Ortografia

Ne varietur, Deo gratias

      A propósito do lançamento da 2.ª edição da Obra Poética de Sophia de Mello Breyner Andresen, lembra Eduardo Pitta na última Ípsilon: «Em mais do que uma entrevista, Sophia reiterou esse seu modo de escrever: “A única palavra portuguesa cuja ortografia precisa de ser mudada é dança, que se deve escrever com ‘s’, como era antes, porque o ‘ç’ é uma letra sentada, uma letra pesada. Escrevo com ‘s’, mas há sempre o desastre de os tipógrafos ou as pessoas que me passam os textos à máquina acharem que é um erro e emendarem para ‘ç’...” (“Diário de Notícias”, 24-11-94.) Isso mesmo é verificável na exposição “Uma Vida de Poeta”, recentemente organizada por Teresa Amado e Paula Morão na Biblioteca Nacional. Sousa discorda: “Não tendo a autora determinado que tal singularidade passasse a ser regra na sua obra, seria abusivo considerar que Sophia pretendeu instaurar um preceito de uso ortográfico próprio” (p. 8) Assim desapareceu essa marca textual.»
      Eduardo Pitta parece ter pena que esta idiossincrasia ortográfica tenha desaparecido da obra de Sophia de Mello Breyner Andresen. A verdade, porém, é que tais idiossincrasias só trazem uma inútil e indecifrável carga de subjectividade. Se alguém ganha, não será o leitor.
[Texto 64]
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