Léxico: «coltan»

Antes tarde

 

      «Assisti ao nascimento de uma guerra de guerrilha que continua até hoje no Leste do país, fomentada por grupos rebeldes como o M23, apoiados pelo Ruanda e por outros países industrializados, aos quais não interessa a estabilidade do território, mas sim saquear impunemente minerais preciosos como o coltan e o urânio, destruir as florestas para obter madeiras preciosas, intimidar as pessoas pobres com violência e assassínios nas aldeias do interior ou humilhar e abusar das mulheres, que são utilizadas como arma de guerra» («Chamado a renascer de novo», P.ᵉ Fernando Zolli [missionário comboniano], Além-Mar, Junho de 2026, pp. 44-45). 

      Com que então, Porto Editora, não registas «coltan»... Vamos lá tratar do caso de forma expedita e melhor do que certo dicionário do outro lado do Atlântico, assim  coltan GEOLOGIA, MINERALOGIA designação comercial dada a minérios ricos em columbite e tantalite, dos quais se extraem principalmente tântalo e nióbio; é utilizado no fabrico de componentes electrónicos, ligas metálicas especiais e materiais de elevada resistência térmica, estando a sua exploração associada, em algumas regiões africanas, a conflitos armados, degradação ambiental, exploração laboral e deslocação forçada de populações.

[Texto 23 074]

Definição: «cortisol»

Apanhados nas redes

 

      «Contrairement à ce que laissent entendre les réseaux sociaux, “le cortisol est une hormone indispensable à la vie”, insiste d’emblée la Dʳᵉ Emmanuelle Lecornet-Sokol, endocrinologue et présidente de la Fenarediam, la Fédération française des associations régionales d’endocrinologie-diabétologie et métabolisme. Fabriqué par les glandes surrénales – deux petites glandes situées au-dessus des reins –, le cortisol joue un rôle crucial dans l’organisme. Combiné à l’adrénaline, une hormone également produite par les glandes surrénales, il a même permis à l’espèce humaine de survivre» («Le cortisol est-il à l’origine de tous vos maux», Tiphaine Honnet, Le Temps, 23.05.2026, p. 27). 

      Curiosamente, nos nossos dicionários parece preponderar a dimensão farmacológica, e sem explicação do papel no organismo do  cortisol BIOQUÍMICA hormona esteróide (C₂₁H₃₀O) produzida pelo córtex supra-renal, envolvida na resposta ao stress e na regulação de diversos processos fisiológicos, como o metabolismo, o sono, a pressão arterial e a actividade imunitária; pode também ser obtida sinteticamente para uso medicinal, sobretudo pelos seus efeitos anti-inflamatórios.

[Texto 23 073]

Definição: «lingala»

Somos capazes disso

 

      «Nestes primeiros meses, aprendi a purificar o meu olhar para captar também as coisas belas e as potencialidades que se vão concretizando, como, por exemplo, o empenho dos Bilenge ya Mwinda («Jovens da Luz», em lingala), um movimento juvenil católico que se dedica à limpeza de espaços públicos e recolhe as garrafas de plástico que as pessoas deitam nos esgotos e ribeiros» («Chamado a renascer de novo», P.ᵉ Fernando Zolli [missionário comboniano], Além-Mar, Junho de 2026, p. 45).

      Podemos definir melhor o lingala (e, de caminho, evitar o rebarbativo «língua banto» ou «língua bantu», que me deixam doente) do que se vê por aí. Assim  lingala LINGUÍSTICA língua banta da África Central, falada sobretudo na República Democrática do Congo e na República do Congo, particularmente na região do rio Congo, e usada amplamente como língua franca regional.

[Texto 23 072]

Léxico: «minador | desminador»

Assa e desassa, tira e põe

 

      «As novas tecnologias em munições explosivas contra veículos, embarcações ou pessoas utilizam impressoras 3D para produzir modelos básicos próximo dos campos de batalha, que podem ser facilmente montados e colocados remotamente, seja por artilharia, foguetes, helicópteros ou drones. São equipadas com sensores que podem detectar a aproximação de um desminador, seja a pé num veículo, e depois detonarem. [...] No mar, as cargas explosivas com detonador são relativamente fáceis de implantar ao poderem ser colocadas com a ajuda de um pequeno barco de pesca ou de um barco minador. Já a limpeza de minas marinhas é uma missão classificada como “extremamente desafiadora e muito perigosa” pela UNMAS [United Nations Mine Action Service], dado o risco das correntes de marés que as podem movimentar» («Desminagem demorada», Carlos Reis, Além-Mar, Junho de 2026, pp. 18-19).

[Texto 23 071]

Léxico: «delírio erotomaníaco | síndrome de Clérambault»

Dois nomes para um grande problema

 

      «Durante la audiencia preliminar celebrada el lunes 4 de mayo, el fiscal aseguró que el sospechoso creía mantener una relación sentimental con la princesa. Este rasgo característico del llamado delirio erotomaníaco le lleva a la convicción patológica de que ella le coresponde» («El delirio de creerse amado por la princesa Amalia de Holanda», Marian Benito, La Razón, 9.05.2026, p. 54). 

     Ora, se aparece na imprensa, bem pode ir para os dicionários, este  delírio erotomaníaco PSIQUIATRIA perturbação delirante caracterizada pela convicção patológica e persistente de que outra pessoa, geralmente de estatuto social elevado, inacessível ou desconhecida, está apaixonada pelo doente, apesar da ausência de provas ou mesmo perante rejeição explícita; pode levar a interpretações delirantes de gestos banais como sinais de amor recíproco; síndrome de Clérambault.

