Pronúncia

Moro numa aldeia

      Moro numa aldeia, outrora conhecida pelo número excessivo de cabeleireiras e dentro em breve pelos passeios rebaixados, perto de Lisboa — em Benfica. Às vezes, das editoras perguntam-me: «Vem cá a Lejboa esta s’mana?» Ida e volta são 15 quilómetros. Nas sextas-feiras, se coincidir com um dia 13 («treuze», dizem eles), evito ir.
[Texto 2758]

«NATO/OTAN»

NATO

      OTAN na sigla portuguesa, pois, mas vejam como Botelho de Amaral se esqueceu ou lhe era indiferente: «Um speaker fez, por exemplo, referência aos países da NATO. Não mencionou Portugal. Advertido por mim, disse-me que a Espanha nada tinha que ver com a NATO. Ensinei-lhe História e Geografia» (A Língua Inglesa e a Vida em Londres, Vasco Botelho de Amaral. Lisboa: Centro Internacional de Línguas, 1958, pp. 66-67). Ter o autor escrito este livro lá pelos Royal Parks londrinos, enquanto apanhava sol, há-de ter tido a sua influência...
[Texto 2757]

«Tratar-se de»

Não entra

      Informações apuradas pelo nosso correspondente em Bruxelas, Luís Ochoa: «Passos Coelho adianta que essas medidas para 2014 e 2015 estarão em linha com o acordado na 7.ª revisão e que não se tratam de medidas adicionais» (Antena 1, 11.04.2013, noticiário das 9 da noite).
      Quando é que aprendem? No sentido de estar em causa, ser o caso de, tratar-se é impessoal e rege a preposição de. E é impessoal porque nas frases em que é predicador não há nenhuma expressão lexical com função de sujeito.
[Texto 2756]

«Sarauí, saráui...»

Ainda não conhecem

      «Destaca-se a situação peculiar do Sara Ocidental. Colónia espanhola, a ONU recomendou, em 1966, a descolonização. Em Novembro de 1975, foram celebrados os acordos tripartidos de Madrid, pelos quais a Espanha cedeu o território a Marrocos e à Mauritânia. Só que esta solução não tinha em conta a vontade do povo sarauí, representado pela Frente Polisário. Esta, com o apoio de vários países africanos, anunciou em 1976 a criação da República Árabe Sarauí Democrática e a luta por uma verdadeira independência» (Angola 61, Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus. Lisboa: Texto Editores, 2011, 2.ª ed., p. 67).
      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora limita-se a registar «saariano», que remete para «sariano». O Dicionário Houaiss, por seu lado, acolhe tanto sarauíta como saaráui (com a variante saráui).

[Texto 2755]

O AOLP90 no seu melhor

Estamos fodidos lixados

      Em verdade vos digo: isto nunca mais se endireita. Dizem que, com o Acordo Ortográfico de 1990, ficámos com três ortografias. Sei lá se são três. Se calhar são mais. Acabo de ler um texto, escrito por um jornalista, e lá estavam dois abortos já meus conhecidos: «contato» e «convito». Impuseram-nos a teratologia como norma.
[Texto 2754]

Léxico: «truca»

Ora, ora

      «Sebastião Guerreiro ele próprio às voltas com a máquina flymo a trambuzar uns estampidos de gafanhoto eléctrico, truca truca pela paisagem. Mas de resto todos estávamos em paz e Sebastianito mais do que todos» (O Cais das Merendas, Lídia Jorge. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2002, 6.ª ed, p. 50).
      Não acreditei logo, como noutras vezes, mas é verdade: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista a interjeição «truca». E, no entanto, regista outra acepção desta palavra.

[Texto 2753]

Tradução: «checker»

Um pequeno problema

      Estados Unidos, década de 1950. A personagem principal recebe duas ofertas de emprego: uma como copy editor numa editora de livros e outra como checker numa revista. Ora, se em Portugal não temos esta função — checker ou fact checker — autonomizada, como traduzir? Aceitam-se sugestões.
[Texto 2752]

Alcavalas da Comissão Europeia

É o que sai

      Esta ia-me passando. Luís Ochoa na Antena 1: «Não falando de algumas alcavalas, o presidente da Comissão Europeia ganha por mês 25 300 euros. As alcavalas chegam a 20 % mais. O vice-presidente leva todos os meses de base 22 900, e um comissário 19 900 euros. Todos, como o presidente, com o direito a outras verbas que rondam mais 20 % do salário-base» («Barroso e seus comissários não têm poderes para baixar os respectivos salários», 4.04.2013).
     Mas afinal são alcavalas ou remunerações a que têm direito? Podemos ficar pelo que diz o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora sobre «alcavala»: antigo imposto; no plural, quantias cobradas indevidamente; traficância; alvíssaras. Em resumo: o jornalista não sabe o que diz.
[Texto 2751]

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