Selecção vocabular

O Senhor do Bonfim nos valha


      Na Pública de hoje («“Made in China”», p. 71), Ricardo Garcia quis fazer um exercício de estilo à volta das famigeradas fitas do Bonfim. «Amarra-se a dita cuja ao pulso, ao tornozelo ou seja lá onde for e ela vai-se desfazendo aos poucos, lentamente, até se partir — instante em que o desejo professado no momento do nó supostamente se realiza.» Os desejos professam-se? «Na Internet, encontrei um sítio que vende qualquer coisa advinda do Oriente: de cabos coaxiais a enormes gruas, de sacos para compras a bidões para gasolina, de torneiras a computadores, de estátuas religiosas a moldes para plásticos.» As coisas advêm? «Além disso, no fundo, somos todos iguais. Se hoje vivemos refestelados no conforto ocidental, é porque antecessores nossos deram cabo das florestas, conspurcaram os rios, poluíram o ar, exploraram o trabalho infantil e praticaram outros comportamentos cívicos de semelhante nobreza, em prol da acumulação de riqueza.» Praticam-se comportamentos?

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