Tradução: «carotte»

Imagem: http://www.dt.insu.cnrs.fr/carottier/

A importância das cenouras


      O texto tinha como título «La mémoire de la glace» e dizia: «Dans les échantillons de glace (carottes) prélevés par les chercheurs se trouvent conservées les traces de l’histoire climatique de la planète : périodes de réchauffement, de refroidissement, teneur en gaz carbonique, en oxygène, etc. L’Antarctique est ainsi un gigantesque laboratoire pour étudier l’évolution des climats, et pour comprendre, et peut-être prévenir, les conséquences des pollutions atmosphériques causées par les pays industrialisés.» O tradutor — e que Deus lhe valha! — verteu assim: «Nas amostras de gelo («cenouras») recolhidas pelos investigadores encontram-se conservados vestígios da história climática do planeta: períodos de aquecimento, de arrefecimento, nível de dióxido de carbono, de oxigénio, etc. A Antárctida é assim um gigantesco laboratório para estudar a evolução dos climas e para compreender, e talvez prevenir, as consequências das poluições atmosféricas causadas pelos países industrializados.» «Cenouras»? Nem com aspas as engolimos. Mas sim, podia ser, pois «les carottes, naguère mal protégées, s’érodaient à la remontée et prenaient une forme légèrement conique : d’où la similitude avec la racine et le nom» (in Le Trésor de la Langue Française Informatisée). Mas em francês, não em português. Qualquer dicionário bilingue — e o que cito é o Grande Dicionário Francês/Português, editado pela Bertrand — dirá: «carotte s. f. Massa de terra extraída pelos instrumentos de sondagem». Pois em português também é simples: carote. Sem ser engenheiro, conheço a palavra e o conceito há muitos anos. Em certas estruturas, extraem-se carotes de betão para análise. Dos fundos marinhos, extraem-se carotes de sedimento para análise.
      De vez em quando, fala-se da falta de maturidade, apesar das regras no acesso ao Centro de Estudos Judiciários, dos juízes. Contudo, não é só com estes profissionais (embora as decisões destes tenham repercussão na vida dos indivíduos e da sociedade em si) que nos devíamos preocupar. Um recém-licenciado que leu mal (ou mal leu) três livros e se põe a traduzir também é perigoso.

edit

1 comentário:

Helder Guégués disse...

Felizmente, há poucas editoras como essa que descreve. A maioria trabalha honestamente para proporcionar um produto final de qualidade ao leitor.

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