«Pôr em causa»

Mudança de paradigma

      Jornalista Nuno Rodrigues, no noticiário das 8 da manhã na Antena 1: «Tudo isto numa altura em que a directora-geral do FMI, Christine Lagarde, fala da necessidade de combater a dívida, mas sem colocar em causa o crescimento económico, Teresa Correia.»
      «Não obstante as liberdades concedidas pelo Decreto, era exigido ao matador deixar o chão bem limpo e sem sinais de violência, tanto quanto o necessário para não pôr em causa a moral ou a aparência de alguns costumes» (Entre Pássaro e Anjo, João de Melo. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 3.ª ed., 1993, p. 18).
[Texto 400]
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Sul do Sudão/Sudão do Sul

Do Sul

      A propósito de tio Google: este senhor, com uma memória prodigiosa mas um pouco desatinado, diz-me que Sul do Sudão é quase tão usado como Sudão do Sul. Ora, tendo em conta que boa parte das ocorrências (somente páginas de Portugal) dirá respeito à independência deste território do Sudão, pergunto a mim mesmo se esta polarização não é enganadora. Explico-me. Na minha ideia, devia usar-se Sul do Sudão apenas quando nos referimos ao território como parte integrante do Estado sudanês. Quando nos referimos ao novo Estado, usaremos Sudão do Sul – à semelhança de Coreia do Sul, Dacota do Sul, Carolina do Sul, Ossétia do Sul...
[Texto 399]
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Entre 20 e 40 mil

Duas grandes verdades

      Jornalista Nuno Felício, no noticiário das 2 da tarde de hoje na Antena 1: «Numa visita a Gouveia, esta manhã, o ministro [Nuno Crato] reconheceu que entre 20 a 40 mil professores não vão ser avaliados, e adiantou ainda que, mais do que computadores ou quadros interactivos, o que faz falta nas escolas é empenho.»
      «É a base; é a basezinha!», disse o abade sobre o latim, o latinzinho, mas saber português ainda faz mais falta.
[Texto 398]
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Colocação do pronome

Saberão os taxistas

      «Entre as coisas que desaparecem e fazem falta, muitas não têm importância nenhuma. Mas o efeito cumulativo de todas elas – que é sísmico – faz com que valha a pena mencionar cada uma. Desde os meus 25 anos que ando à caça de copos de vidro fininhos. Na Rua de São Bento, em Lisboa, no encalço dos restos das fábricas condenadas da Marinha Grande – imaginando-me o anjo vingador dos irmãos Stephens –, dei por duas vezes com a Amália Rodrigues, incandescente e espirituosa, que morava e continua a morar naquela rua, como todos os taxistas de Lisboa sabem e orgulham-se de saber. Disse-me coisas que nunca mais esqueci. Era incapaz de dizer uma coisa que se pudesse esquecer» («Escrito no vidro», Miguel Esteves Cardoso, Público, 15.08.2011, p. 31).
      Pode ter que ver com o ouvido, mas eu anteporia o pronome ao verbo, pela atracção exercida ainda, pese embora o afastamento, pelo pronome indefinido: «como todos os taxistas de Lisboa sabem e se orgulham de saber».
[Texto 397]
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Palavras para o tempo

É um avanço

      Sabemos bem como a noção do tempo, que não é inata, nas crianças é confusa e imprecisa. Agora, porém, a minha filha (que resolveu, depois de saber fazê-lo em inglês, aprender a contar até dez em português e em italiano), inesperadamente, sentiu necessidade de ser mais precisa e passou a usar a palavra «trasantontem», que jamais me ouviu. Vá lá, podia dizer, como se ouve em algumas zonas do País, «ontesdonte(m)».
[Texto 396]
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Sobre «nortenho»

Não para mim

      «Respondo por todos: sim, trabalhamos pouco. Também ganhamos pouco. E o nosso clima é muito bom — não apenas muito melhor do que o vosso, que é pobre. Daí que haja dias bonitos — ou apenas sem frio, chuva ou falta de céu azul — em que apeteça menos trabalhar para ocupar o tempo. Também vocês, nortenhos e trabalhadores, com climas sem tentações, quando cá vêm, pouco trabalham e muito desfrutam. Ponham-se no nosso lugar. Sempre que puderem. Ou tenham essa sorte. Que não é a vossa, senão quando cá vêm. Que é sempre que podem. Sempre bem-vindos» («Então está bem», Miguel Esteves Cardoso, Público, 14.08.2011, p. 53).
      Talvez apenas em dicionários brasileiros e nos mais antigos portugueses se encontre actualmente a definição de que «nortenho» é o relativo (ou natural ou habitante) ao Norte de Portugal. A maioria dos dicionários da língua portuguesa editados neste lado do Atlântico regista somente que diz respeito ao Norte; alguns, poucos, registam que diz respeito em especial ao Norte de Portugal.
[Texto 395]
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Linguagem

