Léxico: «lanceta»

Se estiver certo, falta

      «Junta-se a Jaime Gama e os dois olhares clínicos dão o alerta: faltam duas lancetas, “a dos pulmões e a do reboque”. Russell nem queria acreditar. Com o primeiro [sic] furavam os pulmões, para depois se encherem de água e o cachalote flutuar. O do reboque servia para enganchar no magnífico cadáver flutuante, depois puxado até à costa pelos ínfimos barcos — explica o ex-MNE» («Mestre do Pico constrói bote baleeiro em New Bedford», Marina Almeida, Diário de Notícias, 17.03.2013, p. 25).
      Se está correcto, não consta dos dicionários, que registam, isso sim, uma acepção com alguma relação: pequeno cutelo pontiagudo usado nos matadouros para abater reses.

[Texto 2684]

Léxico: «rasta»

E mais esta

      «O principal suspeito é corpulento e usa rastas e ontem ainda não tinha sido capturado, segundo o DN apurou junto de fontes policiais» («Segurança reforçada após tiroteio à porta do restaurante», Luís Fontes, Diário de Notícias, 17.03.2013, p. 18).
      Ora, se o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista «rastafári», «rastafarianismo» e «rastafariano», não sei porque não há-de acolher também esta.
[Texto 2683]

Léxico: «nosocomial»

Manicómios e nosocómios

      «No relatório Saúde em Números, publicado em Janeiro deste ano pela DGS, há um capítulo dedicado às infecções nosocomiais da corrente sanguínea (INCS) nos hospitais portugueses onde se conclui que a prevalência aumentou de 3,2% em 1988 para 5,9% em 2010» («Governo vai dar prioridade ao controlo das infecções», Andrea Cunha Freitas, Público, 17.03.2013, p. 9).
      Quanto mais diversidade lexical, melhor, pelo menos desde que não sejam invencionices. Esta veio do grego, através do latim. Nosocomial: relativo a hospital ou às doenças que aí tratam.
[Texto 2682]

Tradução: «gap year»

E fazem eles bem

      «Dois anos depois de um empresário [Carlos Torres] ter desafiado dois jovens a interromperem os estudos e a viajarem pelo mundo, “para crescerem”, a discussão sobre as vantagens de uma pausa na actividade académica chega à Assembleia da República. Os ingleses, que há décadas criaram o conceito e a prática, chamam-lhe gap year. Os deputados do PS traduzem para “ano sabático” e pedem o apoio do Governo para o promover entre os alunos do ensino secundário» («Depois do 12.º ano, uma pausa para viajar», Graça Barbosa Ribeiro, Público, 17.03.2013, p. 10).
[Texto 2681]

Como se escreve nos jornais

Já sabemos como é

      «Neste “convite insistente e convicto à oração da praça e do mundo pelo Papa”, nesta “sugestão de colegialidade”, pedia Francisco para os crentes “não o deixarem sozinho, para lhe darem aquela força que, para quem crê, deriva de Deus, mas também da convicção e da fraterna participação do povo cristão”, escreveu o jornal. Depois, Francisco calou-se e curvou-se, “na humildade de uma inclinação do sumo pontífice que nunca antes tinha sido vista na loggia” de São Pedro» («Sentido de humor, gestos simples e palavras sérias», Sofia Lorena, Público, p. 3).
      A jornalista deve pensar que não há na língua portuguesa nenhuma palavra correspondente.

[Texto 2680]

Léxico: «héli»

Vamos ver se é desta

      «Proposta mais barata ganha concurso de ‘hélis’» (Valentina Marcelino, Diário de Notícias, 15.02.2013, p. 20). Também já propus que fosse registado no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora como redução de «helicóptero».
[Texto 2599]

Léxico: «casula»

Registe-se

      «Durante três dias, de 22 a 24 de fevereiro, mais de 20 restaurantes do concelho vão servir o prato tradicional desta época, à base de um enchido de ossos específico da região transmontana, o butelo, acompanhado das casulas ou cascas, as vagens de feijão secas» («Comer butelo garante entradas para museus», Diário de Notícias, 15.02.2013, p. 22).
      Regionalismo, com certeza, mas devia estar registado nos dicionários modernos (está no dicionário de Cândido de Figueiredo). O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, por exemplo, não o regista, quando regista muitos outros regionalismos. Casula é o nome que se dá à vagem de feijão, colhida quando está já baguda, mas não seca, e que acaba de secar à sombra.
[Texto 2598]

«Secretos», uma acepção

Que se guarda oculto

      «Tal como na carne de vaca e porco, a carne de cavalo tem cortes e nomes similares: há bifes do lombo, secretos, carne picada, entrecosto. Os pratos são os mesmos: é possível grelhar, guisar ou assar. Apenas o preço é diferente, nalguns casos 30% mais baratos» («Carne de cavalo vem das coudelarias e é mais barata», André Rito, Diário de Notícias, 15.02.2013, p. 16).
      Tão secretos, tão ocultos, que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora nem regista a acepção.
[Texto 2597]

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