«Alta Provença»

Mas as palavras perduram

      Aqui o nosso tradutor acha bem que o topónimo Haute-Provence fique por traduzir, talvez pense mesmo que nunca ninguém em centenas de anos da língua portuguesa se lembrou de o afeiçoar à nossa língua.
      «Só os olhos de ambos se devoravam, numa tensão tão violenta que ambos gritaram, por fim, nem sabiam já se de prazer ou dor, e ele caiu, prostrado, sobre o peito dela e assim ficaram, ainda abraçados, Manuel quase a adormecer, ela entoando, num sussurro, como a embalá-lo, uma velha canção dos pastores da Alta Provença, de uma tão bela e inquietante placidez que dir-se-ia brotar-lhe, estranha à sua natureza crispada, dos longes da retentiva, senão de uma memória anterior» (Exílio Perturbado, Urbano Tavares Rodrigues. Lisboa: Publicações Europa-América, 1982, p. 98).
[Texto 3211]
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