Roth não é fonte credível

Então quem é?

      «Segundo o diário espanhol ABC, o escritor Philip Roth fez um pedido à enciclopédia online Wikipedia para que corrigisse uma informação relacionada com o seu último romance, A Mancha Humana. Todavia, de acordo com uma carta que o escritor publicou na revista New Yorker, os responsáveis pela Wikipedia não consideraram o próprio autor uma “fonte credível”, pedindo por isso mais fontes» («Escritor não é “fonte credível”», Diário de Notícias, 11.09.2012, p. 49).
[Texto 2090]

Tradução: «contactless»

Difícil, não haja dúvida

      «Esta teoria está cada vez mais perto de se tornar numa realidade: os primeiros cartões contactless chegam a Portugal já no próximo mês» («Cartão sem código chega a Portugal em outubro», Tiago Figueiredo Silva, Diário de Notícias, 12.09.2012, p. 31).
      É palavra com que iremos topar com frequência nos próximos tempos. Como se fosse impossível traduzi-la.
[Texto 2089]

Com maiúsculas, pois claro

Para os teimosos

      «Desde Tucídides, pelo menos, que a grande História é também grande literatura. Mas não precisamos de recuar até aos Gregos e Romanos da Antiguidade Clássica. Temos excelentes exemplos intramuros, de Fernão Lopes, João de Barros e D. Francisco Manuel de Melo, a Alexandre Herculano, Oliveira Martins, Jaime Cortesão e Magalhães Godinho, isto para não falar dos vivos. Eu gostaria de aproximar a clareza da exposição e a limpidez do estilo conseguidas nesta obra desse exigente nível literário que gera no espírito do leitor o encantamento pela qualidade da prosa e uma equivalente avidez da leitura para saber, não como é que a história “acaba”, mas sim como é que ela continua...» («Uma ‘História de Portugal’», Vasco Graça Moura, Diário de Notícias, 12.09.2012, p. 54).
[Texto 2088]

«Bomba de extracção de água/motobomba»

Mas entretanto

      «O monóxido de carbono é um gás altamente letal e pode ter sido libertado por uma bomba de extração de água, que, soube o JN junto de fonte próxima das equipas de socorro, existe no poço. O qual, sublinhe-se, tapado com uma placa de betão, com uma pequena abertura onde cabe um homem e, também ela, com tampa de ferro, o que dificulta a ventilação. Aquele gás é um veneno silencioso, não detetável pelos sentidos. Uma vez inalado, entra na corrente sanguínea, chega às células e inativa os órgãos» («Autópsias confirmam morte por intoxicação», Eduardo Pinto e Margarida Luzio, Jornal de Notícias, 12.09.2012, p. 30).
      Cá está: neste jornal, não se fala em motobomba, mas em bomba de extracção de água. Entretanto, ainda não veio nenhum entendido esclarecer-nos sobre o funcionamento de uma motobomba, de que falei aqui.
[Texto 2087]

«Dominava 33 línguas»

Hipérboles jornalísticas

      «Ernesto de la Peña. O pensador mexicano que morreu aos 84 anos recebeu, no dia 7, o Prémio Internacional Méndez [sic] Pelayo 2012. Dominava 33 línguas e era conhecido pelo seu humanismo. Foi escritor, filólogo, tradutor e difusor cultural do México» («Ernesto de la Peña», Diário de Notícias, 12.09.2012, p. 30).
      Andamos aqui nós a estudar diuturnamente uma, a nossa, e mal a arranhamos. Este prodígio dominava 33 línguas. Só não desisto porque até aos 84 anos ainda falta muito.
[Texto 2086]

Léxico: «à jeira»

Esta escapou

      «A morte de cinco pessoas que trabalhavam à jeira no interior de um poço de betão armado onde desemboca uma antiga mina continua um mistério para a população de Vilela Seca» («“Se ficava mais um minuto no poço morria”», Margarida Luzio, Jornal de Notícias, 10.09.2012, p. 22).
      À jeira, isto é, a dias. Extraordinário, vendo bem, é que ainda não tenha desaparecido dos dicionários.

[Texto 2085]


Harry, monarca

Não digam disparates

      «Um porta-voz do movimento insurgente afirmou que a chegada do monarca ao Afeganistão é puramente simbólica e prevê que Harry não sairá da base de Camp Bastion» («Talibãs dizem que ida do príncipe Harry é apenas ato de propaganda», Jornal de Notícias, 10.09.2012, p. 30).
[Texto 2084]

«Grupeta»?

O Facebook é uma maravilha

      «Apaixonada pelo hipismo desde que gravou “Feitiço de Amor” (TVI) onde dava vida à tratadora de cavalos Alice, Rita Pereira aproveitou o fim de semana para matar saudades. “Vim até ao Concurso de Saltos do Vimeiro com uma grupeta de atores. Vamos lá ver quem ganha”, contou a jovem aos fãs no Facebook» («Rita Pereira caiu do cavalo», Filomena Araújo, Jornal de Notícias, 10.09.2012, p. 44).
      Nunca li nem ouvi. Só grupeto: «conjunto de três ou quatro notas musicais, ornamentais, que se executam com muita rapidez», segundo o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

[Texto 2083]

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