Léxico: «fuzo»

Desconheço

      «A GNR e a PJ, apoiada por fuzileiros da Marinha, desconheciam que ambas tinham efetivos prestes a intervir na operação noturna de combate à droga realizada em Odemira no fim de semana, o que poderia ter resultado num “banho de sangue” entre “forças amigas”, garantiram ao DN fontes envolvidas no caso» («GNR e ‘fuzas’ quase aos tiros na operação do rio Mira», Manuel Carlos Freire, Diário de Notícias, 1.08.2012, p. 16).
      «Fuças», sim, existe. O jornalista queria escrever «fuzos», que é o nome na gíria para fuzileiros.

[Texto 1897]

Léxico: «encosto»

Desencosta-te

      Na minha vida, não são nada raras estas coincidências. Ontem de manhã, vi pela primeira vez o termo «encosto» na acepção de espírito que acompanha uma pessoa viva, prejudicando-a com vibrações negativas. Coisas do espiritismo. Nem os dicionários actualizados ao minuto a registam. No 5 para a Meia-Noite (com D. Januário Torgal Ferreira como convidado?!), mesmo no fim, José Pedro Vasconcelos leu um anúncio de um jornal em que se usava a palavra nesta acepção.
[Texto 1896]

Léxico: «caipirosca»

Semiburlesco

      Um artigo do Diário de Notícias revela-nos onde beber as melhores caipirinhas em Lisboa. Pelo meio, também fala das variantes: caipirosca, em que em vez de cachaça se adiciona vodca, e caipirão, quando em vez de cachaça se acrescenta Licor Beirão. E não é que o seriíssimo Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista «caipirosca»?! E «caipirão» também regista, mas somente como diminutivo de «caipira».
[Texto 1895]

Léxico: «malhassol»

Fora, mas usada todos os dias

      O engenheiro queimado por mil sóis africanos não quer rede galinheira no terraço, mas malhassol. E o vocábulo não devia estar nos dicionários? Malhassol = malha + soldada. Welded steel mesh, se preferem em inglês...
[Texto 1894]

Sobre «condimento»

Não faltam condimentos

      «Para evitar os assaltos no parque de campismo, a segurança foi reforçada. Além de mais iluminação, há também, segundo Luís Montez, mais arruamentos e um segurança em cada cruzamento. Os campistas contam ainda com um supermercado, inovação introduzida no ano passado, para fazerem as suas compras. No entanto, admite o responsável, nota-se que quem já chegou ao recinto vai carregado de condimentos para evitar gastos maiores. Um reflexo da crise, tal como a tendência verificada na venda de ingressos» («Eddie Vedder obriga a criar pista de helicóptero», Sofia Fonseca, Diário de Notícias, 31.07.2012, p. 45).
      Parece ser uma citação indirecta, e nesse caso é erro de Luís Montez, mas a jornalista devia ter corrigido. Condimentos, meus caros, são substâncias que realçam o sabor dos alimentos: ervas aromáticas, especiarias, etc.
[Texto 1893]

«Idêntico/semelhante»

Repetimo-nos

      «Os materiais da caverna Border são, por outro lado, muito idênticos aos que posteriormente – há 24 mil anos – foram produzidos e utilizados pelas populações pré-históricas na região, conhecidas por povo San» («‘Flinstones’ africanos já eram modernos há 44 mil anos», Filomena Naves, Diário de Notícias, 31.07.2012, p. 33).
      Já o perguntei várias vezes: a identidade tem graus? Ora, se temos o vocábulo «semelhante», porque havemos de usar sem propriedade o vocábulo «idêntico»?
[Texto 1892]

Léxico: «bilocação»

É diferente

      Ah, não se designa por ubiquidade, não... Ao acto ou capacidade de uma pessoa poder estar, por milagre, em dois lugares distintos ao mesmo tempo dá-se o nome de bilocação. «Por milagre» é como o define o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, mas nunca se sabe. São habitualmente referidos os casos de António de Pádua e de Francisco Xavier. Para os Brasileiros, talvez o mais conhecido seja o caso de Frei Galvão.
[Texto 1891]

Léxico: «empequenecer»

Para não morrer

      «E, em todos esses anos, desde que tiraram Perón do poder, em meados dos anos 50, o obrigaram ao exílio e lhe pediram depois que regressasse para os salvar, a Argentina foi empequenecendo até ficar sem moeda nacional» (A Ordem do Tigre, J. J. Armas Marcelo. Tradução de Miranda das Neves e revisão de José Costa. Lisboa: Editorial Teorema, 2010, p. 97).
      Este vocábulo, que já ouvira e lera, também ainda não desapareceu dos dicionários. «Empequenecer não me desagrada, mas nunca o li, e nunca o ouvi, se bem que sou beirão [de Lobão da Beira, Tondela]» (Falar e Escrever, Cândido de Figueiredo. Lisboa: A. M. Teixeira, 1921, p. 148). Agora Fernando Venâncio pode vir, estraga-prazeres, comentar que vem do castelhano empequeñecer.
[Texto 1890]

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