Ortografia: «martainha»

Quentes e boas


      «As castanhas assadas e o vinho novo continuam a ser protagonistas da Feira de S. Martinho, que começou ontem em Penafiel e vai prolongar-se até ao próximo dia 21 deste mês, e nem a crise faz com que os visitantes deixem de comprar um quarteirão de castanhas e beber “uma malga” de vinho. […] A dois euros o quarteirão, Fátima Sousa tem vendido “ao mesmo preço” do ano passado» («Crise não atinge castanhas e vinho novo no São Martinho», Mónica Ferreira, Diário de Notícias, 12.11.2010, p. 21).
      Não sabia que as castanhas assadas eram vendidas ao quarteirão. Bem, mas há outras questões. No Correio da Manhã, lia-se isto: «Este é, aliás, o valor pago por quilo aos produtores de castanha. Nos supermercados, o preço da castanha ‘martaínha’ dispara e pode chegar a custar seis vezes mais daquilo que é recebido pelos agricultores» («Crise obriga a reduzir castanha no magusto», João Saramago, Correio da Manhã, 11.11.2010). As aspas não fazem falta, caro João Saramago. Aveleira, bária, colarinha, judia, lamela, longal, martainha, trigueira..., as variedades de castanha são grafadas como acabo de fazer. Pior ainda, o acento: «martainha» precisa tanto de acento como bainha, biscainho, Fontainhas, grainha, ladainha, Maçainhas, moinho, rainha, redemoinho, remoinho, tainha, ventoinha, etc. A semivogal i, ao ser anasalada pelo dígrafo nh, é como que autonomizada, destacada como sílaba, desfazendo assim o ditongo.

[Post 4077]
Etiquetas
edit

Sem comentários:

Arquivo do blogue