Pronúncia: distocia
3.2.07
Abortos linguísticos
Em conversa com uma fisioterapeuta, desta vez não a propósito de pólipos mas de partos, lá tive de ouvir mais um abastardamento da língua: /distócia/. Quem sabe se ela não escreve mesmo assim, com acento agudo? Já vi. Isto faz-me lembrar uma pergunta que certa vez uma consulente fez ao Ciberdúvidas: «Lista de palavras falsas esdrúxulas.» Isto é que é doçura… A merecer a resposta que teve: «Tal lista depende da ignorância de cada um!» O vocábulo «distocia» é grave; logo, pronuncia-se /distocia/. (Já aqui falei, também a propósito da linguagem médica, dos compostos em -emia, que são sempre graves.) Vem do grego, sim, como o seu antónimo, «eutocia», mas através, provavelmente, do francês, e nesta língua não há proparoxítonos. Claro que há excepções, pelo que dou a palavra a Vasco Botelho de Amaral (sempre tão referido e sempre tão pouco divulgado): «Cabe notar [o autor di-lo a propósito do vocábulo «Oceania»] que em português houve sempre hesitações na acentuação de palavras em ia, principalmente quando se trate de sufixo.
A terminação -ia em grego é tónica; e no latim, átona. E aconteceu até que umas palavras se fixaram como graves e outras como esdrúxulas. Por exemplo, temos em português: filosofia, homilia; mas, por outro lado, ficou-nos história.
Isto não se dá só com os nomes comuns. Por um lado, diz-se Hungria, Normandia, Lombardia, Berbéria, Alexandria, Antioquia, Turquia, Samaria. Por outro, temos Áustria, Itália, Suécia, Somália, Dalmácia, Capadócia, Fenícia, Ásia, etc.» (Subtilezas, Máculas e Dificuldades da Língua Portuguesa, edição da Revista de Portugal, Lisboa, 1946, pp. 77-8).
Em conversa com uma fisioterapeuta, desta vez não a propósito de pólipos mas de partos, lá tive de ouvir mais um abastardamento da língua: /distócia/. Quem sabe se ela não escreve mesmo assim, com acento agudo? Já vi. Isto faz-me lembrar uma pergunta que certa vez uma consulente fez ao Ciberdúvidas: «Lista de palavras falsas esdrúxulas.» Isto é que é doçura… A merecer a resposta que teve: «Tal lista depende da ignorância de cada um!» O vocábulo «distocia» é grave; logo, pronuncia-se /distocia/. (Já aqui falei, também a propósito da linguagem médica, dos compostos em -emia, que são sempre graves.) Vem do grego, sim, como o seu antónimo, «eutocia», mas através, provavelmente, do francês, e nesta língua não há proparoxítonos. Claro que há excepções, pelo que dou a palavra a Vasco Botelho de Amaral (sempre tão referido e sempre tão pouco divulgado): «Cabe notar [o autor di-lo a propósito do vocábulo «Oceania»] que em português houve sempre hesitações na acentuação de palavras em ia, principalmente quando se trate de sufixo.
A terminação -ia em grego é tónica; e no latim, átona. E aconteceu até que umas palavras se fixaram como graves e outras como esdrúxulas. Por exemplo, temos em português: filosofia, homilia; mas, por outro lado, ficou-nos história.
Isto não se dá só com os nomes comuns. Por um lado, diz-se Hungria, Normandia, Lombardia, Berbéria, Alexandria, Antioquia, Turquia, Samaria. Por outro, temos Áustria, Itália, Suécia, Somália, Dalmácia, Capadócia, Fenícia, Ásia, etc.» (Subtilezas, Máculas e Dificuldades da Língua Portuguesa, edição da Revista de Portugal, Lisboa, 1946, pp. 77-8).
edit
1 comentário:
Eu sempre pronunciei Antióquia. Mesmo estando errado, soa mais bonito do que Antioquía. Por isso, acho que manterei o (mau) hábito.
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