Unidades de medida

Têm alternativa

      «O norte-americano David Blaine planeia ficar durante 72 horas de pé, numa plataforma de seis metros de altura, sem comida, e ainda por cima no meio de uma tempestade de relâmpagos artificiais que têm uma potência de um milhão de volts. ‘Electrified: One Million Volts Always On’ é o nome do número de Blaine, que começou na sexta-feira, em Nova Iorque. E, se tudo correr bem, ele ficará assim até ao final do dia de hoje. O ilusionista, de 39 anos, é conhecido por protagonizar truques arriscados em que testa os limites do corpo. Para ficar no meio desta “tempestade elétrica”, Blaine usa um fato de malha metálica, que o impede de levar um choque, tem um sistema de ventilação para respirar e um capacete com um visor especial que o protege da radiação ultravioleta» («72 horas de pé, sob tempestade elétrica», Diário de Notícias, 7.10.2012, p. 42).
      As unidades de medida grafadas em itálico? Hum, não é preciso. E porque não escrevem «vóltio»? «Demasiado rebuscado», li algures. Não me digam. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, no verbete «vóltio», remete para «volt».
[Texto 2181]

Mindanau

Ah, lembraram-se

      «O Governo das Filipinas e os rebeldes da Frente de Libertação Islâmica Moro chegaram ontem a um acordo preliminar de paz, que poderá pôr fim a quatro décadas de conflito. Segundo o acordado, o maior grupo separatista muçulmano renuncia à ideia de independência de Mindanau, em troca de autonomia. Os pormenores têm ainda que ser estabelecidos e sujeitos a referendo, temendo-se que o acordo possa acabar como outros no passado: em nada» («Um acordo de paz nas Filipinas para pôr fim a 40 anos de conflito», Susana Salvador, Diário de Notícias, 8.10.2012, p. 24).
[Texto 2180]

Como se escreve nos jornais

Mil descuidos

      «D. Carlos I – que foi assassinado na Praça do Comércio a 1 de fevereiro de 1908, tal como o príncipe D. Luís Filipe – era um amante das prospeções marítimas na Arrábida, chegando aqui a passar longas temporadas, mesmo contra a oposição da Corte, que estava instalada em Cascais» («Aposentos reais abandonados e a saque em forte de Setúbal», Roberto Dores, Diário de Notícias, 8.10.2012, p. 20).
      Nada de especial, talvez, mas demonstra, mais uma vez, como não há qualquer espécie de revisão neste jornal.
[Texto 2179]

Segundo o AOLP90

Já não é assim

      «O grupo parlamentar de Os Verdes questionou o Governo sobre a eventual destruição de dunas em Tróia para criar um novo acesso à praia, revelou ontem o partido. José Luís Ferreira disse ter alguns dados sobre conversações “para tornar a zona urbanizada da Soltróia num condomínio de acesso e uso privado”» («Verdes questionam Governo sobre Tróia», Diário de Notícias, 8.10.2012, p. 12).
      Com a adopção do Acordo Ortográfico de 1990, o topónimo Tróia (e o nome comum «tróia», nome de um antigo jogo que simulava um combate) perde o acento agudo, passando a Troia.
[Texto 2178]

Citem-na, pois

O que vale a Wikipédia

      «Para encontrar dados que antes requeriam horas, hoje está-se à distância de um clique e da Wikipédia. Tempos novos, que precisam de novas cautelas, mas de saberes globais e levezinhos. Ontem, o Times prestou com ironia uma homenagem a essa sabedoria instantânea. Em editorial, o diário londrino escreveu sobre o casamento de Jimmy Wales, o fundador da Wikipédia. O casamento foi ontem, com uma antiga colaboradora de Tony Blair, Kate Garvey. Eles conheceram-se em Davos e Wales terá pedido a um subordinado: “Arranja-me o telefone dela, e não vás à Wikipédia, tem de ser um dado exacto.” Noutra página, o Times volta ao casamento. Entre os 23 milhões de artigos da enciclopédia livre na Net (publicados em 285 línguas), o jornal desencantou o texto dedicado ao próprio Jimmy Wales. Na edição inglesa, o patrão da Wikipédia é dado como indo casar-se “no próximo verão.” Casou-se ontem, em pleno outono. E com outro clique eu fui à edição portuguesa e li que “Wales vive em Sampetersburgo (Florida) com sua esposa Christine e sua filha, Kira”... O Times diz que nas suas memórias o antigo primeiro-ministro Blair elogia muito a noiva de ontem. Quando da zanga pública entre Blair e Gordon Brown, Kate Garvey deu-lhe o melhor dos conselhos: que frente aos jornalistas ele comprasse dois sorvetes e oferecesse um a Gordon. Com um só casamento, ontem o Times expôs-nos o enxoval de meias mentiras com que somos diariamente servidos» («Saberes globais e levezinhos», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 7.10.2012, p. 48).
[Texto 2177]

Voz da coruja

Mais específico

      O autor pôs uma coruja a cantarolar. E até podia tê-la posto a trautear o hino, mas a voz da coruja é outra: a coruja chirria.
[Texto 2176]

Léxico: «cagarrão»

Nunca a viram

      «De ladrão não passas para toda a gente... e qualguer [sic] coisa que haja por aqui, já sabes: metem-te no cagarrão» (A Barca dos Sete Lemes, Alves Redol. Lisboa: Publicações Europa-América, 1986, p. 250).
      Se apenas consultarmos o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, não ficaremos a saber que cagarrão significa prisão.
[Texto 2175]

Cuidados editoriais

Ligatura

      É raríssimo ver semelhante cuidado: nas provas, logo no primeiro título corrente, uma indicação para o paginador: «Ligatura. MUDAR TODOS.» Sim, o traço, na escrita, que une uma letra a outra, em certos caracteres. No caso, entre o f e o i. Fim.
[Texto 2174]

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