Selecção vocabular; possessivos
16.12.08

A potes
Pergunto a mim próprio quantas crianças, de norte a sul do País, conhecem o bacio ou penico por pote. Avalio por mim, que, por uns breves instantes, fiquei perplexo perante o título Ruca Aprende a Usar o Pote, mais um título da infindável colecção referente a esta personagem da série televisiva. Tão perplexo como a personagem quando vê o objecto: «O Ruca pegou no pote e colocou-o na cabeça, para imitar um chapéu.»
A ficha técnica ajuda-nos a perceber tudo: o título original é Caillou — Le pot. A tradução e adaptação é de Sara Costa, a quem mando este recado: segundo certos estudos (Rice e Wexler, 1996, e Restrepo e Kruth, 2000, v. g.), a omissão do pronome possessivo é uma marca clínica de crianças com distúrbio específico da linguagem — mas de crianças falantes do inglês e do francês! Os tradutores portugueses devem desbastar, se querem escrever português de lei, os pronomes possessivos, marca sobretudo do inglês. Os revisores devem acompanhá-los ou substituí-los nesta nobre tarefa.
Pergunto a mim próprio quantas crianças, de norte a sul do País, conhecem o bacio ou penico por pote. Avalio por mim, que, por uns breves instantes, fiquei perplexo perante o título Ruca Aprende a Usar o Pote, mais um título da infindável colecção referente a esta personagem da série televisiva. Tão perplexo como a personagem quando vê o objecto: «O Ruca pegou no pote e colocou-o na cabeça, para imitar um chapéu.»
A ficha técnica ajuda-nos a perceber tudo: o título original é Caillou — Le pot. A tradução e adaptação é de Sara Costa, a quem mando este recado: segundo certos estudos (Rice e Wexler, 1996, e Restrepo e Kruth, 2000, v. g.), a omissão do pronome possessivo é uma marca clínica de crianças com distúrbio específico da linguagem — mas de crianças falantes do inglês e do francês! Os tradutores portugueses devem desbastar, se querem escrever português de lei, os pronomes possessivos, marca sobretudo do inglês. Os revisores devem acompanhá-los ou substituí-los nesta nobre tarefa.
edit
2 comentários:
Pois não: é um problema de selecção vocabular.
Não me parece prejudicial que uma criança esteja em contacto com outras variedades regionais do português.
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