Nada de gralhas, mais uma vez

      «Não consigo é parar de ler quando estou enlevado. Nem sou capaz de abandonar um livro para fazê-lo durar mais tempo. É a única regra. Mas é raro o romance que não tenha longueurs. Por outro lado, há livros menos bons que são viciantes e que nos obrigam a lê-los até ao fim, sejam mais curtos (The Small Hand, de Susan Hill) ou mais compridos (The Stranger’s Child, de Alan Hollinghurst)» («O vira dos livros», Miguel Esteves Cardoso, Público, 13.08.2011, p. 39).
      Prefiro, e não sou o único, colocar o pronome antes do verbo («fazer», no caso), visto este estar no infinitivo precedido de «para». (E, desta vez, não será um anglicismo a empecer a leitura do texto, mas um galicismo.)
[Texto 394]
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Acordo Ortográfico

Logomaquias

      «No PÚBLICO de 9 de Agosto, Fernando dos Santos Neves apresenta “onze teses contra os inimigos do Acordo Ortográfico”. Vendo bem, não são onze teses. Fernando dos Santos Neves limita-se a contabilizar os parágrafos do seu texto e nem todos são teses. Alguns parágrafos repetem, por outras palavras, o que é dito em parágrafos anteriores; outros limitam-se a insultar quem está contra o Acordo Ortográfico.
      Na verdade, o texto de Fernando dos Santos Neves assenta em dois ou três pressupostos que já foram por diversas vezes rebatidos, inclusivamente neste jornal, mas que, aparentemente, teremos de continuar a rebater.
      Diz Fernando dos Santos Neves que o Acordo Ortográfico é apenas um Acordo sobre a ortografia “e não um Acordo sobre o vocabulário, a sintaxe, a pronúncia, a literatura e tudo o resto”. Não é um Acordo sobre o vocabulário?! Não prevê o AO “um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível” — o qual, diga-se de passagem, ainda não existe?» («Acordo Ortográfico: o que importa, agora, é rejeitá-lo de vez», Rui Valente, Público, 13.08.2011, p. 36).
      Estarão Fernando dos Santos Neves e Rui Valente, que se apresenta como subscritor da Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da entrada em vigor do AO90, a falar do mesmo?

[Texto 393]
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Caracteres especiais

É diferente

      Na obra pergunta-se se será significativo, patético ou irrisório «que, numa casa romena, os retratos detestados de Ceausescu tenham sido substituídos por fotografias, recortadas de revistas, das personagens da série televisiva Dallas». No original lê-se Ceauşescu, com o carácter especial ş, que equivale a um dígrafo. Ninguém, contudo, mudará a grafia — porque não é costume entre nós grafar esse nome com os caracteres originais. Mas também aparecia o nome Raphael Confiant e alguém emendou para Raphaël.

[Texto 392]
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Concordância

Aprender com os melhores

      «Esta gafanhotice literária só é possível com e-livros, seja qual for o e-leitor. Com uma pilha de livros, mesmo sendo-se afoito, dá um certo trabalho mudar de comboio. Então numa esplanada. Não: as voltas do Kindle sou eu quem as dou» («O vira dos livros», Miguel Esteves Cardoso, Público, 13.08.2011, p. 39).
      Fosse a frase analisada por Mimi Costa, que provavelmente não liga a gralhas, no Algodres Online e a sentença seria breve: «[...] o pronome relativo “quem” (que é um pronome da 3. ª pessoa do singular e significa “a pessoa que”), obriga a utilizar sempre essa 3.ª pessoa do verbo (fez). Assim, evite dizer: “sou eu quem escrevo” ou “são eles quem resolvem”». Quase desapareceu da escrita literária, mas a verdade é que é absolutamente correcta esta concordância com o pronome relativo quem. Nestes casos, citam-se exemplos de Fernando Pessoa («Sou eu quem descrevo»), Jorge Amado («Eram os filhos, estudantes nas Faculdades da Baía, quem os obrigavam a abandonar os hábitos frugais») e, para os mais exigentes, Rui Barbosa («Sou eu quem perco») ou Gonçalves Dias («Sou eu quem prendo aos céus a terra»).
[Texto 391]
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Ensino

Sabe ele o seu português?

