Ortografia: «tabloide»

Segundo o AO, claro

      «Esta semana foi noticiado que o ator norte-americano Bruce Willis teria a intenção de processar a empresa Apple uma vez que, segundo publicou o tablóide britânico The Sun, esta não lhe possibilitava transferir a coleção de canções que comprou na loja digital iTunes para as filhas em herança» («Música digital comprada pode ser dada em herança», João Moço, Diário de Notícias, 8.09.2012, p. 40).
      Nem numa década estes erros se deixarão de ver — e em profissionais da escrita. Na população em geral, vai demorar mais. A regra, caro João Moço, está na Base IX, n.º 3, do Acordo Ortográfico de 1990: «Não se acentuam graficamente os ditongos representados por ei e oi da sílaba tónica/tônica das palavras paroxítonas, dado que existe oscilação em muitos casos entre o fechamento e a abertura na sua articulação: assembleia, boleia, ideia, tal como aldeia, baleia, cadeia, cheia, meia; coreico, epopeico, onomatopeico, proteico; alcaloide, apoio (do verbo apoiar), tal como apoio (subst.), Azoia, boia, boina, comboio (subst.), tal como comboio, comboias, etc. (do verbo comboiar), dezoito, estroina, heroico, introito, jiboia, moina, paranoico, zoina
[Texto 2066]

Léxico: «poliamor»

Ainda é o amor livre

      «Poliamor é uma prática, mas também pode ser interpretado como uma filosofia, que passa pela aceitação de se relacionar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, com o consentimento de todos os envolvidos. Na poligamia e na poliandria, quando um marido possui mais de uma esposa, ou quando a esposa possui mais de um marido, o casamento é uma condição» («Poliamor, poligamia e poliandria», Diário de Notícias, 8.09.2012, p. 28).
[Texto 2065]

Alta Sabóia

Já está melhor

      «O carro, de matrícula britânica, foi encontrado quarta-feira à tarde por um ciclista, britânico, na localidade de Chevaline, na zona do lago de Annecy, Alta Sabóia, centro este de França. Lá dentro, um homem e duas mulheres, mortos com disparos na cabeça» («Menina de 4 anos viva entre família chacinada», Patrícia Viegas, Diário de Notícias, 7.09.2012, p. 25).
      Até agora, era sempre Haute-Savoie que se lia em toda a imprensa — até no DN. Contudo, tendo este jornal adoptado as regras do Acordo Ortográfico de 1990, devia ter grafado Alta Saboia. E centro-este precisa de um hífen, sinal gráfico que este jornal está, erradamente, a deixar de usar quando devia.

[Texto 2064]

Léxico: «hantavírus»

Bunyaviridae

      «Dezassete portugueses estiveram no Parque Yosemite, nos EUA, durante o surto de infeção por hantavírus que matou dois americanos. Os cidadãos nacionais foram submetidos a exames de despiste da doença, e os resultados revelaram-se negativos» («Surto apanha 17 portugueses em Yosemite», André Rito, Diário de Notícias, 7.09.2012, p. 15).
      Na definição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é o «género de vírus que infecta vários roedores e que pode provocar uma doença grave no homem, caracterizada por febre e atingimento pulmonar e renal».
[Texto 2063]

Mais crimes

Vejam lá isso

      «O alerta para o crime foi dado às 20.15 quando o homem se entregou no posto da GNR da Guia. Ao que o DN apurou, o indivíduo entrou muito nervoso e exaltado, confessando aos guardas que tinha acabado de matar o irmão e a cunhada. De imediato foi accionado a PJ, já que se trata de um caso de homicídio com arma de fogo» («Mata irmão e cunhada com tiros de caçadeira», Diário de Notícias, 6.09.2012, p. 19).
      Se a arma do crime tivesse sido uma faca de cozinha, por exemplo, já não seria assim? E se o desfecho não tivesse sido a morte da vítima? «O jovem foi detido pelos militares da GNR junto da sua residência, tendo a Polícia Judiciária sido chamada ao local para investigar a ocorrência, dado que envolveu uma arma [faca] e se trata de um crime de homicídio» («Jovem de 18 anos detido após esfaquear o pai», Diário de Notícias, 6.09.2012, p. 20).
[Texto 2062]

Crime semipúblico

Que avancem os juristas

      «O presidente do Governo Regional já formalizou a queixa no próprio domingo, apesar de ser um crime semipúblico» («Desespero de um desempregado motivou agressão a Jardim», Lília Bernardes, Diário de Notícias, 4.09.2012, p. 12).
      «Apesar de ser um crime semipúblico»... Mas este tipo de crime não exige que o ofendido apresente queixa? E hoje no mesmo jornal: «Um receio que pode ser partilhado pela vítima e pode, aliás, ser a explicação para o facto de José Manuel ter abdicado do direito de apresentar queixa. “Pode ser por receio ou pode ser por qualquer outra razão. Dizer o que quer que seja é especular. A vítima abdicou do direito de apurar a verdade e não deu qualquer explicação para o fazer. É um direito que lhe assiste e tendo em conta que o crime é semipúblico, ou seja, para ser investigado depende de queixa, não se pode fazer mais nada”, disse ao DN fonte ligada à investigação» («Homem sodomizado com pau abdica de queixa à PJ», Catarina Canotilho, Diário de Notícias, 6.09.2012, p. 19).
[Texto 2061]

«Paleta/palete»

Menos artístico

      «Mesmo assim, a investigação da GNR de Elvas veio a encontrar a aeronave cerca de 24 horas depois de ter sido furtada, detendo também os sete autores do furto, incluindo o empresário, ligado à produção de paletas, com empresa em Arranhó (Arruda dos Vinhos). [...] Três residem em Elvas, e o outro era o condutor e sócio da empresa proprietária do pesado que procedeu ao transporte e que foi contratado pelo empresário de paletas para o efeito» («Empresário roubou avião por encomenda», Carlos Varela e Teixeira Correia, Jornal de Notícias, 5.09.2012, p. 8).
      Sem mais informação, bem podem ser as pequenas tábuas com um orifício para se meter o polegar, onde o pintor dispõe e combina as tintas, mas algo me diz que são antes as plataformas de madeira sobre as quais se empilha carga a fim de ser transportada em grandes blocos — ou seja, paletes.

[Texto 2060]

«Eminentemente prática»

Sem fórmula

      «Voltemos ao exemplo do estado do tempo. A previsão a longo prazo é impossibilitada por duas ordens de factores. Uma é iminentemente prática» (A Fórmula de Deus, José Rodrigues dos Santos. Lisboa: Gradiva, 2006, p. 282).
      Como acabei de ver o mesmo erro noutro texto, aproveito para o expor aqui. É «eminentemente», isto é, no mais alto grau, muito, sobremaneira. É curioso, e talvez significativo, que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora só registe o advérbio «eminentemente».
[Texto 2059]

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