Léxico: «acolar e encolar»

Pobres dicionários

      «Acolar. — Usa-se nas Beiras, com o mesmo sentido de encolar. Acolar uma criança é pegar nela ao colo, ou trazê-la ao colo. Alguns dicionários, justamente considerados modernos e copiosos, não trazem a forma acolar» (Glossário de Incertezas, Novidades, Curiosidades da Lingua Portuguesa e também de Atrocidades da Nossa Escrita Actual, Agostinho de Campos. Lisboa: Livraria Bertrand, [1938], 2.ª ed., p. 32). É o caso do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que só regista «encolar» nesta acepção. E na versão digital nem sequer têm a desculpa da falta de espaço.
[Texto 2173]

Sinónimos, essa riqueza

É usá-los

      Podemos escrever solho, ou soalho, ou assoalho. São os três sinónimos. Podemos escrever cuspe ou cuspo. Como podemos escrever vergasta ou verdasca. Gole ou golo. São milhares. A grande riqueza de sinónimos é um tesouro da nossa língua que não podemos desperdiçar.
[Texto 2172]

«Babygrow» ou «babygro»?

Do inglês?

      E a propósito de palavras estrangeiras... será babygro ou babygrow? Numa revisão, acabo de ver babygrow, como já vi várias vezes. «Babygro», regista o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. «Fato de bebé, constituído por uma peça única, geralmente feito de tecido extensível». E, como étimo, isto: «Do inglês Babygro®, “idem”». Discordo: se é uma marca registada, não é do inglês, nem do malaio, nem do francês. Começou por ser uma marca registada, na década de 1950, por Walter Artzt, norte-americano. Depois, como muitas vezes sucede, a palavra, num processo de derivação imprópria, tornou-se comum.
[Texto 2168]

Prefixo «anti-»

Há sete anos a dizer o mesmo

      «O ‘Cerco ao Congresso’ – que concentrou os participantes de manifestações anti-austeridade partidos de vários pontos da cidade – estava marcado para as 18.00 (17.00 em Lisboa), mas a essa hora ainda eram poucas as pessoas que se concentravam na praça de Neptuno, levando a crer que a manifestação poderia decorrer pacificamente» («‘Cerco ao Congresso’ provoca caos em Madrid», Catarina Reis da Fonseca, Diário de Notícias, 26.09.2012, p. 23).
      Este erro não é cíclico: é continuado, permanente. Estatui o Acordo Ortográfico de 1990 que não se emprega o hífen «nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente, prática esta em geral já adotada também para os termos técnicos e científicos». Logo, antiausteridade.
[Texto 2147]

Léxico: «vintil»

Ora, parece-me que sim

      Se o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora acolhe o termo «centil» — aliás muito mal explicado: «denominam-se decis 0, 1, 2, ... 10 os valores da variável estatística, tais que 0%, 10%, 20% ... 100% das observações lhe são inferiores» —, não devia acolher também o termo «vintil»? O mais próximo que regista, porém, é «vinil»...
[Texto 2099]

Sobre «saibro»

É difícil explicar...

      «Foi durante a remoção de quatro altares barrocos da capela de Santa Comba, em Baião, que se descobriu um verdadeiro tesouro: uma pintura do final do século XV numa delicada película sobre o saibro da parede» («Pintura mural de valor incalculável achada em capela», Ana Carla Rosário, Jornal de Notícias, 17.09.2012, p. 22).
      Parece-me, a avaliar pela amostra de meia dúzia que consultei, que os dicionários não se põem inteiramente de acordo sobre o que é saibro.
[Texto 2098]

Gerúndio

Viajando no Alentejo

      Anteontem, ao passar na serra do Cercal, no Alentejo, viam-se muitos trabalhadores à beira da estrada e um sinal em que se podia ler: «Máquinas pintando». E lá vi, alguns quilómetros mais adiante, máquinas pintando.
[Texto 2097]

Léxico: «Queruscos»

Vão desaparecendo

      Se alguém quiser saber o que significa Queruscos (acabei de ler numa obra que estou a rever), vai ter de recorrer a uma enciclopédia. Se não tiver acesso à internet, claro. Os dicionários gerais da língua não o registam. Na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira: «Antigo povo da Germânia» (Vol. 24, p. 15).

[Texto 2096]

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