      Se bem que afirme que os professores são «sobretudo vítimas e não tanto responsáveis», Carlos Reis não deixa de fazer a pergunta retórica: «Quando isso acontecer, talvez se atente na relevância de componentes tão decisivos como os professores e a sua formação — uma outra formação, aliviada do peso atrofiante das ciências da educação, que disso temos que sobre. Com o devido respeito, formulo uma pergunta que talvez pareça provocatória: os professores de Português sabem português com a profundidade que se exige a quem ensina? Estudaram devidamente o idioma, a sua história, os seus cambiantes socioletais e as suas variações geolinguísticas? Dominam a gramática da língua e a sua terminologia? Conhecem os escritores que têm feito do português um grande idioma de cultura? Leram Sá de Miranda, Herculano, Camilo, Cesário Verde, Machado de Assis, Carlos de Oliveira, Agustina ou Luandino Vieira? Distinguem-nos dos pífios escritores da moda “consagrados” em livros escolares pouco criteriosos? Dispõem de instrumentos e de disposição para indagações linguísticas e literárias que vão além das banais ferramentas da Internet? As perguntas são embaraçosas, mas têm que ser feitas, mesmo sabendo-se que há exceções ao que temo seja a regra» («Sabe ele o seu português?», Carlos Reis, Público, 12.08.2011, p. 30).
[Texto 390]
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Acordo Ortográfico

Genocídio cultural, estético, racional e político

      Miguel Esteves Cardoso escreveu mais uma vez (e, com sorte, não será a última) sobre o Acordo Ortográfico na sua crónica no Público: «Muitas coisas pedimos ao Verão e a Agosto, que o Acordo Ortográfico (AO) já despromoveu para verão e agosto. Para tomarmos banho, exigimos calor, sol e mar manso. É uma coincidência muito rara e uma desculpa muito boa para ficar na esplanada, a beber Água das Pedras ou, se calhar, na volta, água das pedras.
      Foto-reportagem passa a ser fotorreportagem (com um érre a mais, que não pertence nem a “fotor” nem a “rreportagem”) e mini-saia exige, pela perda do hífen, um ésse a mais: minissaia. Que artigo de vestuário é que é mini? É a “ssaia”, pois claro. Embora defenda o hífen, não sou totalmente sectário. Escrevemos “hás-de” e o AO manda, com razão, esquecer o hífen. “Hás de” é mais bem grafado do que “hás-de” e, na volta, é capaz de remover o incentivo analfabeto para dizer “há-des”.
      Mesmo assim, apesar de menos de uma mão-cheia de mudanças que fazem sentido, o AO é um acto de genocídio cultural, estético, racional e político. O AO é como querermos unir, à força, os verões e os climas brasileiros, portugueses e cabo-verdianos, procurando semelhanças superficiais e despromovendo diferenças profundas, só para chegarmos à conclusão que todos sentimos frio e calor e que todos somos molhados pela chuva.
      Por muito que aceditemos [sic] no contrário, os nossos tempos, como as nossas línguas — e as maneiras como as escrevemos graficamente — são parecidos de mais para fingirmos que somos diferentes. Mergulhamos no conhecido e aprendemos como deve ser» («Calor e mar bravo», Miguel Esteves Cardoso, Público, 12.08.2011, p. 33).
      É impressão minha ou o último parágrafo também poderia rematar qualquer texto de um paladino (ou fanático, segundo outros) do Acordo Ortográfico como Fernando dos Santos Neves? Que acha, Fernando Venâncio?
[Texto 389]
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Regência: «precisar»

Apesar de Camilo e de Bocage

      A autora quis que a frase ficasse sem a preposição, porque, alegava, com preposição era, tinha aprendido, errado se se lhe seguia um verbo no infinitivo, mas já não quando seguido de substantivo ou pronome. «E então, *** despediu-se com o pretexto de que precisava urgentemente beber água.» O Dicionário Houaiss resume bem, creio, a questão: «Na actual norma portuguesa da língua, este verbo, quando na acep. de ‘ter necessidade de’, pede objecto indirecto; há, porém, bom número de abonações de autores portugueses clássicos, como Camilo e Bocage, que o empregaram com transitividade directa; na verdade, na língua, a regência deste verbo oscila entre uma coisa e outra, com peso maior para o objecto indirecto, tanto no Brasil como em Portugal, excepto quando a ele se segue outro verbo no infinitivo, caso em que, em Portugal, se usa sempre seguido de preposição (preciso de fazer, precisava de sair, precisou de se explicar), enquanto, no Brasil, tal emprego tem vindo a rarear (preciso fazer, precisava sair, precisou explicar-se).»
[Texto 388]
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Sobre «motim»

