Como se escreve nos jornais

Eles pensam que bem

      «Em Portugal, no plano económico, político e filosófico, evidenciou-se como figura tutelar da direita liberal, influenciando uma geração focada nas virtualidades do mercado livre. Foi o caso de Carlos Moedas, secretário de Estado adjunto de Passos Coelho, que entrou para a Goldman Sachs (GS), como “júnior”, quando Borges já era vice-presidente em Londres: “É o homem que conheci com maior sabedoria, no sentido da palavra sabedoria. Quando alguma coisa me falhava, procurava-o e ele explicava coisas complexas com palavras simples. Por isso é que um grupo de jovens e de pessoas de idade abaixo da dele o admiravam tanto”» («Um liberal que agiu sempre em coerência», Cristina Ferreira, Público, 26.08.2013, p. 2).
       «Geração focada»... Pois. O «júnior» merecia mais do que as aspas: é um anglicismo semântico, junior — «lower in standing or rank». E agora, lapso ou convicção do secretário de Estado ou da jornalista — «sabedoria, no sentido da palavra sabedoria». Fiquem a pensar se isto tem algum sentido.

[Texto 3235]
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