Como se escreve nos jornais
5.3.11
De calças curtas
«[Umberto Eco] Confirma com o interlocutor qual é a língua em que se vai falar. A resposta é o francês, que, aliás, tinha sido solicitado via agente anteriormente. De vez em quando, colocar-se-ão algumas palavras britânicas pelo meio, quando falta a expressão gaulesa exacta» («O terrorista intelectual», João Céu e Silva, «DN Gente»/Diário de Notícias, 5.03.2001, p. 2).
«Via agente», «palavras britânicas», «expressão gaulesa»... E «colocar», meu Deus...
E mais: «Ele é piemontês porque eu precisava de o pôr numa época histórica. Seria incapaz de me enfiar nas calças de um estrangeiro, enquanto nas de um piemontês isso é-me muito mais fácil.»
[Post 4525]
edit
2 comentários:
Acho que o artigo não se devia chamar «O terrorista intelectual» mas «O terrorista intelectual entrevistado pelo terrorista linguístico».
Estamos no séc. XXI, não sei como vai ser... Mas, no que o pariu, esse título seria pleonástico: «intelectual» foi quase sempre sinónimo de «terrorista». Por isso, o grande Nelson (refiro-me desta vez ao Rodrigues), se lhe chamassem intelectual, saía a respostada: «Intelectual, eu?! Intelectual é você!»
— Mont.
Enviar um comentário