«Demais/de mais»

Agora é que é


      «Afinal não é ainda tarde demais para os ursos-polares. Esta é a boa notícia de hoje na Nature, que faz capa do tema a partir de um artigo de cientistas dos Estados Unidos e do Canadá. O seu estudo indica que, se as emissões de gases com efeito de estufa forem reduzidas nas próximas duas décadas, as grandes extensões de gelo do Pólo Norte, que são o habitat destes animais, têm grandes hipóteses de não desaparecer do mapa» («Ainda há tempo para salvar os ursos-polares», Filomena Naves, Diário de Notícias, 16.12.2010, p. 30).
      E como escreveriam, na frase acima, os meus leitores: demais ou de mais? Por demais explorada e mastigada, é ainda assim uma questão gramatical que importa rememorar.

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3 comentários:

Helder Guégués disse...

Também concordo com a explanação de Regina Rocha, e até acho que devia ser consagrada, como doutrina (o que agora, apesar dos ares que se dá, não é), numa reforma ortográfica. A confusão, que já vem de longe, é completa, e todos perdemos com isso. Entretanto, concluo como Montexto: «quem seguir a lição de Regina Rocha fará bem, e quem não a seguir não fará mal». Chamo a atenção para o facto de já aqui me ter ocupado desta questão gramatical, sobretudo com o fito de abalar os alicerces do actual fundamentalismo que manda usar de mais como sinónimo de «demasiado» e demais como sinónimo de «outras, outros; restantes».

Anónimo disse...

E agora outro mais próximo:
«- Mas você não gosta de estar aqui?
- Ná. Aqui faz frio, não vê? O povo aqui vive afobado de mais» (Alçada Baptista, «O Tempo nas Palavras», Presença, 2000, p. 32, «Da "Aculturação"», etc., crónica de 28.III.1972.
- Montexto

Anónimo disse...

«Incompreendido» - e desatento à grafia das palavras, pelos vistos.
- Montexto

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