Tradução: «à l’abri de»

Evite-se a cópia

      «Que êxito, quando (muitas vezes graças a uma hábil dissimulação) eu me sentia ao abrigo de toda a curiosidade» (Silbermann, Jacques de Lacretelle. Tradução de Ersílio Cardoso. Lisboa: Edição Livros do Brasil, «Colecção Miniatura», s/d, p. 15).
      Tem a desculpa, acho eu, de estar a traduzir do francês, no qual se lê: «Quel succès, lorsque (souvent grâce à une habile dissimulation) je me sentais à l’abri de toute curiosité!» Sem o galicismo e dislate anfibológico da locução prepositiva, como disse Mário Barreto, seria protegido contra, protegido de.
      Vasco Botelho de Amaral no Grande Dicionário de Dificuldades e Subtilezas do Idioma Português (Lisboa: Centro Internacional de Línguas, 1958, p. 17): «Abrigo. Evite-se a cópia do francês à l’abri de. Em vez de “ao abrigo dessa disposição”, por exemplo, dir-se-á: graças a essa disposição, por meio dessa disposição. (D. D.). Aliás, ao abrigo da lei (e ditos semelhantes) veio do italiano, por via francesa. A dição está muito vulgarizada.»
[Texto 2650]
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