Talvez tenha razão, Sr.ª Abbott

      «A palavra motins não é correcta para descrever os saques na Inglaterra. Anteontem a BBC ralhou com Diane Abbott, a deputada por Hackney North e Stoke Newington, por ter falado em “pilhagens recreativas”. Abbott, uma mulher desde sempre de esquerda, defendeu-se bem, dizendo que a pilhagem era roubo e tanto a pilhagem como o roubo eram crimes. A pilhagem era recreativa — não só porque dava lucro e prazer, mas, sobretudo, porque nada tinha de sério ou de político, no sentido altruísta e, por conseguinte, ideológico» («Uma questão de tempo», Miguel Esteves Cardoso, Público, 11.08.2011, p. 31).
Por coincidência, ao ouvir hoje, mais uma vez, a palavra num noticiário da Antena 1, também me pus a reflectir se está a ser usada com propriedade neste caso. Mas talvez, pois motim é, como se lê, por exemplo, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, «rebelião, geralmente organizada, contra a autoridade estabelecida, tumulto popular, sublevação, revolta, arruaça».
[Texto 387]
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Léxico: «claustrim»

Novidades e coisas velhas

      Lê-se na página na internet da RTP que «o Museu Nacional do Azulejo [o MNAz, lê-se por aí] dedica um programa à “multiculturalidade”, que vai desde uma visita orientada ao azulejo como “reflexo multicultural”, às 18h30, passando por um “recital dos oceanos” no claustrim, às 19:45, seguindo-se uma “missa criolla” composta pelo argentino Ariel Ramirez (1921-2010) na Igreja da Madre Deus, às 21:00, e finalmente uma noite de fado de Lisboa e de Coimbra no Jardim de Inverno, às 22:15». (Misa Criolla, na verdade, composta na década de 1960, quando o Concílio Vaticano II passou a permitir a celebração da missa em vernáculo. E Ramírez é assim que se escreve.)
      Não está registada em nenhum dicionário — mais uma —, mas está correcto: é um claustro pequeno. Com recurso ao sufixo -im, formámos outros, poucos, vocábulos, como cornetim, espadim, farolim, flautim, fortim...

[Texto 386]
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Tradução: «marronage»

Serve

      «E assim a marronagem histórica...» É cópia do francês marronage, que designa o acto de os escravos se evadirem (a que, actualmente, se acrescentou a acepção de resistência à cultura dominante). O Dicionário Francês-Português da Porto Editora dá como tradução de marronage «exercício ilegal de uma profissão», «fuga, evasão de escravos». Marron é, em francês, castanho, como sabem, mas pelo mesmo vocábulo também se designava o fugitivo, o gentio, o ilegal e o clandestino. Ora, não é raro ver, em especial em autores brasileiros, para referir a mesma realidade, a palavra, que a maioria dos dicionários não regista, «quilombolismo».
[Texto 385]
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Como se fala na televisão

É da pura emoção

      Nos tumultos na Grã-Bretanha, disse a jornalista Margarida Neves de Sousa, que estava ontem em Croydon, a sul de Londres, morreu um homem de 26 anos. «Mas há uma segunda pessoa, que está neste momento em perigo de vida no hospital, eu falo do homem na casa dos seus 60 anos, com graves lesões na cabeça por ter sido, digamos assim, batido com um bastão de metal quando tentava proteger também a sua loja.»
      Agora todos sofrem: as crianças abusadas e os homens batidos. E sofre a gramática, como escreveu Monteiro Lobato nas Cidades Mortas, umas tantas marradas.
       Vejam se vislumbram alguma semelhança com este «batido»: «Era ministro do Interior um militar, homem façanhudo, que, por hábito profissional e ainda por ter sido batido na guerra de Marrocos, só na fôrça acreditava» (A Curva da Estrada, Ferreira de Castro. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1960, 1960, p. 90).
[Texto 384]
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Linguagem

Essa é boa

      Disse-lhe que Úrano (ou Urano, como alguns querem) tem 27 luas, todas com nomes retirados da obra de Shakespeare, como Cordélia, Ofélia, Bianca, Puck, Rosalinda, Desdémona, etc. Surpresa e pergunta: «E Shakespeare foi buscar esses nomes às luas?» E aqui alguém, traduzindo, escreveu: «Charon era o barqueiro que transportava as almas através do rio Styx

[Texto 383]
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Acordo Ortográfico

Pois parece

      Fernando dos Santos Neves, criador da primeira licenciatura portuguesa de Ciência Política, tem na edição de hoje do Público as «Onze Teses contra os inimigos do Acordo Ortográfico». Eis a segunda «tese»: «O “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa” quer ser isso mesmo e nada mais: um acordo sobre a ortografia e não um acordo sobre o vocabulário, a sintaxe, a pronúncia, a literatura e tudo o resto (que é, indubitavelmente, o mais importante) que constitui uma língua viva e, ainda por cima, uma língua potencialmente universal como a língua portuguesa e até uma das pouquíssimas línguas potencialmente universais do século XXI, como já Fernando Pessoa anteviu nos princípios do século XX.»
      Parece mentira, mas há quem — mesmo professores, a um mês de terem de ensinar a nova ortografia — não saiba isto. Claro que, ao contrário do que parece decorrer do texto, não é isso, ser «meramente» um acordo ortográfico, que o torna inócuo. E por mentiras: afirmar-se que vai contribuir para a unificação da língua portuguesa é uma grande mentira, que só o tempo, e não será decerto o nosso, vai desmascarar.

