Léxico: «cantonamento»

Tomem lá esta

      «Segundo o DN soube, no local onde, cerca das 13.55, o choque aconteceu existe uma curva que também terá dificultado a visão do maquinista. “Como vinha de um sinal de cantonamento, que apesar de estar fechado tinha um “P” branco em fundo azul, dizem as regras que deveria circular até aos 30 quilómetros/hora e pelos dados já conhecidos ele estaria a cumprir essa regra”, avançou a fonte» («Maquinistas da Linha de Cascais não comunicam», Carlos Diogo Santos, Diário de Notícias, 4.05.2012, p. 21).
       Esta não está em nenhum dicionário, nem no mais arteiro. Num léxico de termos ferroviários da página da Refer, lá está: «Sistema de controlo da distância de separação entre comboios, dividindo a linha-férrea em secções que, normalmente, não consintam mais do que um comboio em cada secção. Um cantão pode ser fixo ou móvel.»
[Texto 1467]

Tradução: «associé»

Associados e sócios

      «Quando começou a trabalhar como advogada, depois de se ter formado na Universidade de Paris, a situação não melhorou: “Ninguém queria ter uma associada chamada Le Pen”, escreveu na autobiografia que lançou em 2006, À Contre Flots (Contra a Corrente)» («Herdeira da extrema-direita francesa tem a chave do Eliseu na mão», Catarina Reis da Fonseca e Patrícia Viegas, Diário de Notícias, 27.04.2012, p. 25).
      Eu sei que se diz assim, mas faz algum sentido distinguir, numa sociedade de advocacia, entre sócios e associados? Em França, tanto quanto pude ver, os cabinets d’advocats têm apenas associés, que eu não hesitaria em traduzir por «sócios». Voilà.
[Texto 1438]

Léxico: «desdiabolizar»

Mas registam «diabolizar»

      «“O mais importante é sair do euro”, considera Tourteau Gerome, que apoia uma das ideias mais polémicas – e que mais credibilidade retira à candidatura de Marine Le Pen, que tentou desdiabolizar o partido, investindo no programa económico. “É um veneno que vai acabar por nos matar”» («Marine, a redentora», Clara Barata, Público, 19.04.2012, p. 23).
      Alguns dicionários ainda registam «desdemonizar», mas não chegam a «desdiabolizar».

[Texto 1399]

De envergonhar

Não são conjecturas, não

      «Como queremos que funcione o sistema universitário em 2020 numa conjectura em mudança?», perguntam os organizadores do 1.º Curso de Transição Universitária em Portugal, que decorrerá na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, no Campo Grande, nos dias 28 e 29 de Abril e terá como «facilitadores» Amandine Gameiro, André Vizinho e Gil Penha Lopes. O curso começa com as «boas vindas» e acaba, como se podia ver no programa, com uma festa. E assim vai o ensino em Portugal.

[Texto 1398]

Regência de «namorar»

Mai’nada

      «O verbo namorar é transitivo: Manuel namora Maria. [...] Na linguagem de Lisboa, porém, sobretudo na gente de pouca cultura, é vulgar ouvir-se dizer: “Fulano namora com Fulana”, “Fulana namora com Fulano”. Por analogia com expressões como ter ou andar de amores com» (Estudos de Filologia Portuguesa, J. Leite de Vasconcelos. Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1961, pp. 162-63).
      Agora os gramátegos defendem as duas construções. Assim, ninguém erra. Mais um contributo de peso da capital para todo o País. E antigas colónias.
[Texto 1397]

Pontuação

Mas não

      «O facto de o AO não concitar qualquer consenso nem contribuir para unificar seja o que for, é razão suficiente para, no mínimo, se suspender a sua aplicação e fazer respeitar a Constituição (que protege explicitamente a qualidade do ensino e o uso da língua nacional) e a Lei de Bases do Património Cultural (pela qual a língua, “fundamento da soberania nacional, é um elemento essencial do património cultural português”)» («A CPLP e a consagração do desacordo ortográfico», António Emiliano, Público, 19.04.2012, p. 51).
      Uma vírgula a separar o sujeito do predicado? Está-se mesmo a ver...
[Texto 1396]

«Sentir/lamentar»

Caçadas

      «Foi um gesto sem precedentes de um rei que nunca tinha sido tão criticado desde que, há 36 anos, assumiu o trono com a missão de unir Espanha. “Sinto muito. Errei e não voltará a acontecer”, disse Juan Carlos, ao deixar o hospital onde foi internado depois da queda sofrida quando caçava elefantes no Botswana» («Inédito mea culpa de Juan Carlos para travar “maior crise” da monarquia», Ana Fonseca Pereira, Público, 19.04.2012, p. 23).
      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista que é um sentido figurado, o que, apesar de desmentido por outros, é irrelevante. Neste contexto, com esta origem, eu não traduziria desta maneira, escusadamente próxima do original: «Lo siento mucho. Me he equivocado y no volverá a ocurrir.» E não seria melhor Botsuana?
[Texto 1395]

Plural das siglas

Mais do que desaconselhável

      «No passado dia 30 de Março decorreu em Luanda a VII Reunião de Ministros da Educação [ME’s] da CPLP para, entre outros assuntos, discutirem a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 [AO]» («A CPLP e a consagração do desacordo ortográfico», António Emiliano, Público, 19.04.2012, p. 51).
      Sigla pluralizada? Alguns querem... Mas com apóstrofo, sinal de elisão, a elidir o quê? E os parênteses rectos?
[Texto 1394]

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