Sobre «anoréxico»
14.7.11
Menos dogmatismo
«A resposta correcta é “anoréxica”. É verdade. Das três palavrinhas que se acabou de enunciar, “anoréxica”, “encetar” e “síndroma”, a primeira, que se encontra na alínea a), é a que não está atestada nos nossos dicionários. E porquê? Porque, ao substantivo “anorexia” nós temos, aliás… para, para o substantivo “anorexia”, nós temos o adjectivo correspondente, que é “anoréctico” no masculino, “anoréctica” no feminino. Já agora, vou levantar o véu sobre o novo acordo, qualquer dia temos que começar a falar do novo acordo e trazer umas questões sobre o novo acordo aqui para o nosso Jogo da Língua. Muitas dúvidas. “Anoréctico”, “anoréctica”, de acordo, conforme o novo acordo, já não se escreve com c, porque não articulamos o c. De todo o modo, o adjectivo é “anoréctico” ou “anoréctica”, nunca “anoréxica”, nunca. A confusão vem de “anorexia”. Alínea b), o verbo “encetar” existe, significa “estrear”. “Encetar o bolo”, por exemplo, “cortar o bolo pela primeira vez”. E “síndroma” existe, claro, a par de “síndrome”, palavra esdrúxula com acento agudo no i. Portanto, alínea a) é a resposta correcta. “Anoréxica” é a forma, a palavrinha que não existe em português» (Jogo da Língua, Sandra Duarte Tavares. Antena 1, 12.07.2011).
O raciocínio de Sandra Duarte Tavares é linear, simplista e errado — o vocábulo não está atestado nos dicionários, logo não existe. Podia ficar por aqui, mas ainda acrescento isto: à semelhança dos pares disléctico/disléxico, torácico/toráxico e outros, os termos do par anoréctico/anoréxico não se distinguem pela maior legitimidade de um em relação ao outro, mas tão-somente por o primeiro o termos recebido e o segundo se ter formado na nossa própria língua.
[Texto 301]
edit
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