[Texto 382]
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Ortografia: «binariedade»

Também falta

      «La binarité n’est pas...» «A binaridade não é...» Pois não, a «binaridade» não é, ou seja, não existe. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, decerto que o mais usado entre nós, não regista o termo, o que explica, pelo menos em parte, que mesmo profissionais da palavra, como um tradutor, vão atrás do francês.
      Já tinha proposto a mnemónica no Assim Mesmo: se o adjectivo do qual deriva o substantivo abstracto (isto é, os que designam acções, noções, estados e qualidades) termina em -io (tais como -ário, -ório ou -úrio), o substantivo terá um e entre o i e o d, regra que já vem do latim. Assim, será binariedade.

[Texto 381]

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Ensino

O sujeito foi-se

      «O grupo cicatrizava-se depressa, mas o garoto, com a alma pesada, andava quilómetros para tornar a ver os seus amigos, os lugares felizes, e de cada vez era mais difícil reconstituir a antiga comunhão, até que vinham a indiferença e a hostilidade e o rapaz desaparecia definitivamente, talvez ajudado por amizades novas e novas terras.»
      É um excerto da obra A Bagagem do Viajante, de José Saramago (Lisboa: Editorial Caminho, 2.ª ed., 1986). Constava na prova escrita de Português do 12.º ano realizada em Junho. À pergunta em que se pedia que se identificasse a função sintáctica desempenhada pela expressão «a indiferença e a hostilidade», só 20 % dos alunos responderam bem. Para João Costa, um dos autores da revisão da TLEBS, este descalabro veio precisamente mostrar que não é a mudança da terminologia que está em causa pois o termo «sujeito» «está inalterado desde Aristóteles e devia ser conhecido dos alunos desde o 3.º ou 4.º ano de escolaridade». Eu vejo as coisas de forma diferente: se os alunos não dominam matéria tão elementar agora, muito pior será com a alteração da terminologia. Só numa frase como «O sujeito foi-se» é que a situação se invertia. Invertia, reparem: ainda assim, 20 % dos alunos não saberiam que «sujeito» era sujeito.
[Texto 380]
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Revisão

Há sempre uma primeira

      Com os anos que já levo de revisor, nunca tinha sido referido, num contrato (das raríssimas vezes em que há contrato) por «criador intelectual». E também nunca me tinha acontecido que, numa tradução, uma personagem secundária aparecesse no início como radiologista e mais para o fim como psiquiatra. Autor, revisor e tradutor não viram o erro. Tenho outras histórias bem interessantes (algumas só posso contar nas minhas memórias), mas esta talvez as supere na cegueira que revela.
[Texto 379]
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Linguagem

Ainda bem que fala nisso

      «Das coisas que mais custa ver é uma pessoa inteligente e criativa, quando nos está a contar uma opinião ou um acontecimento, ser diminuída pela falta de vocabulário — ou de outra coisa facilmente aprendida pela educação. A distribuição humana de inteligência, graça, sensibilidade, sentido de humor, originalidade de pensamento e capacidade de expressão é independente da educação ou do grau de instrução. Em Portugal e, ainda mais, no mundo, onde as oportunidades de educação são muito mais desiguais, logo injustamente, distribuídas, é não só uma tragédia como um roubo» («A devida educação», Miguel Esteves Cardoso, Público, 5.08.2011, p. 33).
      «Uma das que mais custa»? E o vocabulário aprende-se através da educação ou da instrução?

[Texto 378]
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«Mau como as cobras»

É sempre bom ver

      Mais uma daquelas expressões que se repetem em diversas línguas: «He was brilliant in battle and mean as a snake to everyone around him.» «Era um guerreiro brilhante, e mau como as cobras para todos os que o rodeavam.»
      «Fartavam-se, por exemplo, de esperar aqueles monarcas antigos, maus como as cobras, mas que deixaram tantas rasas de dobrões à Igreja que fechar-lhes a porta equivaleria a deitar abaixo todos os estatutos do penitológio romano» (Humildade Gloriosa, Aquilino Ribeiro. Lisboa: Bertrand Editora, 1954, p. 307). (Ah, sim, e «penitológio», que os dicionários também não registam, é termo muito da predilecção de mestre Aquilino, ou não fosse ele ex-seminarista.)

