Como se escreve nos jornais

Estamos bem, estamos

      «“Há ali muitas mulheres solteiras e sozinhas, rodeadas de homens atraentes. Eles exercitam, são giros e criminais, o que é também apelativo”, disse Yolanda [Dickinson], que publicou agora um livro sobre estas histórias, intitulado Taboo» («Ex-guarda relata noites de sexo na prisão», Carla Bernardino, Diário de Notícias, 15.04.2011, p. 58).
      E porque não completamente em inglês? «They’re working out. They’re attractive...They’re criminals, so they have a cunning way of approaching you.»

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5 comentários:

Anónimo disse...

Grande descoberta, caro Bic. Essa ainda não me tinha vindo parar à mão. Toca a lê-la de fio a pavio.
— Montexto

Paulo Araujo disse...

Não conhecia o trabalho de Leite de Vasconcellos, mas sei das críticas que moveu Afonso de Taunay a Cândido de Figueiredo, muito bem documentadas por Gladstone Chaves de Melo, em seu livreto, 'Dicionários portugueses'. Sei das suas deficiências quanto à gramática, mas o dicionário dele teve admiradores, entre os quais Rui Barbosa.
Citei-o apenas para ilustrar a entrada de 'esnobe' na língua portuguesa, como hoje grafamos no Brasil. Não há língua sem empréstimos.

Paulo Araujo disse...

Apenas para ilustrar, dada a minha preferência pelos assuntos sobre o léxico, neste blogue, quando Figueiredo lançou seu dicionário (1899), em contraposição ao Aulete (1881), estes eram os mais modernos da língua, mas o de Figueiredo, inicialmente, acabou conquistando adeptos no Brasil pela grande quantidade de brasileirismos que continha - copiados ipsis litteris do "Diccionario de Vocabulos Brazileiros" (Beaurepaire-Rohan, 1889) e do "Vocabulário Brazileiro" (Rubim, 1852) -, e ainda hoje (por enquanto) datando-os no Houaiss com a sigla CF¹. Quando o Aulete emigrou para o Brasil (1958) conquistou a hegemonia, mantida até o surgimento do Aurélio. Sem querer parecer um que se julgue nobre, mas que é apenas um 'sine nobilitate'.

Bic Laranja disse...

Não é comum porque não consta no Priberam?!
Pois se logo de entrada ele dá o plebeísmo «o que tem diarreia»! Ponha esta acepção em sentido figurado que é o que faz o povo. O que o povo tem é ser povo, não frequenta salões.
Já agora note que o sentido figurado apresentado (medroso), esse sim, parece-me bem menos (ou nada) certo para «cagão»; certo será, sim, para «cagarola» ou para «cagado». Procure estes dois, mas desde já lhe digo que se o primeiro o há-de encontrar estranhamente com sentido de «poltrão» (o Lello Ilustrado de 1976 dá-o apenas e só no sentido de «medroso»), o segundo de certeza que a não encontra como substantivo ou adjectivo sinónimos de «medroso». Só que ele existe. Entenda, há mais linguagem além da sua, da minha, ou do Priberam.
Quanto a chamar snob à freguesia do «Assim Mesmo», bom... Vossemecê é que diz que frequenta salões.

Anónimo disse...

Ora acabei de ler as tais Lições de Linguagem do Sr. Cândido de Figueiredo, de José Leite de Vasconcelos, que de teorias de linguagem sabia mais que o criticado, que por sua vez escrevia melhor que o seu crítico.
E pelo menos uma das bordoadas não foi merecida, a vibrada no n.º 14:
«Como um jornal escrevesse “As ‘Novidades’ vem há dias aconselhando”, objectou o nosso A. com isto: “‘Vem aconselhando’ não é da nossa língua”.
Mas em Bernardes, que é clássico de polpa, acho eu: “e vinha com o Emperador entrando para Roma”. — E mais exemplos eu podia citar.»
E eu não duvido de que pudesse citar mais e até muitos mais exemplos, caro mestre, mas exemplos como o de Bernardes, não como o do jornal, os quais, embora parecidos, são exemplos distintos, e não se devem confundir.
Caso já tocado por V. Botelho de Amaral, se bem me lembro.
— Montexto

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