«Desesma»?
5.11.10
Viva ou morta
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Procura-se: «Então porquê este cansaço, esta desesma até para falar, excepto para gritar de raiva?» (Solo Virgem, Turguiénev. Tradução de Manuel de Seabra. Lisboa: Editorial Futura, 1975, p. 159). Claro que pode ser gralha. Nem o recurso a um dicionário inverso nos deu qualquer pista.
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4 comentários:
Então, saí-me bem de Sherlock...
Realmente!
Eu li esse romance do grande estilista russo editado pela Civilização com o título de «Terra Virgem»; como não tenho a livralhada comigo, não posso dizer quem é o tradutor, de cujo nome já me esqueci (talvez Daniel Gonçalves?). Mas não me parece que se visse tão aflito para verter coisa assim corriqueira, que tivesse de pedir emprestado ao catalão verbo de que em Portugal e em português se pode dizer o que outrora Francisco Sanches da «mui nobre e alta ciência»: da qual nada se sabe, «quod nihil scitur».
Pelos vistos, desde algum tempo faz parte mais do que nunca dos costumes privados e públicos lusos pedir emprestado - verbo ou verba.
- Montexto
Com efeito, está explicado. Antes do resultado da investigação aturada do Sr. Paulo Araújo, eu já me tinha lembrado de procurar a naturalidade do tradutor, para depois repassar os provincianismos respectivos, mas não me lembrei da profissão.
Já tenho reparado em que ultimamente cada um procede como se tivesse o direito e até o dever de contribuir para a «evolução» da língua com uma palavra da sua formação ou deformação particular ou profissional. Tudo com a melhor das intenções e para maior glória da dita.
- Montexto
Ora aqui tenho o meu Turgueniev. E cá está: o tradutor a que me referia é realmente Daniel Augusto Gonçalves, e verte assim, sem haver mister de «desesmas» nem outros exotismos: «Acreditava realmente nesta causa? Acreditava no seu amor? «Oh, maldito esteta! Céptico!», murmuraram os seus lábios inaudivelmente. De onde provinha esse desinteresse, essa aversão a falar, a não ser que fosse aos gritos ou furiosamente?» (Terra Virgem, Livraria Civilização Editora, Os Clássicos Russos, 1975, cap. XVIII, p. 103).
— Montexto
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