[Texto 377]
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Tradução: «mantelpiece»

[Mantelpiece.jpg]

Outra solução

      «On the mantelpiece is a photograph in Lucite of two old people I don’t know.» «Por cima da lareira...», verteu o tradutor. É outra solução, em vez de cornija ou lintel da lareira. Bem melhor, na verdade, que «prateleira da lareira» ou, abrenúncio!, «escarpa da lareira».
[Texto 376]
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Tradução: «tilt-a-whirl»

Maluca é, de certeza

      «The big round cars for the Tilt-a-Whirl…» «As cabines enormes e redondas do Tilt-a-Whirl…» Hã? Este divertimento de feira não tem nome em português? Estou mesmo a ouvir um miudito alentejano a dizer à mãe que quer andar no tilt-a-whirl... No ProZ, sugerem «xícara maluca» (já ouviu, caro Paulo Araujo?) ou, para Portugal, «cadeira maluca».

[Texto 375]

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Léxico: «rami»

Afinal, não é chinês

      A minha mulher veio agora mostrar-me uma camisola muito bonita. Pôs-se a ler a etiqueta, o que nela é quase um ritual. Deixo-me sempre rir. «Tem ramie, diz aqui. O que é?» Pois, também não sei. Cá está: é uma fibra natural. «A mais longa, resistente e sedosa das fibras vegetais», lê-se no Dicionário Houaiss. Claro, a etiqueta não está em português. Em português escreve-se «rami» (Boehmeria nivea), o arbusto, a fibra e, por metonímia, o tecido fabricado com essa fibra. A etimologia, segundo aquele dicionário, é malgaxe. Corre mundo, como seria de prever, a forma anglicizada ramie.
[Texto 374]
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Dicionários

Dicionários...

      Há dias perguntaram-me se o vocábulo «porcalhice» era regionalismo. Não compreendo porque não está dicionarizado. Vejam, por exemplo, os vocábulos relacionados com «pátria» e «patriota». Num breve périplo pela obra de Eça de Queirós, Rui Barbosa ou Fialho de Almeida, podemos encontrar os derivados «patriotaça», «patriotada», «patriotador», «patriotagem», «patriotarreca», «patriotasno», «patrioteiramente», «patrioteiro», «patriotice», «patriotinheiro», «patriotista»... Quantos destes podemos ver acolhidos nos principais dicionários? E os que não estão deviam estar?
[Texto 373]
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«Empregue/empregado»

O horror! O horror!

      «O meu amigo Pedro Ayres vinha a Colares e sugeriu que nos encontrássemos no Café da Várzea, para nos cumprimentarmos. Há décadas que não ouvia este verbo — cumprimentar — bem empregue. Mas foi o que fizemos. Bebemos e comemos cafés e queijadas; falámos disto e daquilo — enfim, cumprimentámo-nos bem cumprimentados» («A chuva dos patos», Miguel Esteves Cardoso, Público, 3.08.2011, p. 31).
      É, no mínimo, estranho, parece-me, dizer-se «bebemos e comemos cafés e queijadas». E no máximo, pergunta o leitor? Errado. Quanto ao «empregue», já estou a ouvir Montexto exclamar, escamado: «O horror! O horror!» E podia ou não fazer o favor de nos dizer que citava Kurtz. Remataria: «Grassam grossas e grosseiras as formas “foi empregue, foi encarregue”.»
[Texto 372]
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Léxico: «reptação»

Coisa de cobras

      «La Traite passe par la porte étroite du bateau négrier, dont le sillage imite la reptation de la caravane dans le désert», lia-se no original. E a tradução: «O Tráfico passa pela porta estreita do barco negreiro, cuja esteira imita a reptação da caravana no deserto.» No caso, o que nos interessa é somente o vocábulo «reptação», que não se lê muito por aí. No contexto, é o acto ou efeito de reptar, de rastejar, como uma cobra faz. Reptação, porém, é polissémico. Também significa, como se lê na Infopédia, «num sentido amplo, é a migração lenta de materiais móveis, em geral detritos de pequena dimensão, numa vertente de fraco declive, em que ocorre um deslize e agrupamento de partículas umas em relação às outras. É também o deslizamento lateral de grãos de areia, cuja causa é o choque repetido de outros grãos de areia arrastados pelo vento. Segundo alguns autores, pode considerar-se reptação o deslizamento linear e individual de detritos de pequeno tamanho no fundo dum talvegue de um rio».

