Sobre «pedofilia»

Tome um lenço, vá

      Por vezes, ouço o Jogo da Língua, na Antena 1, ultimamente com a participação de Sandra Duarte Tavares, professora de Língua Portuguesa no Instituto Superior de Educação e Ciências (ISEC) e consultora do Ciberdúvidas. Dirigido ao ouvinte comum, com escassos conhecimentos linguísticos, umas vezes com erros, quase sempre com inanidades, o programinha lá vai dando a conhecer um pouco melhor a língua. A emissão de hoje era sobre o elemento de composição filo-. «Vou falar só… vou terminar, fazer um remate com uma palavra que eu detesto, e que possivelmente a maiori… toda a gente detesta, que é o substantivo “pedofilia” ou “pedófilo”, são ambos substantivos, e que o seu… cujo significado original era “amigo da criança”. [...] Convém esclarecer também, acerca desta palavra, que nós não gostamos.»
      Tanta emoção e tanta confusão... Pois eu gosto das palavras «pedofilia» e «pedófilo», são eruditismos que honram a matriz da língua.

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3 comentários:

Anónimo disse...

Isso sempre me lembra aquelas perguntinhas de questionários, em geral feitos por e para adolescentes, sobre qual a "palavra preferida" das pessoas. Não são poucos os que dizem amor, saudade, paz e pieguices quejandas, justamente como disse o Montexto. Depois ainda me acham psicopata se lhes digo "têmpora" ou outra esdrúxula sonora aleatória.

Paulo Araujo disse...

A especialização de sentido nessa palavra foi, de fato, uma pena; para o sentido 'moderno' de pedofilia poderiam ter escolhido 'pedomania', por analogia a 'erotomania'.

Paulo Araujo disse...

Ao último Anónimo:
Sua questão é bem interessante; descobri no Aurélio uma abonação (Manuel Bandeira) que indica seu uso associado a pessoa:
"inane[Do lat. inane.] Adjetivo de dois gêneros. 1. Vazio, oco: “As características dominantes em vários desses professores eram a palavra copiosa, .... o intumescimento inane da ideia” (Homero Pires, Junqueira Freire, p. 192).2. Fútil, frívolo, vão.3. P. us. Inanido: “Um dia a Virgem desconhecida / Da velha torre quadrangular / Morreu inane, desfalecida” (Manuel Bandeira, Estrela da Vida Inteira, pp. 70-71)."
Na acepção não pessoal, lembro do famoso soneto de Olavo Bilac, "Inania verba"; era seu costume criar os títulos em latim.

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