«Jaze»?

Aqui jaz

      «Daqueles prédios amontoados em baixo, subia um murmúrio de sons misturados: vozes humanas e de animais; a música afastada de um jaze; o ronco abafado dos realejos a tocarem no parque de diversões; os relinchos de inúmeros cavalos; o rodar de carros pelas ruas, tudo como para lhes recordar que já haviam chegado a Favercombe, que estavam no mês de Agosto e aquele dia era o segundo da feira maior e mais importante daquelas redondezas» (Acampamento no Bosque, David Severn. Tradução de José da Natividade Gaspar. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1949, p. 333).
      «Jaze»? Será o aportuguesamento de «jazz»? Não reeditou a Sextante, em 2010, a colectânea João na Terra do Jaze, de José Duarte?
[Texto 3199]
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«Eh»

Ainda se sabia bradar e exclamar

      «– Eh, – bradou Brian, logo que o avistou, e acenando com a mão enquanto com a outra continuou atirando para o lume ramos partidos e galhos mais secos. – Conseguiste trazer tudo?» (Acampamento no Bosque, David Severn. Tradução de José da Natividade Gaspar. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1949, p. 120).
[Texto 3198]
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«Havia um bom bocado»

O passado no passado

      «Já o crespúsculo começara, havia um bom bocado, quando Derek saiu com a bicicleta da estrada e meteu pela relva seca do monte» (Acampamento no Bosque, David Severn. Tradução de José da Natividade Gaspar. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1949, p. 85).
[Texto 3197]
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«Porta-voz», uma acepção

Este desapareceu

      «Continuava a não haver sinais de Derek, embora Brian gritasse mais uma vez, empertigando-se na beira do monte, com as mãos a fazerem de porta-voz à roda da boca» (Acampamento no Bosque, David Severn. Tradução de José da Natividade Gaspar. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1949, p. 85).
      Porta-voz, neste caso, é o «aparelho destinado a amplificar e dirigir o som», e não a «pessoa que transmite as ideias, decisões ou opiniões de outrem, nomeadamente de uma entidade oficial ou particular», como se lê, por exemplo, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

[Texto 3196]
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«Arrendar/alugar»

Ele sabia

      «– Sim, pensei poder arrendar ou comprar um bocado de terreno ali em cima, – explicou Crusoe. – Ali, ao pé da mata, o terreno não presta para cultivar e, por isso, não me parece que...» (Acampamento no Bosque, David Severn. Tradução de José da Natividade Gaspar. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1949, pp. 37-38).
[Texto 3195]
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«Levantar», uma acepção

Pouco se vê, agora

      «– Foi um amigo meu que a levantou, – explicou Crusoe. ­– Anda a aprender para arquitecto e, por isso, recorri aos seus conhecimentos. Planeámos juntos a cabana. A construção, já se sabe, será muito simples... tão simples quanto nos for possível. Estão aí escritas todas as medidas, de forma que pode perfeitamente calcular a porção de madeira precisa» (Acampamento no Bosque, David Severn. Tradução de José da Natividade Gaspar. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1949, p. 47).
      É acepção — proceder ao levantamento de (uma carta, uma planta) — que nem todos os dicionários registam actualmente.
[Texto 3194]
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Sobre «capô»

Umas décadas antes

      «– Mas... mas... a culpa não foi dele?, ­– protestou Pamela. – Com certeza que tinha de pagar tudo o que fez!, – ajuntou, apontando para o capô amolgado e para o pára-brisas encaixado no meio das ortigas da vala» (Acampamento no Bosque, David Severn. Tradução de José da Natividade Gaspar. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1949, pp. 22-23).
      Alguns hão-de pensar que só com o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, é que passámos a ter estes aportuguesamentos. Pois lamento desiludi-los, mas não.

[Texto 3193]
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«Marinhagem», uma acepção

Arte de navegar

      «“Começa a ser complicado arranjarmos maneira de nos organizarmos todos”, diz Luís Bento, tripulante de um dos moliceiros da empresa Onda Colossal. “As pessoas que andam nas bicicletas não percebem de marinhagem e atravessam-se à nossa frente”, observa o tripulante» («Bicicletas aquáticas tentam coexistir com os tradicionais moliceiros nos canais de Aveiro», Maria José Santana, Público, 18.08.2013, p. 25).
      Na maioria dos casos, marinhagem é usado na acepção de conjunto de marinheiros; pessoal empregado na manobra de um navio. Aqui, porém, é o conhecimento das manobras náuticas.

[Texto 3192]
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O discurso do PM

Ordem, clareza e gramática

      «O dr. Pedro Passos Coelho foi ao Pontal, lugar sagrado da sua seita, onde se aliviou de um emaranhado de frases sem ordem, sem clareza e sem gramática. Parece que o nosso querido primeiro-ministro confia nas suas qualidades de improvisador e não se dá ao trabalho de escrever os discursos com que pretende informar os portugueses. Os portugueses ficam na mesma; e os comentadores de jornal ou de televisão tentam depois (e nem sempre conseguem) extrair algum sentido do que o cavalheiro disse. Anteontem, pareciam bruxas à volta de um endemoninhado. Nem o próprio público jantante o percebeu» («Portugal descansado», Vasco Pulido Valente, Público, 18.08.2013, p. 56).
[Texto 3191]
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