[Texto 371]
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Tradução: «usher»

Muito medieval

      «She was being a bridesmaid and he an usher at a wedding there...» «Ela fora dama de honor e ele escudeiro num casamento que se realizara lá...» «Escudeiro» não me soa. «The role of the usher», leio aqui, «was traditionally given to a family member of the groom but in these modern times ushers have also been members of the brides family or close friends. To every 50 guests there should be an usher.» Não será mais adequado traduzir por «mestre-de-cerimónias»? Por outro lado, se dama de honor nos remete de imediato para casamento, também é verdade que começou por ser a dama que assistia, junto da rainha ou princesa, a certas solenidades e recepções da corte.
[Texto 370]
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Pensilvânia Holandesa

Não sabem o que perdem

      Isto fez-me lembrar o que escrevi aqui sobre a Batalha de Waterloo (quanto à polémica de Camilo, ainda não reencontrei, e será difícil por enquanto, nada). A região de Lancaster, a 120 quilómetros de Filadélfia, é conhecida como Pensilvânia Holandesa pela grande concentração de residentes de ascendência alemã. Muitos pertencem à seita religiosa Amish, que evita usar a tecnologia moderna e todas as facilidades actuais. Logo, não deveria ser Pensilvânia Alemã? Mas não, não é.
[Texto 369]
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Léxico: «vomição»

Eriça-se, brava

      Lia-se no original: «There were innumerable vomitings, more or less disastrous.» E agora, como traduzir «vomitings»? Como verteu o tradutor? Simples: «Houvera um número incalculável de vomições, mais ou menos desastrosas.» Mas é vocábulo quase remetido ao silêncio dos dicionários. «A terminologia científica eriça-se brava: “ex-abrupta vomição do seu hidropírico Antisana”, “campos em clorido diaphonorama”...» (Crônicas inéditas: 1930-1944, Manuel Bandeira. São Paulo: Cosac Naify, 2008, p. 97).
[Texto 368]
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Acordo Ortográfico

O vocalismo átono

      No Público, prossegue o debate em torno do Acordo Ortográfico de 1990. Do texto de Francisco Miguel Valada de hoje, extracto o que me parece mais relevante.
      «Lendo o texto de Jorge Miranda (escrito segundo o AO90), reparo que, relativamente às constituições americana e brasileira e para indicar os artigos correspondentes, utiliza o advérbio de modo “respetivamente”, sem C. Partindo do princípio de que o Diário da República a partir de 1.1.2012 utilizará esta grafia, convido Jorge Miranda a ler atentamente o Diário Oficial da União (o homólogo brasileiro do DR) e a verificar que “respectivamente”, com C, é a forma usada. A partir de 1.12.2012, teremos “respetivamente” no DR e “respectivamente” no DOU. Actualmente, temos “respectivamente” em ambos. A divergência entre grafias é criada pelo instrumento que Jorge Miranda imagina como a concretização de “ortografia com um mínimo de diferenças”.
      Espero que Jorge Miranda se tenha dado conta da simultaneidade da discrepância criada pelo AO90. Seria desnecessário repetir, mas por vezes é necessário: esta discrepância não existia antes do AO90. Além de “respectivamente” e “respetivamente”, temos também “receção” em Portugal e “recepção” no Brasil, “aspeto” em Portugal e “aspecto” no Brasil, “conceção” em Portugal e “concepção” no Brasil. Reparará que, actualmente e em ambas as costas atlânticas, se escreve “recepção”, “concepção”, “respectivamente” e “aspecto”. Estas divergências gráficas (fiquemo-nos por este aspecto e nem entremos no carácter irrestrito do conceito “facultatividade”) são criadas pelo AO90.
      Seguindo o raciocínio de Jorge Miranda, verifica-se que a aplicação do AO90 nos dois jornais oficiais conduzirá à situação contrária da por si defendida. Algo de errado se passa no raciocínio? Não. Algo de errado se passa no AO90. Entre a realidade das duplas grafias criadas pelo AO90 e o desiderato de Jorge Miranda “uma ortografia com um mínimo de diferenças revela-se indispensável” o fosso é enorme. Este fosso leva-me a partir do princípio de que a função de papel para forrar gavetas dos pareceres científicos solicitados pelo poder político foi devidamente cumprida: não foram lidos.
      Pergunta Jorge Miranda: “Por que razão havia de ser o português europeu a determinar a língua escrita em confronto com o português do Brasil, usado por quase 200 milhões de pessoas?”. O português europeu não deve determinar a forma escrita de qualquer outra das normas, nem qualquer dessas normas deve determinar a norma escrita do português europeu. Isto, em termos programáticos. Agora, quanto ao resto, no que diz respeito ao português europeu, já aqui se referiu o processo do vocalismo átono, factor importante e diferenciador de realidades da língua portuguesa.
      Para que Jorge Miranda perceba o que é o processo do vocalismo átono, convido-o a fazer como na Idade Média: em vez de ler silenciosamente este texto, leia-o em voz alta e verifique que as sílabas na sua maioria são átonas e que, dessas átonas, praticamente todas são reduzidas. Praticamente. Porque há excepções que podem ser marcadas por, imagine-se só, uma consoante não pronunciada. Como esta palavra que acabo de escrever: “excepções”. A palavra “excepções” constitui uma excepção à regra, tal como a palavra excepção. Parece complicado, mas não é. Agora, se Jorge Miranda convidar um falante de português do Brasil a ler este texto em voz alta, descobrirá um admirável mundo novo. E descobrirá o porquê de “exceção” no Brasil e de “excepção” em Portugal.
      Após nove anos de itinerância pela Europa institucional, confesso não ter percebido como é que através do AO90 se poderá “afirmar o português, o português internacional, na União Europeia”, como refere Jorge Miranda. Através da introdução de “aspetos” e “conceções” que eram “aspectos” e “concepções” em Portugal e no Brasil e que agora só são “aspectos” e “concepções” no Brasil? Confesso que não percebo e admito que gostaria imenso de perceber» («Aspectos & aspetos: a simultaneidade da discrepância», Francisco Miguel Valada, Público, 2.08.2011, p. 28).

