Como se fala na televisão

Para variar, com certeza

      Jornalista Rui Lagartinho, no Telejornal de 15 do corrente a propósito do êxito de vendas (o primeiro este ano, parece) As Cinquenta Sombras de Grey, de E. L. James: «O relato da iniciação sexual de uma jovem pelos caminhos do erotismo fetichista é o livro que as mulheres do hemisfério ocidental passam de mão em mão.» Hemisfério ocidental... não faz a coisa por menos. Diga lá onde é isso exactamente.

[Texto 1982]

Como se fala na televisão

Submerso

      Repórter António Nabo, no Telejornal de 14 do corrente: «Paulo Portas era ministro da Defesa em 2004, quando foi decidida a compra dos dois submarinos. Diz desconhecer quais os documentos procurados pelo Ministério Público, mas não acredita que existam documentos desaparecidos

[Texto 1981]

Léxico: «vergão»

Vergastada

      Dizia, se bem lembro, que sobre a carne pálida da escrava se via uma «lista arroxeada, a marca de uma vara ou de uma correia dura». Lista... À lesão da pele provocada por traumatismo ou pancada, sobretudo por vergastada, como parece ser o caso, dá-se o nome de vergão. Se as palavras existem, devemos procurar conhecê-las e usá-las com propriedade.

[Texto 1980]

Ortografia: «periurbano»

Peri-, pref.

      O autor escreveu sempre, do princípio ao fim (mais de vinte vezes), «peri-urbano». Bastava ter consultado um dicionário: periurbano. Ou, pelo menos, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «relativo à zona vizinha de uma cidade; situado nessa zona». Rebelo Gonçalves, no seu Vocabulário da Língua Portuguesa, apenas regista, com o mesmo prefixo e o segundo elemento a começar pela vogal u, «periuterino».
[Texto 1979]

«Responsável de/por»

Decida o ouvido

      «Em estúdio estava o responsável máximo pelas cadeias», escreveu o autor. Já vimos, lembram-se bem, esta questão. Vendo bem, até me soa melhor «responsável máximo de».
      «Assim, Said Benselama, aliás Bencherif, ficou mesmo para a História e a Justiça como o responsável máximo da criminosa operação» (Jaime Bunda, Agente Secreto, Pepetela. Revisão de João Pedro George. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2006, 8.ª ed., p. 332).
[Texto 1978]

«Queijo da ilha/Ilha»

Sabe sempre bem, contudo

      José Leite de Vasconcelos escreveu «queijo da ilha»; Orlando Ribeiro, «queijo da Ilha». Por antonomásia? A ilha é São Jorge, nos Açores. Leite de Vasconcelos também escreveu que era «conhecido em Lisboa» por queijo da ilha. Aqui, «Lisboa» também estará por «continente»?
[Texto 1977]

«Lava-tudo»?

Bem...

      Se em tira-nódoas temos uma claríssima noção de unidade semântica, lexicalizada, não se poderá dizer o mesmo de lava tudo? Mas talvez não...
[Texto 1976]

Género de «pitão»

Erro recorrente

      «No início dos anos 1970, os habitantes de Miami, na Florida, convenceram-se de que era muito cool ter uma pitão birmanesa em casa. Só que elas crescem...» («Maior pitão da Florida com 5,35 metros», Filomena Naves, Diário de Notícias, 15.08.2012, p. 27). 
      Já vimos mais de uma vez que «pitão» (ou píton), a serpente constritora, é do género masculino. Nem é preciso ser especialista em herpetologia — basta consultar um dicionário. Rebelo Gonçalves, na página 797 do seu Vocabulário da Língua Portuguesa, regista: «pitão, s. m.: género de répteis.» Aliás, seja qual for a acepção, é sempre do género masculino.
      Mas a jornalista continua: «Hoje haverá entre dezenas de milhar e centenas de milhar naquela região — ninguém sabe muito bem.»
[Texto 1975]

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