[Texto 1978]

«Queijo da ilha/Ilha»

Sabe sempre bem, contudo

      José Leite de Vasconcelos escreveu «queijo da ilha»; Orlando Ribeiro, «queijo da Ilha». Por antonomásia? A ilha é São Jorge, nos Açores. Leite de Vasconcelos também escreveu que era «conhecido em Lisboa» por queijo da ilha. Aqui, «Lisboa» também estará por «continente»?
[Texto 1977]

«Lava-tudo»?

Bem...

      Se em tira-nódoas temos uma claríssima noção de unidade semântica, lexicalizada, não se poderá dizer o mesmo de lava tudo? Mas talvez não...
[Texto 1976]

Género de «pitão»

Erro recorrente

      «No início dos anos 1970, os habitantes de Miami, na Florida, convenceram-se de que era muito cool ter uma pitão birmanesa em casa. Só que elas crescem...» («Maior pitão da Florida com 5,35 metros», Filomena Naves, Diário de Notícias, 15.08.2012, p. 27). 
      Já vimos mais de uma vez que «pitão» (ou píton), a serpente constritora, é do género masculino. Nem é preciso ser especialista em herpetologia — basta consultar um dicionário. Rebelo Gonçalves, na página 797 do seu Vocabulário da Língua Portuguesa, regista: «pitão, s. m.: género de répteis.» Aliás, seja qual for a acepção, é sempre do género masculino.
      Mas a jornalista continua: «Hoje haverá entre dezenas de milhar e centenas de milhar naquela região — ninguém sabe muito bem.»
[Texto 1975]

É do género masculino

Que droga

      «A jovem chegou, passo apressado, para a visita de sábado de manhã. Era mais uma oportunidade para ver o namorado, detido em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional Regional de Leiria, indiciado pelos crimes de tráfico de droga e furto. Combinado previamente ou não, facto é que a mulher de 27 anos levava uma “prenda” para o companheiro: umas gramas de heroína dissimuladas nas cuecas. [...] Eram poucas gramas, não dava para o juiz ser mais duro» («De visita ao namorado com droga nas cuecas», Rute Coelho, Diário de Notícias, 15.08.2012, p. 19).
      Rebelo Gonçalves, na página 506 do seu Vocabulário da Língua Portuguesa: «grama (â), s. m.: peso. Corrente, mas inexacto, o género feminino.»

[Texto 1974]

Assim se exprimem

É o que temos

      «“Fazer novela.” “Ver novela.” “Produzir novela.” A gíria televisiva portuguesa acaba de ser injetada com expressões deste género: as telenovelas referidas no singular, sem artigo a precedê-las e desprovidas do prefixo “tele”. Produtores, atores, jornalistas — é um país inteiro, de repente, a falar à maneira brasileira. Eu ia dizer “a falar brasileiro”, mas travei-me a tempo: de facto, não é uma voragem sintática transatlântica, o que aqui está em causa — nem sequer os esperados primeiros sinais da definitiva brasileirização da língua portuguesa por via da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990. É só mais um sinal de facilitismo, com a conivência dos jornais. É pena» («Um universo em mudança», Joel Neto, Diário de Notícias, 15.08.2012, p. 48).
[Texto 1973]

Como se fala na televisão

Directamente da Festa do Pontal

      Repórter Anselmo Crespo, no Jornal da Noite da SIC: «Não, Miguel Relvas não quer de todo falar com os jornalistas, sobretudo depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter sugerido esta semana que Pedro Passos Coelho deveria remodelá-lo numa eventual remodelação a fazer no futuro.» Remodelar, nesta particular acepção, é dar nova organização a, reestruturar. Estão a ver o demiurgo Passos Coelho a fazer isso a Relvas? Relvas, remodelado, só noutra encarnação.
[Texto 1972]

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