«Esquirro»?

Daí as aspas

      «No exílio desde 1815, nesta pequena ilha vulcânica no meio do Atlântico Sul que é Santa Helena, o imperador, que se queixava frequentemente de dores no aparelho digestivo, vivia obcecado com a hipótese de um mal de família. O seu pai morrera com menos de 40 anos, vítima de um “esquirro” (um tumor) do piloro» («Napoleão. Os mistérios de um tumor imperial», Sandrine Cabut, Público, 27.08.2013, p. 26).
      O que não sabemos é se as aspas são da jornalista francesa, se, mais provavelmente, são do tradutor português. No original estará squirre ou squirrhe. E é isso: um tumor duro, de tecido fibroso, renitente. Vem do grego através do latim. Nos dicionários gerais, não o encontro. Comecei a suspeitar que a ortografia em português seria «escirro», que não encontrei, mas apenas cirro: «tumor maligno, de consistência muito dura à palpação». E lembrei-me, era inevitável, de «cirrose». Portanto, se existisse seria «escirro». Embora, ao longo do tempo («no plano diacrónico», diriam os da glote, como Montexto gosta de lhes chamar), na língua francesa, tenha passado de schirre para squirrhe, só esta se usa, e em castelhano, por exemplo, só está dicionarizado «escirro».
[Texto 3243]
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