Organização e género

A mesma conclusão


      O Wikileaks? A Wikileaks? Já tinha pensado nisto. Leiam o que Fernanda Câncio escreveu sobre a questão no Diário de Notícias: «A semana passada mencionei a palavra Wikileaks. Usei o feminino — pensava numa organização, numa fonte — mas quem reviu o texto alterou o género para masculino, presumo que para denominar o site. Ora o sucedido não só demonstra como se formata o discurso (e portanto a percepção) sem se admitir que, como é o caso, não sabemos bem do que estamos a falar, como está longe de ser um detalhe. Quando consideramos que Wikileaks é um site, assumimos que se trata de uma espécie de plataforma de recepção de conteúdos, um lugar sem, digamos, espessura; falar de Wikileaks como organização é designar uma estrutura, um conjunto de pessoas com história, hierarquia, perspectiva, propósitos e financiamento — que importa identificar e escrutinar. Do nosso entendimento do que é isso de Wikileaks depende pois, em português, o “sexo” que lhe conferimos» («O sexo dos wikileaks», Fernanda Câncio, Diário de Notícias, 24.12.2010, p. 7).

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4 comentários:

Anónimo disse...

A discussão do sexo do ou da Wikileaks a substituir a do sexo dos anjos parece-me um bom achado e com muito futuro.
- Montexto

Marco Lima disse...

Concordo com o anónimo da segunda mensagem; a questão não é de somenos. A minha norma, que é apenas minha e não tem qualquer base em nada senão nos meus gostos, é a seguinte: quando se trata de um site ou serviço, uso o masculino; quando se trata de uma empresa ou entidade, o feminino.

Assim, por exemplo, "o" Google é o meu motor de busca, mas "a" Google é a empresa de que eu gostaria de ter comprado acções há dez anos...

Por esta norma, eu diria "o" Wikileaks. Mas estou aberto a outras opiniões mais fundamentadas...

Anónimo disse...

A Wikileaks está sendo tratada no gênero feminino no texto reservado a ela na Wikipédia.

Anónimo disse...

Há sempre alguém que consegue ver claro. Mais uma vez: nem tudo está perdido.
- Montexto

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