      Descrito pelo psiquiatra francês Gaëtan Gatian de Clérambault (1872-1934), o quadro é também conhecido por síndrome de Clérambault e integra tradicionalmente as perturbações delirantes de tipo erotomaníaco.

[Texto 23 070]

Léxico: «rato-do-arroz | rato-do-arroz-de-cauda-longa»

Uma vez que falamos neles

 

      «La pandémie de Covid-19 avait mis en lumière les chauves-souris rhinolophes. L’infection humaine à hantavirus va nous apprendre à connaître un tout autre mammifère: le rat pygmée de rizière à longue queue. Si on ignore encore la façon exacte dont le premier croisiériste du Hondius a été infecté, le réservoir dans lequel il est allé puiser est connu: Oligoryzomys longicaudatus, le nom scientifique de ce petit rongeur, découvert en 1832 par le chirurgien naval et biologiste Frederick Bennett. Contrairement à ce que son nom évoque, l’animal n’est ni vraiment petit ni adepte des rizières. Avec son corps d’environ 10 centimètres et son poids de 30 à 40 grammes, il écraserait le minuscule rat des moissons (8 grammes), mais pas le surmulot, notre cher rat brun, et ses 140 à 500 grammes. Quant aux fameuses rizières, elles lui viennent du nom scientifique fixé au début du XXᵉ siécle... sans que personne ne comprenne le lien avec la céréale. Bref, il n’y a que la longue queue qui soit bien choisie, puisque avec 11 à 13 centimètres, elle dépasse la taille de son corps» («Ce petit rongeur chez qui l’hantavirus des Andes a fait son nid», Nathaniel Herzberg, Le Temps, 20.05.2026, p. 9). 

      Há décadas que «rato-do-arroz» é usado na zoologia brasileira como nome comum de vários pequenos roedores sul-americanos. A recente atenção mediática dada ao hantavírus dos Andes trouxe de novo à actualidade uma dessas espécies, Oligoryzomys longicaudatus. Para esta específica espécie, proponho rato-do-arroz-de-cauda-longa ZOOLOGIA (Oligoryzomys longicaudatus) pequeno roedor sul-americano da família dos Cricetídeos, de olhos grandes, focinho pontiagudo, orelhas arredondadas, corpo esguio e cauda comprida, geralmente mais longa do que o corpo; vive sobretudo no Chile e na Argentina, em zonas de vegetação densa e áreas agrícolas, sendo o principal reservatório natural do hantavírus dos Andes.

[Texto 23 069]

Definição: «pangolim»

Pois se sabemos que são oito

 

      «Les huit espèces de pangolins sont très différentes les unes des autres. Certains vivent exclusivement dans les arbres où ils vont et viennent à la manière des singes, et d'autres sont terrestres, se déplacent au sol et dorment dans des terriers» («L’ADN pour enrayer le trafic de pangolins», Aurélie Coulon, Le Temps, 22.05.2026, p. 9). 

      Nunca li um texto tão completo sobre os pangolins, mas, claro, a autora, Aurélie Coulon, é doutorada em Biologia e jornalista científica suíça, tendo trabalhado na secção Ciência & Ambiente do jornal Le Temps antes de integrar a Radio Télévision Suisse, onde se dedica à divulgação e comunicação de temas científicos. Por exemplo, porque não dizem os nossos dicionários que são oito as espécies de pangolins? 

      Assim, proponho  pangolim ZOOLOGIA designação comum extensiva aos mamíferos da família dos Manídeos, actualmente representada por oito espécies reconhecidas, distribuídas por regiões tropicais de África e da Ásia, que têm corpo alongado coberto de grandes escamas córneas sobrepostas, cauda longa, patas curtas com garras fortes e focinho estreito com língua viscosa e extensível, alimentando-se sobretudo de formigas e térmitas; quando ameaçados, enrolam-se sobre si próprios formando uma bola defensiva.

[Texto 23 068]

Léxico: «problema de Monty Hall»

Ficamos a saber


      «Imagine um concurso televisivo em que o apresentador pede ao concorrente para escolher, aleatoriamente, uma de três opções: A, B ou C. Depois de o concorrente escolher, digamos, a opção B, o apresentador revela que uma das opções restantes (por exemplo, C) não contém o prémio. Na fase final, o concorrente é questionado se quer mudar de opinião e escolher a opção que resta, A, ou manter a sua escolha original, B. Conhecido como o problema de Monty Hall, em homenagem a um apresentador de um concurso televisivo americano, este famoso enigma tem entretido matemáticos durante décadas. Mas também pode ensinar-nos algo sobre o funcionamento da mente e do cérebro humanos» («O que acontece no cérebro quando mudamos de opinião?», The Conversation/Reuters/Rádio Renascença, 6.09.2025, 8h30). 

      Isto merecia um verbete. Assim, proponho problema de Monty Hall MATEMÁTICA, PROBABILIDADES problema clássico de probabilidade condicional, inspirado num concurso televisivo norte-americano, no qual um participante escolhe uma entre três portas, atrás de uma das quais está um prémio; após essa escolha inicial, o apresentador, que sabe o que está por trás de cada porta, abre uma das duas restantes, revelando uma porta vazia, e oferece ao concorrente a possibilidade de mudar a sua escolha inicial: contra‑intuitivamente, a probabilidade de ganhar o prémio duplica se o concorrente aceitar mudar de porta; é objecto frequente de estudo e extrapolação em contextos de teoria da decisão, psicologia cognitiva e comunicação de ciência.

[Texto 23 067]

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