Da importância das marginálias

E vamos tentando

      «Apesar de não ser muito usado, este volume [dos Lusíadas, depositado no Harry Ransom Center (HRC)] pode ser de extrema valia para várias áreas de investigação. Afinal, como diz o historiador inglês Peter Burke, professor emérito em Cambridge, as marginálias funcionam como uma “evidência da recepção daquilo que o autor emite ao leitor.” Marginálias dos séculos XV e XVI são entendidas, por alguns investigadores, como a primeira forma de hipertexto, de narrativa não linear. Peter Burke defende que as marginálias expressam o que o leitor considera importante, aprova ou desaprova numa leitura» («Camões no Texas», Cláudia Silva, Público, 27.11.2013, p. 33).
      É melhor continuarmos a fazer anotações nas margens dos livros que lemos, e quem sabe se a História não nos lembra daqui a uns séculos, como aconteceu com frei Joseph Índio, carmelita descalço que pode ter assistido Camões no leito de morte e que terá ficado com o exemplar dos Lusíadas que pertencia ao poeta. Claro que também se pode, não da mesma forma decerto, anotar um livro electrónico, mas não é o mesmo. Eu, por exemplo, que leio centenas de textos em PDF, não sou capaz de ler um livro electrónico. Começo, mas desisto. Quero interessar-me, mas desinteresso-me. A última vez foi com o Colecionador de Erva, de Francisco José Viegas. Tive de comprar um exemplar físico, de papel. Talvez me esteja a fazer falta um Kindle.
[Texto 3593]
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