Sumatra ou Samatra?
11.2.07
Caro Diário de Notícias
«A rainha Sofia não compareceu à cerimónia por estar de regresso de uma viagem à Indonésia, onde visitava os centros de cooperação espanhola às vítimas do tsunami na ilha de Sumatra» («Corpo de Erika Ortiz cremado em Madrid», Sónia Correia dos Santos, Diário de Notícias, 9.2.2007, p. 24). Já uma vez aqui tinha referido a ortografia deste topónimo, mas em abstracto. Agora, a oportunidade de eu escrever algo mais e a jornalista estropiar a ortografia surgiu finalmente. Vou socorrer-me, mais uma vez, do que escreveu sobre a matéria Vasco Botelho de Amaral na obra Subtilezas, Máculas e Dificuldades da Língua Portuguesa: «Lembrarei o caso de Samatra. Os Portugueses designavam assim aquela ilha da Indonésia, à qual o mesmo Camões chamou, em Os Lusíadas, a “nobre ilha”.
Os nossos antigos escreviam Çamatra, com o c cedilhado inicial (hoje abolido), e posteriormente usou-se o s, mas sempre na sílaba figurou um a. (Por exemplo, João de Barros, nas Décadas, “descreve a situação da Ilha Çamatra”.)
Apesar de a tradição portuguesa nos dar, portanto, a sílaba inicial Sa…, não será difícil ler-se em mapas, em livros, em revistas, em jornais, a escrita Sumatra, com Su…! Mesmo naqueles casos em que as vicissitudes históricas reflectem mudança de dominador, aconselha a moral das línguas se não substituam levianamente os chamadoiros geográficos» (p. 75). «Não se percebe, aliás, porque é que nós somos tão solícitos em imitar os estrangeiros, e não imitamos os seus nacionalismos de linguagem. Veja-se, por exemplo, se os Ingleses dizem Cidade do Cabo, à portuguesa. É o dizem! Cape Town, e só Cape Town. Fazem eles muito bem» (p. 76).
«A rainha Sofia não compareceu à cerimónia por estar de regresso de uma viagem à Indonésia, onde visitava os centros de cooperação espanhola às vítimas do tsunami na ilha de Sumatra» («Corpo de Erika Ortiz cremado em Madrid», Sónia Correia dos Santos, Diário de Notícias, 9.2.2007, p. 24). Já uma vez aqui tinha referido a ortografia deste topónimo, mas em abstracto. Agora, a oportunidade de eu escrever algo mais e a jornalista estropiar a ortografia surgiu finalmente. Vou socorrer-me, mais uma vez, do que escreveu sobre a matéria Vasco Botelho de Amaral na obra Subtilezas, Máculas e Dificuldades da Língua Portuguesa: «Lembrarei o caso de Samatra. Os Portugueses designavam assim aquela ilha da Indonésia, à qual o mesmo Camões chamou, em Os Lusíadas, a “nobre ilha”.
Os nossos antigos escreviam Çamatra, com o c cedilhado inicial (hoje abolido), e posteriormente usou-se o s, mas sempre na sílaba figurou um a. (Por exemplo, João de Barros, nas Décadas, “descreve a situação da Ilha Çamatra”.)
Apesar de a tradição portuguesa nos dar, portanto, a sílaba inicial Sa…, não será difícil ler-se em mapas, em livros, em revistas, em jornais, a escrita Sumatra, com Su…! Mesmo naqueles casos em que as vicissitudes históricas reflectem mudança de dominador, aconselha a moral das línguas se não substituam levianamente os chamadoiros geográficos» (p. 75). «Não se percebe, aliás, porque é que nós somos tão solícitos em imitar os estrangeiros, e não imitamos os seus nacionalismos de linguagem. Veja-se, por exemplo, se os Ingleses dizem Cidade do Cabo, à portuguesa. É o dizem! Cape Town, e só Cape Town. Fazem eles muito bem» (p. 76).
edit
1 comentário:
Já me disseram que me lêem, mas só pode ser mentira. De qualquer modo, não são os piores. Aliás, eu nem sequer falo dos piores no meu blogue.
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