«Dição», de novo

Lisboa, MCMXLV

      Com ambas as mãos me benzo! Então não é que numa obra de Vasco Botelho de Amaral que tenho aqui à minha frente abundam as «dições»?! Temos aqui um problema, Fernando Venâncio. Só um exemplo: «Os Franceses, por exemplo, também dizem, em correspondente diçãoles diables se sont déchaînes. E à la diable lembre-se que quere dizer à doida, em desordem, à toa» (Meditações Críticas sobre a Língua Portuguesa, Vasco Botelho de Amaral. Lisboa: Edições Gama, 1945, p. 129). Vá, mais um exemplo, não vão pensar que foi lapso: «O protótipo do esquecimento do significado religioso está, a meu ver, nesta dição portuguesíssima, em que se aplica à palavra Deus (aliás, já desvanecida na interjeição que a contém) o grau diminutivo: adeusinho!» (ibidem, idem, p. 133).

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2 comentários:

Venâncio disse...

Paulo,

Ficção é vocábulo bastante mais temporão [ai, esse inspirador Montexto!].
Concretamente: «ficções» aparece já em 1552, na Primeira Década, de Barros, e «ficção» em 1567, na Crónica do príncipe dom João, de Góis.

Dispensa-se lembrar que o latinismo «ficción/ficciones» era, desde um século antes, correntíssimo em Castela, e que Barros e Góis eram, um e outro, devoradores de leituras castelhanas.

Nós inovámos no léxico, decerto, mas bem menos do que cá dentro acalentamos.

Anónimo disse...

Ora cá temos nós o famigerado gerúndio adjectivo dacalcadinho do franciú, pelo visto por obra e graça de entidade muito oficial: «Corpo Diplomatico Portuguez contendo os actos e Relações Politicas...» Lindo e muito necessário.
— Montexto

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