«Grande Maçã»

Vá, agora agradeçam-lhe

      «Foi na Grande Maçã que [Madalena da Suécia] conheceu o corretor de bolsa, tendo o romance começado no início de 2011» («O príncipe plebeu que salvou a princesa sueca», Raquel Costa, Diário de Notícias, 19.05.2013, p. 53).
      Grande Maçã, muito bem. Mas agora reparem como já não se pode ser somente «corretor», mas «corretor de bolsa». Tudo graças ao Acordo Ortográfico de 1990.
[Texto 2858]

«Malvisto»

Nem sempre mal, só 99 %

      «Em Portugal [os hambúrgueres] foram malvistos e renasceram, cada vez mais especializados mas baratos» («A nova vida do hambúrguer», Ricardo J. Rodrigues, Notícias Magazine, 19.05.2013, p. 36).
      É raro ver-se bem escrito. Normalmente, a coisa é mal vista — e fica «mal visto». «[...] a frouxidão do Governo animando os inimigos do rei e os desafectos ao systema, involveram quasi duas provincias: e mais teria progredido se a decisão de alguns generaes, que por isso mesmo foram malvistos e quasi perseguidos pelo governo, lhes não pozesse limites, e os não desfizesse completamente» (Obras Completas: Prosas, Almeida Garrett. Lisboa: Empresa da História de Portugal, 1904, p. 566).

[Texto 2857]

«O mais possível»

Descomplicando

      Outro excerto da conversa do crítico literário e escritor Eduardo Pitta com Luís Caetano, na edição de ontem do programa A Força das Coisas: «É complicado [fazer a crítica de obras de amigos], mas enfim, temos que tentar ser o mais honestos possíveis
      Nas construções «o mais», «o pior», «o melhor», o adjectivo «possível» permanece no singular, porque no singular se encontra o artigo definido.
[Texto 2856]

«Meia estruturalista»

Descuido ou convicção?

      Eduardo Pitta foi o convidado de hoje de Luís Caetano no programa A Força das Coisas. Um excerto em que podemos ver algo já aqui tratado: «O texto de Maria Estela Guedes era uma coisa imensa, eram duas páginas no Diário Popular, escrito numa linguagem muito da época, meia estruturalista, meia herbertiana
[Texto 2855]

E os professores?

Alguns reconhecem

      «Se considerarmos os programas escolares e também a preparação que nas últimas décadas terá sido dada aos professores de português, o mais provável é que aqueles que hoje têm entre quarenta e cinquenta anos, e se encontravam, portanto, na mais tenra infância à data do 25 de Abril de 1974, tenham sido sujeitos a tantas experiências pedagógicas de duvidosa consistência, a tantas abstrusas injecções teóricas e práticas de nenhuma utilidade, a tantos descasos em matéria de formação cultural, que, salvas as honrosas excepções do costume, é legítimo alimentar as mais sérias dúvidas sobre se estarão em condições de ler Aquilino Ribeiro ou de, questão mais geral, ensinar correctamente o português nas nossas escolas» («Celebrar Aquilino», Vasco Graça Moura, Diário de Notícias, 15.05.2013, p. 54).
[Texto 2854]


Usar o dicionário

Celebrar a palavra

      «Dada a riquíssima complexidade lexical da sua obra, de há muito que ela, só por si, teria justificado fosse introduzida nos programas de português uma utilização eficaz do dicionário, em que tirar significados constituísse uma obrigação corrente na prática escolar. Isto sem falar na questão do estabelecimento de um cânone mínimo, de que já tive ocasião de falar aqui e que também não pode existir sem a reabilitação do dicionário...» («Celebrar Aquilino», Vasco Graça Moura, Diário de Notícias, 15.05.2013, p. 54).
[Texto 2853]

«Informação-exame»?

Está tudo ligado

      Agora lê-se por aí, em todas as escolas e na Internet, «informação-exame de equivalência à frequência» desta e daquela disciplina. É o Despacho Normativo n.º 6/2012 («despacho-normativo», lia-se aqui, escrito por algum maluquinho do hífen): «Ao departamento curricular compete propor ao conselho pedagógico a Informação-Exame de equivalência à frequência de cada disciplina no ensino básico ou a Informação-Prova de equivalência à frequência de cada disciplina no ensino secundário, cuja estrutura deve ser análoga à informação-prova final ou à informação-exame elaborada pelo GAVE para as provas finais de ciclo e para os exames finais nacionais, respetivamente, da qual devem constar os seguintes aspetos: objeto de avaliação, características e estrutura, critérios gerais de classificação, material e duração».
      A dúvida é sobre aquele hífen a ligar «informação» e «exame». Faz algum sentido estar ali?

[Texto 2852]

Tradução: «prosecutor»

Peter Zinner é...

      «“Este não foi um roubo de sorte. Existem fortes indícios de que Jamie Filan sabia que o senhor Mourinho e a sua família estavam hospedados no quarto e que estes foram o seu alvo por saber que faria uma ‘bela colheita’”, declarou o promotor de justiça, Peter Zinner, no tribunal de Southwark Crown, revelando que o treinador ficou extremamente “angustiado” com o sucedido» («Assaltante de Mourinho leva 31 meses de prisão», Marlene Rendeiro, Diário de Notícias, 15.05.2013, p. 53).
      Peter Zinner é prosecutor ou, como se lê em alguns sítios, «London Crown Advocate». Isto traduz-se por «promotor de justiça»? Não será antes «procurador da Coroa» ou «advogado da Coroa»?
[Texto 2851]

Arquivo do blogue