Infinitivo pessoal

A troika

      «Muito manifestamente, os senhores a que pedimos para mandar em nós, depois de observarem a balbúrdia indígena, não têm confiança nos portugueses para tratar sem ajuda dos problemas de Portugal» («O mau aluno», Vasco Pulido Valente, Público, 6.05.2011, p. 48).
      Temos duas acções — pedir e mandar — e dois sujeitos, «os senhores» e «nós». Para distinguirmos, não devemos usar o infinitivo pessoal ou flexionado?

 [Post 4748]
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2 comentários:

Helder Guégués disse...

Bem certo que o uso do infinitivo é algo elástico. Quanto ao pedir para e pedir que, também eu assim pensava, mas Vasco Botelho de Amaral, sabe-o decerto, pensava de outro modo: «Se o povo diz pedir para, e se eu vejo que Herculano escreveu no Eurico — pediu para falar a sós» — que me importa a mim que se critique a construção pedir para?
E que assim não lêssemos em Mestres da Língua?... Nunca se ouviu o povo dizer portuguêsmente pedir para ir e de modo semelhante?» (Glossário Crítico de Dificuldades do Idioma Português, Vasco Botelho de Amaral. Porto: Editorial Domingos Barreira, 1947, pp. 275-76).

Anónimo disse...

Repare que nesse caso de Herculano parece-me que se cumpre a regra de o verbo que se segue a «pedir para» se referir ao sujeito de «pedir».
Mas vá reparando na prática dos clássicos, e vê-la-á seguida em geral, se é que não sempre.
— Montexto

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