23.7.26
Esta agora...
[Texto 23 335]
Esta agora...
[Texto 23 335]
Um fantasma informado
«No mac-adam gasto e revolvido, rugosidades de lama cinzenta faziam hieroglyphicos interminaveis, gastos por vezes na profundeza dos sulcos dos carros e no remoinho de pégadas dos vendilhões descalços» («A Ruiva», in Contos, Fialho de Almeida. Porto e Braga: Ernesto Chardron Editor, 1881, p. 63).
Porto Editora, isto é Fialho a dizer, de além-túmulo, que hieroglífico não é apenas adjectivo. Ainda que agora desusado, já foi assim, e são vários os dicionários e vocabulários que não o esquecem.
[Texto 23 334]
Até que enfim uma boa notícia
«“O exossatélite é claramente massivo o suficiente para ser um planeta, mas não orbita uma estrela [como os planetas], embora orbite um objeto que, por sua vez, orbita uma estrela. O facto de se encontrar no terceiro nível neste sistema [estelar] leva-nos a querer identificá-lo como uma lua, mesmo que não se pareça em nada com as pequenas luas rochosas que vemos no Sistema Solar”, afirmou, citado em comunicado do OES, o autor principal do estudo, Kevin Hoy, da Universidade Diego Portales, no Chile» («Astrofísicos descobrem possível primeira “lua” fora do Sistema Solar», Rádio Renascença, 22.07.2026, 19h37).
Tudo visto e ponderado, proponho ➠ exossatélite ASTRONOMIA satélite natural que orbita um corpo celeste não estelar situado fora do Sistema Solar.
[Texto 23 333]
Não apostes que perdes
[Texto 23 332]
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P. S.: A evolução da terminologia não coincide necessariamente com a evolução tecnológica. Há máquinas antigas com mecanismos hoje designados por laçadeiras e máquinas modernas em que continua a usar-se lançadeira.
Mais babuge
[Texto 23 331]
É dos nervos
[Texto 23 330]
Afinal, são mesmo três
Na verdade, Porto Editora, temos três sentidos diferentes da palavra «mosqueteiro»: o histórico, que é o genérico: soldado armado de mosquete (os mosqueteiros que existiram em vários exércitos europeus entre os séculos XVI e XVII); outro também histórico, mas específico (o mais conhecido e que, contudo, não acolhes), que é o militar da Companhia dos Mosqueteiros da Guarda do Rei de França, criada por Luís XIII, corpo de elite que continuou sob Luís XIV, e que não é apenas uma especialização do primeiro; e o figurado. Assim, proponho ➠ mosqueteiro 1. HISTÓRIA soldado de infantaria armado de mosquete, especialmente entre os séculos XVI e XVII; 2. HISTÓRIA militar da Companhia dos Mosqueteiros da Guarda do Rei de França, criada por Luís XIII e celebrizada pelo romance Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas; 3. figurado defensor; paladino.
[Texto 23 329]
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P. S.: O Dia do Amigo foi na segunda-feira, mas muito a tempo o digo: se chachada é coisa malfeita, a berundanga também é coisa malfeita, ou então um deles não é um trabalho bem-feito. (A propósito, aumenta as acepções de «bem-feito». Sempre me pareceram insuficientes.)
Uma pluralização inevitável
Hoje de manhã, na Antena 1, ao deixar o seu testemunho sobre Luís Represas, por ocasião da sua morte, Ana Sofia Carvalhêda acentuou muito enfaticamente, de modo professoral, o Trovante. Se conhecesse melhor a língua, não o faria. É conhecida a posição do fundador da banda Manuel Faria, que disse que era no singular «porque representa algo maior do que cada elemento e merecedor de respeito». Vale o que vale. Se quisessem mesmo ter mais sorte nessa vontade, que escolhessem o nome O Trovante. Não o fizeram, pelo que têm de se sujeitar à forma como, em português, e habitualmente, nos referimos ao nome de bandas ou grupos musicais — fazendo-o preceder de artigo definido plural, independentemente do traço de número do nome próprio. Logo, os Trovante. Claro que isto levanta questões linguísticas complexas e interessantes, mas não vamos agora tratar delas.
[Texto 23 328]