20.2.11
Como dantes
«Era uma espécie de gorjeio de pássaro, assim como um trinado fluido, produzido pelo contacto da língua com o céu da bôca, de quando em quando, no meio da música» (As Aventuras de Tom Sawyer, Mark Twain. Tradução de Berta Mendes. Lisboa: Editorial Inquérito, 1944, p. 18).
Era assim, como locução substantiva, que se grafava antes do Acordo Ortográfico de 1945 — e depois também, mas os dicionários «inovaram» hifenizando-a, e, desta maneira, tornou-se unidade semântica. Ora consultem aí o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. O AO90 foi mais longe no uso do hífen (pelo menos nestes casos) e escrever-se-á «céu da boca». Entretanto, o Vocabulário Ortográfico do Português (VOP), do Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC), adoptado para o sistema de ensino pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, regista «céu da boca». Como regista barriga de freira, braço de ferro, boca de sino, bota de elástico, caminho de ferro, fim de semana...
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