[Texto 367]
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Tradução: «test drive»

Fica a demonstração

      Sobre low cost já estamos conversados. Agora em relação a test drive, o que podemos fazer? Vejam esta frase: «It was a demonstrator, and would be driven by ***, the Cadillac distributor.» O tradutor verteu assim: «Era um carro que se usava para fazer demonstrações, e devia ser conduzido por ***, o agente da Cadillac.» Isto, porém, foi há cinco décadas, agora não resistiram a traduzir com recurso a... test drive! Fica a proposta: traduzir test drive por «demonstração». O contexto quase sempre guia o leitor para o sentido.
[Texto 366]
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«Bem», adjectivo invariável

O desgosto do vilegiaturista

      Agora que Montexto está em vilegiatura, aproveitemos para falar desta questão. Lê-se no original: «Pretty soon there would be a whole colony of Jews in the neighborhood, and the *** children and all the other nice children in the neighborhood would grow up with Jewish accents.» A tradução, que data de 1963, diz o seguinte: «Muito em breve haveria, na vizinhança, uma autêntica colónia de judeus, e os filhos dos *** e as demais crianças bem adquiririam o acento semita.»
      Esta acepção do adjectivo invariável «bem» («criança bem»/crianças bem») ainda não estaria, certamente, registada no início da década de 1960, mas ei-la a ser usada numa tradução literária. «Bem»: conveniente; socialmente irrepreensível. Espero que a famigerada 8.ª edição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora registe a acepção.
[Texto 365]
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Pronome de tratamento

Oh, Senhor!

      O Frente-a-Frente de terça-feira passada, entre o senhor Alfredo Barroso e a senhora Teresa Caeiro, na SIC Notícias, aqueceu, tudo porque estes senhores se ofendem se alguém os trata por senhor. Oh, Senhor! «Eu não fui indelicado. A senhora já foi indelicada comigo. Já me começou a tratar por senhor Alfredo» (Jornal das 9, SIC Notícias, 28.07.2011). Estas altas personagens ficam ofendidas com um pronome de tratamento que indica delicadeza!
[Texto 364]

 

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Linguagem

Assim fala Passos Coelho

      «Por momentos, ontem, o Parlamento entrou num pronto-a-vestir, pela voz do cantor de fado, como em tempos lhe chamou a revista brasileira Veja. “Fiquei satisfeito de saber que a Europa se estava a vestir de mecanismos mais eficientes contra o risco sistémico.” Os deputados entreolharam-se a pensar que estranha marca de vestuário seria aquela, mas logo tiveram uma possível resposta. É roupa preparada para o Outono/Inverno: “Hoje, a Europa está em condições de se resguardar melhor”, explicou Passos Coelho. As metáforas com roupa atraem o primeiro-ministro. Antes de o ser, em Março, já dizia que “se fosse primeiro-ministro, não estávamos hoje com as calças na mão, a impor mais um plano de austeridade porque o Estado não cortou onde era necessário”. O imposto extraordinário é outro retalho, está visto» («O pronto-a-vestir da Europa para não ficar de calças na mão», Diário de Notícias, 30.07.2011, p. 13).

[Texto 363]
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Linguagem

Cresceu

      Há largos meses que eu o tinha recomendado, agora aconteceu: «Valter Hugo Mãe está sempre “à procura” de formas de reinventar a prosa. Com lançamento previsto para Setembro, o novo romance, O Filho de Mil Homens (Objectiva/Alfaguara), é, segundo o escritor, “um livro diferente dos outros” que já publicou. Para começar: um adeus às minúsculas. “Acredito que as pessoas vão reconhecer o meu estilo, mesmo com as maiúsculas e com dois pontos; antes só usava ponto e vírgula”. Estética à parte, até porque, diz, não é o mais importante, aqui é campo de experimentação, este é o seu livro “mais cândido”» («Agora com maiúsculas», Vanessa Rodrigues, Notícias Sábado, 30.07.2011, p. 42).
      Os aspectos formais da escrita, de uma obra literária, são mera estética, Vanessa Rodrigues?

[Texto 362]
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