Sobre «lusco-fusco»

Luz que foge


      «O sol não liga nenhuma à hora de nascer ou de se pôr. Como me explicou Sebastião Carvalho, numa carta, lusco-fusco vem do latim de “luz que foge”, pelo que nunca se pode aplicar ao amanhecer» («O bom tempo no mau», Miguel Esteves Cardoso, Público, 2.11.2010, p. 39).
      Fartei-me de rir com esta etimologia fantasista. Talvez o máximo que se possa dizer é que é de origem obscura, e nem o marquês de Pombal pode dizer o contrário. Uma coisa, porém, é certa: não falta quem, a começar pela minha mulher, esteja plenamente convicto de que lusco-fusco só designa o crepúsculo vespertino. Foge-lhes da compreensão um fenómeno que se chama extensão de sentido.

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