Como se fala na televisão

Coitados de nós


      Um dos convidados de ontem do programa Prós e Contras foi o escritor José Luís Peixoto. Uma das frases que lhe ouvi: «Eu tive oportunidade de publicar recentemente um romance em que acabei por, ao escrevê-lo, por me debruçar sobre a questão da emigração portuguesa, nesse caso, especificamente, para França, e ter oportunidade de perceber que se tratam de pessoas que construíram dois países, de certa forma, com o que fizeram.» Fátima Campos Ferreira quis ainda saber se o escritor achava que somos um povo resignado. «Eu penso que nos querem resignar», respondeu, violentando a gramática, o autor do Livro. Esgotada a gramática e a inspiração com este convidado, Fátima Campos Ferreira virou-se para Salvador Mendes de Almeida, e perguntou: «O que é que denota hoje, que sinais vê na sociedade?»
      Não me perguntem mais nada, pois fui-me deitar com esta frase (salvo seja).

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3 comentários:

Anónimo disse...

Referia-me precisamente ao "que nos querem resignar", pois foi ali que o Helder mencionou a "violação à gramática". Nunca ao "se tratam de", por favor.

Venâncio disse...

O cenário de terror, meus caros, é que, daqui a 20, no máximo 50 anos, "tratam-se de pessoas" será gramatical. Tal como "haviam homens que...".

Aproveitemos o presente instante de felicidade.

Anónimo disse...

Os erros podem acontecer a qualquer um, não se nega isso. Já aqui vimos comentos com deslizes, cujos autores por vezes se corrigem logo após, sendo-lhes impossível editá-los. E podem ocorrer especialmente quando se escreve sob pressão de prazo exíguo, etc. Mas é para isso que servem os revisores; ou deveriam servir. E é contra eles, quase sempre, assim penso, que o Helder destina sua crítica mais ferina. Para os revisores ou para a falta deles, em empresas que não poderiam prescindir de seus serviços.
E também há a crítica para com os jornalistas que inventam moda e recorrem a estrangeirismos desnecessários - esses, sim, condenáveis com ou sem revisores.
No seu próprio comento, caro R.A., você escreve "não me saltou há vista". Erro proposital?

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